Castlevania: Lords of Shadow

Publicado: 08/11/2011 por Márcio Alexsandro Pacheco em Análises, PS3, Xbox360
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– Visuais espetaculares são o grande destaque –

Já são quase 25 anos que os caçadores de vampiros da família Belmont (e seus aliados) caçam Drácula e seus sugadores de sangue na famosa franquia da Konami, “Castlevania”. Foram vários títulos para quase todas as plataformas de videogames existentes. Porém, nestes últimos anos a série vem sofrendo de um mal que está difícil de ser derrotado: games de baixa qualidade que não agradaram os fãs como deveriam.

Certamente o último grande nome para a franquia foi o antológicoCastlevania: Symphony of the Night, lançado em 1997. Deste então a Konami vem tentando migrar a série para o universo 3D, até conseguindo bons resultados de vez em quando, mas ainda assim bem distantes da qualidade e do legado “Castlevania” de ser. Mesmo sua última versão 2d, “Harmony of Despair“ parece não ter agradado muito.

“Castlevania: Lords of Shadow” foi anunciado como sendo um novo começo para a franquia, e segundo a própria Konami, não possuir conexão com a série. Realmente uma mudança radical para uma das séries mais famosas dos videogames, mas talvez necessária para que “Castlevania” entre nos eixos.

Mas a mudança não é apenas “papo”, para isso a empresa chamou a produtora espanhola novata MercurySteam para a produção do game, tentando assim deixar para trás as raízes orientais da série e tentar um foco mais ocidental. Chamou também o célebre Hideo Kojima, e sua equipe, para trabalhar no novo “Castlevania”. Kojima, como a maioria deve saber, é o criador da série Metal Gear Solid, e um grande fã da cultura pop norte-americana e conhecido principalmente por dar um tom cinematográfico em seus games.

Com uma produção como essa, o resultado não podia ser diferente: “Lords of Shadow” possui uma apresentação e produção fantásticos, com visuais e narrativa com a assinatura de Kojima, o que garante uma qualidade igual, ou superior, às superproduções de Hollywood. Mas nem tudo é perfeito, confira em nossa análise.

Tenha em mente que a história do jogo não segue a linha cronológica da série, então não espere ver referências de outros games, é realmente um recomeço. O jogo ocorre no “fim dos dias”, no ano de 1047, quando a aliança da Terra (os humanos) com os Céus (os deuses) é ameaçada por uma força malévola, conhecido como “senhor das trevas”, que você já deve imaginar quem é. Uma magia negra poderosa impediu as almas dos mortos de irem para o outro mundo, enquanto criaturas do mal habitam a terra e atacam aqueles que estão vivos.

O novo protagonista é Gabriel Belmont, membro da Irmandade da Luz, um grupo de elite de cavaleiros sagrados que protege os inocentes dos poderes e criaturas sobrenaturais. Sua amada esposa foi assassinada brutalmente por forças malévolas das sombras e sua alma aprisionada pela eternidade. Gabriel viaja pelo mundo com o objetivo de trazer a paz de volta ao mundo e trazer de volta sua falecida esposa. Para isso ele vai precisar obter duas máscaras sagradas, conhecidas como as Máscaras de Deus e do Diabo, mas só depois que derrotar os Senhores das Trevas.

A história e narrativa são elementos que você não vai precisar se preocupar, pois estão muito bem elaboradas e contadas de forma a aprender a atenção do jogador, do começa ao fim da aventura. Com a assinatura de Kojima, é impossível não perceber o estilo cinematográfico, que por vezes faz até você esquecer que está jogando mas assistindo a um filme. O jogo começa com Gabriel chegando a um vilarejo cheio de lobisomens. Ele está em busca do Guardião do Lago, com a missão de se comunicar com os mortos, que podem dar uma pista para a salvação do mundo. A partir deste ponto a narrativa se desenvolve mostrando a jornada épica de Gabriel, que vai encontrar outros personagens pelo caminho, como o guerreiro Zobek, que ajuda Gabriel em sua busca, a falecida esposa Marie e a garotinha muda com poderes telepáticos, Claudia.

