Clássico dos quadrinhos: A Saga da Fênix Negra

Publicado: 26/09/2011 por Márcio Alexsandro Pacheco em Artigos, Quadrinhos (Comics)
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A Saga da Fênix Negra

 

A Saga da Fênix Negra, lançada há 30 anos na revista mensal dos X-Men, foi um grande sucesso que até hoje possui repercussões nas histórias dos famosos mutantes. Nesta saga, iniciada em 1980 por Chis Claremont e John Byrne, vamos ver um dos personagens principais dos X-Men, Jean Grey, transformar-se em uma entidade cósmica com poderes quase divinos, sendo corrompida aos poucos pelos seus pensamentos mais negros e sombrios, tranformando-se na onipotente Fênix Negra. Com o terceiro filme, X-Men: O Confronto Final, que usa elementos desta saga e com a volta da Fênix na saga “A Derradeira Canção da Fênix(Phoenix End Song, que começou aqui no X-Men Extra #58), nada mais justo para os novos leitores que têm a chance agora de ver toda a saga original que foi reunida em uma versão encadernada e lançada aqui no Brasil com o nome de “Os Maiores Clássicos dos X-Men: A Saga da Fênix Negra“.

 

Mas antes de analisarmos a saga em si, vamos falar sobre seus autores, hoje grandes nomes das comics e que naquela época estavam em começo de carreira. Os leitores regulares de X-Men devem conhecer o nome de Chris Claremont, um dos nomes mais importantes nas histórias dos mutantes. Ele tomou as rédeas de X-Men em 1976 e só largaria 16 anos depois em 1991. Nesta época Claremont teve “diferenças de trabalho” com o desenhista Jim Lee, que estava em pleno auge desenhando os X-Men. Lee ganhou a preferência dos editores e Claremont saiu da Marvel Comics (mas voltaria anos depois, escrevendo algumas histórias com o grupo Excalibur – muito fraquinhas, por sinal).

Mas o sucesso mundial de X-Men se deve principalmente por causa do trabalho de Claremont, e isso é inquestionável, mesmo que você não goste do seu trabalho atual. Durante seus longos anos com os X-Men, ele escreveu ou co-escreveu várias sagas dos mutantes assim como também ajudou na criação de diversos novos personagens, como Vampira, Psylocke, Mística, Dentes-de-Sabre, Jubileu, Sr. Sinistro, Gambit entre outros. A famosa frase de Wolverine foi criada por ele: “sou o melhor naquilo que faço… mas o que eu faço não é nada bonito”.

a dupla Chris Claremont e John Byrne

John Byrne além do seu trabalho com os X-Men, também é muito reconhecido pela reformulação do Quarteto-Fantástico, título em que permaneceu por seis anos, e considerado por muitos fãs como “a segunda era de ouro” do Quarteto-Fantástico. Ele mudou o grupo radicalmente, tirou o Coisa da equipe e o substituiu pela Mulher-Hulk, fez da Mulher-Invisível o membro mais poderoso da equipe, Tocha-Humana “roubou” a namorada do Coisa, Alicia Masters, entre vários outros problemas. Também recriou as origens do Super-Homem (um excelente trabalho) após a saga Crise nas Infinitas Terras e claro, teve um longo trabalho com os X-Men. Byrne é fã confesso do lendário Jack Kirby e de Frank Miller e sua arte e estilo já influenciou grandes nomes das comics como Jim Lee e Todd McFarlane. Byrne também é conhecido pela sua personalidade temperamental, por onde passa arruma confusão com alguém. Foi assim com Claremont, depois da Saga da Fênix Negra, Byrne saiu do título dos mutantes dizendo estar “bastante insatisfeito” e que sua relação com Claremont era “cordial”, mas que seria “bastante frustrante” trabalhar com ele de novo (porém em 2004 os dois trabalharam juntos na Liga da Justiça na DC Comics). Ele já arrumou confusão também com Peter David, Jim Shooter, Joe Quesada, Erik Larsen, Roy Thomas.

A História

Mas foi graças a esses dois tão diferentes artistas que trouxeram um dos melhores arcos de histórias dos X-Men. A Fênix hoje em dia é conhecida por ser uma entidade separada de Jean Grey, mas originalmente não era para ser assim. Jean Grey ERA a Fênix e a idéia básica era: pode um simples mortal possuir o poder de um Deus? Tudo começa quando os X-Men vão para o espaço tentar impedir uma ameaça inter-planetária. Quando estão retornando para a Terra, a nave está a ponto de explodir na estratosfera e a única maneira de salvar os tripulantes é Jean se sacrificar para pilotar a nave (ela pode formar com a sua telecinese um escudo em volta do corpo para se proteger temporariamente da radiação). Jean consegue salva-los, a nave caí no mar, e de lá ela ressurge como a Fênix, um ser com poderes que transcende os cosmos. Assim Jean/Fênix volta para a equipe, que com os poderes da Fênix torna-se praticamente invencível.

