Space Channel 5 – A primeira colorida e ritmica aventura de Ulala

Publicado: 27/10/2011 por Eduardo Farnezi em Análises, Dreamcast
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Ulala´s Swingin Report Show!”

É inegável dizer que na época em que a Sega desenvolvia games para plataformas que eram dela mesma, a “dona do mascote azul” era praticamente imbatível. Não importa de qual console falemos, seja Master System, Genesis, Saturn ou Dreamcast, a Sega sempre tirava um “Ás” da manga e nos presenteava com games fabulosos, e não raramente inovadores.

Venho aqui agora relembrá-los de um game que une todas as características acima. Um jogo da Sega, desenvolvido para um Hardware criado pela mesma e que, por certo, não é somente muito bom, também o é inovador. Um game que, infelizmente “passa batido” para a maioria dos jogadores, ou então, é pré-julgado de maneira preconceituosa.

Vou tratar aqui de Space Channel 5 para Dreamcast.

Sempre gostei muito de games que nos dão sensações diferentes das usuais. Sempre gostei também do conceito por trás de games musicais, apesar de nunca achar que nenhum deles, até a chegada de Rez e do próprio Space Channel 5, tenham alcançado um nível acima da trivialidade. Por isso mesmo, nunca conseguiram me proporcionar verdadeiramente uma sensação diferenciada durante a jogatina. Um jogo que conseguisse me transmitir uma nova experiência musical sempre foi um sonho meu, sonho esse concretizado inicialmente por Space Channel 5.

O enredo do jogo é simplório e nada ortodóxo. Em uma época em que viagens espaciais são corriqueiras, alienígenas dançantes invadem a Terra e hipnotizam os seres humanos para escravizá-los a dançar. O jogador, no controle de Ulala (fofíssima!) tem de, dançando, reverter a hipnose nos seres humanos e expulsar os alienígenas. Ulala é uma repórter do canal espacial 5, portanto, tudo o que acontece com Ulala ao longo de sua missão é transmitido ao vivo. Eis um resumo da história do game, que possui lá seus desdobramentos e reviravoltas.

Pode parecer simples, mas a execução de cada um dos fatores acima descritos é de uma simpatia tão grande que o jogador é sugado para esse “universo alternativo” imediatamente. Alias, ao longo da análise, será bem notório que tudo no game é bem simples, mas muito bem executado.

No início do game já temos quase todas as informações na tela que precisaremos acompanhar ao longo de todo o game. No lado direito da tela temos a audiência, afinal, tudo está sendo televisionado. Cada fase tem uma porcentagem mínima de audiência, que deve ser alcançada até o fim dessa para que se possa prosseguir para a fase seguinte. Ao encontrar um alienígena, no lado esquerdo superior da tela, temos corações, que indicam o número de erro nos passos da dança que poderemos ter naquele momento. Cada sequência errada remove um coração, perdendo todos os corações é game over. Somente essas informações serão necessárias para se prosseguir no game.

O grande trunfo de Space Channel 5 se dá na qualidade de seu pacote audio-visual.

O visual do game é bem colorido e extravagante, desde os cenários aos personagens, sejam principais, secundários ou  alienígenas, que possuem cores diversas e em sua maioria bem chamativas. Ulala é um espetáculo a parte. Com chiquinhas nos cabelos cor de rosa, roupa toda amarela com um “que” de roupa espacial espacial, um microfone na mão e com uma sainha matadora, Ulala vai caminhando e falando com o público, olhando para a câmera mesmo, afinal de contas, é uma reporter. Sua forma de andar é sempre ritmica, como se estivesse seguindo a trilha sonora que o jogador ouve naquele momento, algo que vai se intensificando ao longo do game.

Não temos o controle de movimentação de Ulala, nossa interação com o game se dá tão somente nos momentos de dança.