O objetivo da Konami era apresentar uma nova mecânica, deixando elementos tradicionais para se aventurar em conceitos de jogos contemporâneos. É fácil perceber a influência de jogos atuais como “Bayonetta”, “Uncharted”, “Prince of Persia”, “God of War 3” e “Shadow of the Colossus” (esse não tão moderno). Porém, com tantas influências, ficou difícil para “Lords of Shadow” possuir uma identidade própria, apresentando uma mecânica de jogo que não é tão profunda quanto os outros jogos citados, com comandos de combate simples, não exigindo grandes estratégias ou planejamento. É só apertar o botão, se movimentar um pouco e pronto, inimigos derrotados, só partir para a próxima leva.

O elemento exploração, bastante comum na franquia “Castlevania”, também não foi aproveitada de forma mais abundante (mas elas existem). O jogo possui um sistema de progressão mais linear, com trajetos pré-definidos para o jogador seguir. É como um roteiro de um filme, que determina as locações e cenários, não cabendo ao jogador nem o controle dos ângulos das câmeras. Não que isso seja um ponto negativo, pois aventura fica mais dinâmica e o enfoque do game é totalmente direcionado para a narrativa (como de costume nos jogos de Kojima), mas fãs mais tradicionais podem não gostar dessas mudanças.

Gabriel usa como principal arma o seu chicote retrátil chamado Combat Cross, que também serve para escalar paredes e inimigos de grande porte. No começo do jogo os ataques são bem básicos, mas novos combos e magias vão sendo destravados, e há a opção de se usar armas secundárias como adagas, água benta e outros itens que podem ser evoluídos. Os ataques com o chicote podem ser combinados com magias da Luz e das Trevas, que visam a defesa e o ataque, respectivamente. Além do mais, o chicote também pode ser evoluído e ser usado para bloquear ataques. O personagem também possui contra-ataques e sistema de esquiva, que será muito utilizado durante o jogo.

Um elemento tradicional da série que está presente são os quebra-cabeças, que variam desde coisas mais simples, como usar o chicote para alcançar novas áreas, à sequências que vão exigir do jogador pensar para resolver enigmas e movimentar objetos físicos, ou ativar alavancas, para abrir novos caminhos ou desativar armadilhas, ou ainda para procurar itens escondidos, seguindo o estilo de jogos como “God of War 3”.

A variedade de inimigos não é muito grande, tendo em vista a vasta galeria de monstros e criaturas que a série tem a oferecer. Nas primeiras horas de jogo, você vai enfrentar dúzias de lobisomens e goblins, que apesar de terem um design muito bacana na tela, não oferecem grandes desafios, mesmo quando em grupos.  Lá pela metade do jogo eles darão lugar aos vampiros e  ghouls. De vez em quando aparecem algumas outras criaturas, como aranhas gigantes, trolls e sub-chefes (alguns muito legais), mas também nada que vá fazer você perder muitas vidas. O sistema de QTE, ações em que você deve apertar um botão de um determinado tempo, ajudam a dar uma variada nos combates, com cenas de lutas mais violentas e com a possibilidade de cavalgar grandes inimigos, algo que será necessário para progredir no jogo, alcançando novas áreas. Infelizmente o jogo peca por, na maior parte do tempo, nos fazer enfrentar hordas de inimigos menores repetidas vezes, o que com o tempo acaba se tornando repetitivo.

Entretanto, o jogo possui alguns chefes gigantescos, aos estilo de “Shadow of the Colossus” (e outros títulos), em que você deve subir pelo corpo descomunal e acertar em um ponto fraco, até derrotá-lo (a batalha contra a Titã de pedra no santuário é fantástica). Esses combates são um espetáculo audiovisual e realmente são bem emocionantes, especialmente lá pelos 40 minutos finais do game, com sequências arrebatadoras e apoteóticas que irão deslumbrar os jogadores. A impressão que temos é e estar assistindo a uma mega produção do cinema, do naipe de Spielberg ou Cameron.