É quando surge o Clube do Inferno, formado por membros poderosos da elite sócio-política e econômica dos EUA. Dentro deste clube possui um círculo interno, aberto a poucos membros selecionados. Um pequeno grupo secreto que vê o clube como forma de adquirir poder. É onde se encontra Jason Wyngarde, também conhecido como Mestre Mental, que aos poucos começa a entrar na mente de Jean Grey. O Mestre Mental, com o interesse de manipular Jean/Fênix como a sua Rainha Negra e assim assumir o controle do Clube do Inferno, vai aos poucos controlando Jean com ilusões de um passado em que ela é casada com Jason Wyngarde. Com as ilusões, Jean também vai lentamente mudando de personalidade, liberando de dentro dela um lado sombrio, egoísta e arrogante.

O Mestre Mental consegue controle total de Jean, e através dela como Rainha Negra do Clube do Inferno, derrota facilmente os X-Men. Mas o Mestre Mental comete um grande erro, que é “matar” Cíclope em uma das suas ilusões na frente de Jean Grey. O choque de ver o homem que ama sendo morto, libertou Jean do controle do Mestre Mental. Mas também um poder incontrolável foi libertado, as chamas sombrias da Fênix Negra já estavam soltas. Nas últimas páginas, quando os X-Men estão a bordo do Pássaro Negro voltando para a sua mansão, a Fênix Negra desperta seu poder total, sem se importar com os seus colegas mutantes. Ela explode a nave da equipe, que ainda conseguem se salvar em terra firme, mas que logo são derrotados facilmente pela Fênix Negra.

Com o seu poder cósmico, Fênix deixa a Terra rumo ao espaço e às estrelas espaciais. Viajando pelo espaço interestelar, Fênix chega a uma galáxia muito distante. “Faminta”, ela mergulha em um Sol que é totalmente consumido pela Fênix Negra. Orbitando o Sol havia um planeta com um povo de cinco bilhões de habitantes, que são instanteneamente mortos com a explosão do Sol e do Planeta.

 

Fênix aniquila com um sistema solar e cinco bilhões de seres vivos

Um cruzador do Império Shiar estava perto do sistema quando a Fênix destruiu o planeta. Eles conseguem avisar Lilandra sobre a terrível ameaça, antes de serem destruídos pelo pássaro flamejante. A Fênix agora torna-se um problema de escala cósmica. Para garantir a segurança do universo, Lilandra forma um congresso formado com vários seres do universo para decidir o destino da Fênix.

Enquanto isso, depois de destruir o cruzador espacial, a Fênix retorna para a Terra. Ela vai até a casa onde vivem os pais de Jean Grey e onde passou sua infância. Por um breve momento ela volta a ser Jean, mas o lado sombrio da Fênix logo assume o controle. Os X-Men cercam a casa, e com um aparelho criado pelo Fera, conseguem quase derrotar a Fênix. Wolverine teve a chance de mata-la, mas hesitou por um momento e a Fênix novamente derrota os X-Men. O Professor Xavier aparece e uma guerra psíquica tem inicio. As duas mentes mais poderosas da Terra em um confronto épico. O Professor consegue vencer o duelo, aprisionando a Fênix Negra em uma rede de bloqueios psiquicos dentro de Jean Grey, que aparentemente voltou ao normal.

 

Fênix Negra detona os X-Men

Mas quando parecia tudo bem, todos os X-Men são teleportados para a nave-mãe da frota de Lilandra, com o objetivo de destruir a Jean/Fênix. Xavier, em uma última cartada para salvar Jean, desafia Lilandra para um Duelo de Honra, o qual ela não pode recusar. Assim, os X-Men e a Guarda Imperial de Lilandra irão lutar até uma das equipes ser derrotada. Se os X-Men vencerem, estarão livres, se a Guarda Imperial vencer, o destino de Jean Grey ficará sob tutela de Lilandra.

 

a Fênix Negra revela-se para os X-Men

Assim as duas equipes se enfrentam na superficie da Lua. Os X-Men são pouco a pouco vencidos pela Guarda Imperial, que possui seres de grandes poderes. Sobram apenas Jean e Ciclope, que lançam um último ataque contra a Guarda Imperial. Porém durante o ataque, Cíclope é atingido, e o choque de ver seu amado ferido arrebentou os bloqueios psiquicos de sua mente permitindo o retorno da Fênix. Os X-Men a atacam enquanto ela ainda está fraca e conseguem fazer com que Jean Grey mantenha seu lado humano. Sabendo que ela não pode conter o poder da Fênix Negra, Jean se suicida, desintegrando seu corpo com uma arma escondida na Lua, dando assim um fim a sua vida e a Fênix Negra.

 

Wolverine hesita em fazer “aquilo em que é o melhor no que faz”

Considerações Finais

Um verdadeiro clássico dos X-Men que volta numa edição encadernada que merece estar na estante de qualquer colecionador de quadrinhos. Para a época foi bastante inovador, tranformaram uma personagem secundária numa entidade cósmica super poderosa, e no final ela acaba morrendo (claro que ela voltaria anos depois…afinal, Fênix ressurge das próprias cinzas).