Ao encontrar alienígenas, normalmente com algum grupo de humanos, se inicia um desafio entre alienígenas e Ulala. Os seres espaciais ditam e dançam, uma sequência que deve ser realizada por Ulala. A sequência deve respeitar direção e botões a se pressionar, bem como fazer isso no tempo correto, caso contrário, ou não se consegue libertar os humanos da “hipnose dançante”, ou se extinguem os corações.

Os desafios dançantes, e isso vai ao longo de todo game, são de uma simplicidade conceitual tão grande, que é possível, em um primeiro momento, se perguntar “como diabos tiveram a coragem de lançar um game desse?”
Não se pergunte isso, e vá se deixando levar…

Let´s Dance! Up! Up! Up!” 

Essa frase acima resume praticamente 25% de todas as operações realizadas com o controle ao longo do jogo. Os desafios dos coloridos alienígenas se resumem a lhe dar as seguintes diretrizes: Up; Down; Left; Right; Shoot. As sequências de dança são baseadas nesses comandos. Cada sequência possui uma quantidade dessas diretrizes, cada qual no ritmo correto, e cabe ao jogador, após o alienígena terminar sua sequência, replicá-la.

Simples não?
Exato, e essa é a beleza!

A união entre o visual cartunesco, todo colorido e único, a música bem marcante, e o ritmo em que os alienígenas ditam, enquanto dançam, os movimentos que terá de fazer posteriormente é algo fantástico. Isso sem contar com as animações durante as danças, indo do cafona, mas um intencional cafona, à animações simplesmente hipnotizantes. Todo esse conjunto cria uma experiência única e viciante, por mais que o início do game seja difícil, dada a adaptação a uma jogabilidade diferente e não necessariamente fácil.

Além dos desafios de dança, existem momentos em que temos de atirar nos alienígenas, no entanto, tudo isso seguindo o ritmo ditado por eles. Nessas cenas, quando é o momento de se pressionar o botão referente ao “Shoot”, Ulala atira no alienígena. Essa mudança não altera em nada a jogabilidade base do game, mas visualmente dá uma renovada, pois não deixa que o game caia em monotonismo.

Sempre que libertamos um humano, eles segue Ulala no mesmo ritmo de caminhada e também durante os passos de dança, o que deixa o game mais animado visualmente a cada nova “vitória dançante” sobre os seres do espaciais coloridos.

É estranho dizer isso, mas apesar do visual espacial do game, esse senso de dança e de entrega ao ritmo de Ulala, assim como todo o design do game, nos faz recordar a época dos anos 70 e da discoteca. Isso dá um contraste interessante ao game, o que por certo dá a Space Channel 5 mais um motivo para simpatia para com o game.

A voz dos alienígenas é engraçadinha e casa bem com o visual dos mesmos, dá vontade de apertar aqueles pestinhas!

As músicas são muito boas, muito inspiradas. As batidas são bem variadas, e dão o clima perfeito para cada momento do game, que por mais superficial que seja a nível de enredo, o tem, assim sendo, a música tem importante função para retratar cada momento do jogo.

Imagino que a explicação acima tenha ficado pouco elucidativa, mas em Space Channel 5 a experiência supera a técnica, as sensações aqui são maiores do que o que a lógica pode lhe dizer. Veja bem, um game com excesso de cor, excêntrico, em que tudo o que fazemos é seguir o ritmo que lhe é ditado explicitamente, direcionando um digital do joystick apenas para cima, e para baixo e para os lados… Não pode ser bom, é muito besta. Mas a prática, a experiência que temos ao começar a interagir como o game, revela um jogo fantástico e viciante.

No caso de alguém não conhecer o game, o que é bem possível, deixo aqui um vídeo com a primeira parte da primeira fase do game. De repente, após ver o vídeo, minha tentativa de explicação sobre o funcionamento do game fique mais claro.

Mas nem somente de flores vive Space Chennel 5, ele possui três probleminhas que irão “perseguir” o jogador durante sua jornada. Dois deles poderiam ser melhor trabalhados e um deles é consequência do trabalho da Sega no game.