Um ponto que merece destaque em “Lords of Shadow”, além de sua narrativa, são os seus gráficos e visuais, um dos mais belos que você vai encontrar para o seu console de alta definição. Os cenários são belíssimos e sem dúvida impressionam pela grandiosidade e o grau de detalhes.

A equipe de design artístico não poupou esforços e criou cenários bem variados, com selvas, cavernas, templos, montanhas, catacumbas subterrâneas e muito mais, tudo muito bem detalhado, com excelente uso das cores e efeitos de luz e sombras. Tudo é muito bonito e aparenta estar bem vivo. Os personagens e inimigos também não foram esquecidos, e se apresentam com excelência na tela, com boa movimentação e animações, tudo muito fluído e natural.

A trilha sonora orquestrada, composta pelo espanhol Oscar Araujo (que disse recentemente que a Konami requisitou uma sequência para o jogo), é igualmente bela, com temas épicos apropriados que se encaixam perfeitamente com a ação, com tons dramáticos e tensos quando necessário e cheia de energia nos momentos de ação e batalhas contra os chefes.

Além disso a Konami investiu pesado na dublagem do game, convocando um elenco de atores de Hollywood encabeçados por Patrick Stewart (o Capitão Picard de “Star Trek: A Nova Geração” e o Professor Xavier de “X-Men”) em um brilhante trabalho de dublagem com o personagem Zobek (além de narrar a história do jogo) e Robert Carlyle (do bacaninha filme de zumbis “Extermínio 2” e do cult “Trainspotting”), no papel de Gabriel. Além deles há também trabalho dos atores Ian McKellen (o eterno Gandalf da trilogia “O Senhor dos Anéis” e também o Magneto em “X-Men”), Natasha McElhone (“A Outra”) e Jason Isaacs (Lucius Malfoy da franquia “Harry Potter”). Desnecessário dizer que a dublagem do game está show de bola e muito bem produzida, assim como os diálogos e textos nas conversações.

Com um final que deixa um gancho para uma sequência, agora é só esperar pela continuação da aventura, que provavelmente será ainda melhor que “Lords of Shadow.

Conclusão: “Castlevania: Lords of Shadow” possui uma produção de fazer inveja à muitos filmes, com destaque para a sua narrativa cinematográfica e os gráficos e visuais fantasticamente belos, um dos jogos mais bonitos dos últimos tempos. Infelizmente ele peca por não apresentar uma maior variedade de inimigos e um sistema de combate que, apesar de ter boas opções, no final se resume a apenas apertar botões pra derrotar hordas de inimigos, além de possuir uma progressão muito linear. Fãs mais tradicionais da série “Castlevania” talvez não gostem muito das mudanças, mas isso não muda o fato de que “Lords of Shadow” é um excelente game de ação, apesar de seus pequenos defeitos.

Nome: Castlevania: Lords of Shadow

Sistema: PS3 e Xbox 360

Desenvolvedora: MercurySteam/Kojima Productions

Ano de Lançamento: 2010

Nota da análise: 9/10

+ Gráficos e visuais soberbos

+ Excelente trilha sonora e dublagem

+ Narrativa segura a atenção do jogador até o final

+ Batalhas épicas contra os chefões

Com tantas influências modernas, jogo acabou perdendo um pouco da identidade da série “Castlevania”

Pouca variedade de inimigos

Mecânica de combates podia ser melhor explorada

Progressão de fases muito linear

comentários
  1. helisonbsb disse:

    show de bola!!!!excelente análise!!!!! os jogos estão cada vez mais indo para o estilo cinema mesmo….realidade e gráficos avançados elevam a um patamar cinematográfico,,,,,

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