 

duelo de mentes: Fênix vs Xavier

Fazia parte dos X-Men na época: Tempestade, Ciclope, Jean Grey, Wolverine, Colossus e Noturno. Com participações ainda de Fera (que estava nos Vingadores), Anjo (que estava fora dos X-Men em uma vida pacata) e Kitty Pride que estava descobrindo seus poderes. Uma das formações mais carismáticas dos mutantes e que Claremont já vinha fazendo um ótimo trabalho, antes mesmo da Saga da Fênix, retratanto os problemas dos mutantes com preconceitos e o choque de culturas, e o dia-a-dia da equipe com histórias criativas e cativantes (era Claremont em seu auge).

A Saga da Fênix tem os seus méritos na história dos quadrinhos, mas também possui seus problemas. O primeiro deles é o fato da Fênix ser extremamente poderosa, deixando todos os outros personagens em segundo plano, praticamente dispensáveis. Outro grande problema é que a Fênix tornou-se tão poderosa o suficiente para seres de todo o universo sentirem sua presença. Sendo assim, porque nenhum outro personagem Marvel apareceu para ajudar os X-Men? O Quarteto-Fantástico por exemplo, uma equipe acostumada a enfrentar ameaças cósmicas, faria muito mais sentido do que os X-Men aqui, o que nos leva a outro problema. Viagens aos espaço, cruzadores estelares, seres alienigenas, raios lasers… isso tudo não condiz ao universo dos X-Men, cujo foco sempre foi “o preconceito deles serem diferentes”, a perseguição deles pelos humanos. Wolverine no espaço é dificil de engolir heim (naquerla época, hoje em dia X-Men no espaço não é ‘coisa de outro mundo’). Como eu já disse, se fosse o Quarteto-Fantástico, ou mesmo os Vingadores, iria combinar melhor do que os X-Men, nem que fosse só para ajudar os mutantes. Tudo vai bem, até a Fênix Negra destruir um planeta com cinco bilhões de habitantes (o roteiro original de Claremont era apenas a destruição de uma estrela, mas Byrne ao desenhar resolveu colocar um planeta habitado ao redor dessa estrela) que levou a trama para o espaço.

A melhor parte da saga é ver Jean Grey sendo lentamente corrompida pelo poder da Fênix Negra. A parte em que ela enfrenta os X-Men também agrada, apenas a sua conclusão ficou meio “fora do foco” da realidade dos X-Men. Mesmo assim é uma revista obrigatória para qualquer leitor de quadrinhos, especialmente dos X-Men. Sua versão encadernada possui 196 páginas, capa dura, papel LWC, com um preço “meio salgado” de R$24,90. Possui ainda um prefácio escrito por Chris Claremont e no final uma transcrição de uma conversa informal de 1984 entre Chris Claremont (roteirista), John Byrne (desenhista), Terry Astin (arte-finalista), Jim Salicrup e Louise Jones (editores) e Jim Shooter (editor-chefe) – a equipe por trás da conclusão da Saga da Fênix, mostrando inclusive que os autores estavam pensando em um final diferente.

 

The Child of Light and Darkness

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comentários
  1. helinux disse:

    para falar a verdade nunca acompanhei bem essa saga não!!!!li alguns trechos e pegava emprestado com amigos, falta de dinheiro na época e eu estava sempre jogando bola, soltando pipa e se mantando no atari!!!!bons tempos….mas lembro e ainda tenho algumas edições da marvel….gostava mesmo de ler elektra saga(um clássico), ronin(frank miller), demolidor e justiceiro. Até o homen aranha era dificil de eu acompanhar as aventuras do aracnideo. Não gostava de herois demais em um gibi ou aventura….mas sempre procurava me atualizar nas histórias épicas do x-men….e na dc comics o meu preferido sempre foi batman!!!!!um clássico da dc comics ou talvez o maior clássico: crise infinita das terras!!!!!esse eu adoro!!!!!
    portanto assisti o desenho contando sobre a saga de fenix e a hq é considerada como um clássico da márvel!!!!recomendo esse clássico hq para as escolas e univerdidades deste país!!!!!

  2. eu mermo disse:

    eu tenho essa revista.
    morram de inveja heheheheh

  3. Gotham disse:

    Conheci os X-Men pelas Superaventuras Marvel em 1987. Praticamente após estes eventos da “morte” da Fênix (os quais eu desconhecia na época). A formação não tinha o Ciclope, pois parece que ele tinha se exilado após os eventos. Alguns anos depois, encontrei uma edição usada de uma compilação que a Abril lançou (acho quem em 1989). Eu li e reli este épico várias vezes. Sinceramente, nunca mais na minha vida acompanhei um período tão bom quanto este nos quadrinhos. Infelizmente, para mim, os X-Men acabaram no famigerado “Massacre de Mutantes”. Que pena… que saudade.

    P.S.: Wolverine, por mais estranho que pareça, voltou ao espaço com seus companheiros logo depois: Na Saga da Ninhada.

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