1º problema: O game é bem curto. É possível finalizá-lo de uma vez só em uma tarde não completa de jogatina.

2º problema: Os cenários do game não são processados em tempo real, são sim vídeos pré-renderizados, o que ajuda na beleza do visual do game, no entanto, é possível notar no game um certo delay, sejam nos gráficos em tempo real, sejam nos pré-renderizados, nos momentos de mudança mais de câmera. Não raras vezes ou um ou outro se adéqua primeiro ao próximo take de câmera, dando por um segundo, uma sensação de bug. Não é nada que estrague a experiência do game, mas é algo que salta à vista dos mais exigentes.

3º problema: Você vai se viciar por Space Channel 5 e isso tomará conta de você. “Vira e mexe”, mesmo no serviço, começo a cantarolar “Up! Up! Shoot! Left! Left! Shoot! Shoot!” sem ao menos perceber, mas aqueles que estão ao meu redor por certo o percebem. Os olhares denunciaram. O ritmo é viciante, assim como Ulala.

Como podem ter percebido, fui bem light nessa análise. Sou fã desse game e não nego. Acredito que mais importante do que destrinchar tecnicamente esse game, é necessário compreender o que mais importa em Space Channel 5: A diversão descompromissada (mesmo que o game saiba ser difícil quando o pretende) e a sensação de uma nova experiência no mundo dos games.

Space Channel 5 foi, por certo, o primeiro game que se propôs verdadeiramente a proporcionar algo diferente e imersivo em um game musical, algo que foi ampliando por Rez e pela sequência do game que aqui analiso, e que nunca mais chegou ao ponto em que esses dois games chegaram. Permita-se sentir Space Channel 5, garanto que nunca mais ele deixará você.

Uma curiosidade antes de me despedir: Na última fase do game um dos humanos hipnotizados é ninguém menos do que o Rei do Pop, que em Space Channel 5 é chamado de Space Michael. É uma participação pequena, mas com certeza marcante para os fãs do Sr. Jackson. Sem contar que ele tem tudo haver com o clima do game.

Conclusão: Space Channel 5 foi, por certo, o primeiro game que se propôs verdadeiramente a proporcionar algo diferente e imersivo em um game musical, algo que foi ampliando por Rez, e que nunca mais chegou ao ponto em que esses dois games chegaram. Não se deixe levar por resmungões que, mesmo sem nunca ter jogado o game, o taxa de jogo besta, jogo de menina ou mesmo um simples “porcaria”. Permita-se sentir Space Channel 5, garanto que nunca mais ele deixará você.

Nome: Space Channel 5

Sistema: Dreamcast

Desenvolvedora: Sega/United Game Artists (UGA)

Ano de Lançamento: 2000

Nota da análise: 08/10

+ Visual e Sonoplastia fantásticos.

+ Ulala (ela por si só é um destaque).

+ Soace Michael (The Moonwalker lord!).

+ Jogabilidade extremamente simples e inacreditavelmente funcional e viciante.

+ Experiência única dada à soma das particularidades do game.

Game pequeno, mais umas 3 fases e seria perfeito.

Ulala “made in oriente”. Alguma reclamação? Eu achei que não…

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comentários
  1. Eduardo Farnezi disse:

    Eu sei…
    Eu sei que prometi as análises dos dois Space Channel 5 na mesma semana em que o segundo game da série foi lançado na PSN, entretanto, tive (continuo tendo) contratempos inadiáveis.
    Peço desculpas a quem aguardou, se é que alguem por aqui é tão fã da série dançante da Sega quanto eu.
    De pouco em pouco vou postando análises e afins aqui no blog.
    Assim que possível retorno com força total!

  2. helinux disse:

    curiosidades da sega!!!!!

  3. Julio César disse:

    Divulgado no Facebook

  4. A verdade é que Parappa the rapper veio 3 anos antes de Space Channel 5, mas não tinha a irreverência e o ritmo de Uh-lala. Recomendo jogar a trilogia Bust a Groove.

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