Golden Axe III – O Machado Dourado merecia um game melhor

Publicado: 01/12/2011 por Márcio Alexsandro Pacheco em Análises, Mega Drive
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Golden Axe III  foi lançado no final de 1993 e infelizmente não causou um grande impacto. Tanto que seu lançamento ficou apenas no Japão, já que a Sega of America achou que o jogo não tinha qualidade suficiente para ser lançado em outros países. E eles estavam certos, o terceiro capítulo para o Mega Drive deu uma deslizada feia na série. Os fãs que aguardavam uma versão caseira para o Revenge of Death Adder (para o Sega CD talvez?), arcade que fez bastante sucesso e que muitos consideram como o verdadeiro Golden Axe II (e não a versão caseira do Mega Drive – leia nossa review aqui) tiveram uma grande decepção.

O game possui gráficos pobres e inferiores até para o primeiro game, lançado em 1989. As músicas são horríveis, não tendo mais aquele tom medieval, agora soando até meio remix. Mas em meio a tudo isso, possui alguns pontos positivos. Está bem mais longo, agora com a possibilidade de você escolher o caminho, possui dois finais diferentes e está bem mais difícil. Dos três personagens clássicos, apenas o anão Gilius Thunderhead  faz uma participação, mas não como personagem para ser jogado. Agora você pode escolher entre quatro novos personagens. Novos golpes foram inseridos na jogabilidade, inclusive a possibilidade de interação no modo de dois jogadores.

Mas vamos ler abaixo uma análise mais detalhada do jogo.

Gilius faz uma participação especial

A história

O legendário machado do poder, Golden Axe, foi roubado (de novo) e a terra de Yuria foi colocada em perigo (de novo). Desta vez quem roubou o machado foi o “Prince of Darkness” (dramático não?) que, além disso, lançou uma maldição em todos os guerreiros e heróis.

Alguns desses heróis, porém, conseguem escapar da maldição e agora possuem a missão de salvar os outros guerreiros, derrotar o vilão e retornar com o Golden Axe. Nada muito original né.

Destes personagens incluem o gigante Braoude Cragger, que aparentemente deve ter fugido de uma prisão do inimigo, pois tem correntes nos braços e pernas. Ele é lento, mas é o mais forte de todos. Temos também o interessante “homem-pantera” Chronos “Evil” Lait, que é bastante ágil, mas em termos de força é o mais fraco do grupo; o bárbaro Kain Grinder, que lembra o Ax Battler e a amazona Sarah Barn, que lembra a Tyris Flare.

olha o tamanho do bracinho da moça… vai encarar?

Gráficos

Golden Axe 3 possui gráficos fraquíssimos para a época em que foi lançado, em 1993. Nesta época a Sega já havia lançado jogos muito melhores, que aproveitavam bem a capacidade gráfica do Mega Drive. Infelizmente isso não acontece com Golden Axe 3, sendo inferior até mesmo para os dois jogos anteriores.

Os personagens principais até possuem um design bacana, bem detalhado, apesar de suas animações não serem lá grande coisa, mas o problema continua em todo o resto. Fases e cenários sem inspiração nenhuma e pouco detalhados, mau uso da palheta de cores do Mega Drive, resultando em telas com as mesmas cores cansativas, as animações das magias são bem sem graça e inimigos e chefes de fases igualmente chatos e sem apelo algum.

Há no total uns quatro tipos de inimigos: um gordinho nanico, um magricela alto, uma amazona e cavaleiros com espadas (que bloqueiam os seus ataques). Basicamente o jogo inteiro tem esses quatro inimigos, que virão fase após fase te pentelhar à exaustão, mudando apenas as cores das suas roupas. Temos uns dois ou três tipos de chefes e os esqueletos estão de volta, na forma de lagartos (e provavelmente os inimigos mais difíceis do jogo).

tá vendo esses caras? Vão aparecer durante todo o jogo

Mas se você pensa que acabou, não não…. deixa eu falar dos Bizarrians, as criaturas que existem desde o primeiro game e que te ajudam nos ataques. Há apenas três tipos de Bizarrians e não fazem diferença alguma. Um deles é uma espécie de caramujo gigante, que ataca com a língua (numa animação pífia). O ataque dele é tão ruim que é melhor você nem montar no bicho e lutar no braço mesmo. O outro é um lagarto que cospe fogo, com um design tosco e animações igualmente toscas. E o terceiro é um que morde o inimigo e o joga longe, bem inútil também. Pelo menos os dois jogos anteriores tinham uns bichos mais interessantes.

 

chefes de fase… pelo menos eles são um pouco diferentes do resto dos inimigos

Músicas

A trilha sonora é chata e repetitiva. Uma ou outra música é legalzinha (coloquei as mais legais abaixo), mas a maioria é totalmente dispensável. Nenhuma música memorável para ser lembrada, você logo vai esquecê-las.

Elas não têm aquele tom dramático que tinha nos jogos anteriores, ou ainda aquele “feeling” de fantasia medieval. Algumas músicas até possuem umas batidas eletrônicas, o que não combina em nada com o estilo do jogo.

Por outro lado os efeitos sonoros estão interessantes, principalmente quando se usa as magias. Os gritos de morte também estão bons, bem melhores que os “blah” da segunda versão.

esse passarinho vai incomodar mais pra frente

Jogabilidade

A jogabilidade por outro lado trouxe inovações bem interessantes. Temos um botão de ataque, pulo e magia. Você ainda pode correr e bloquear ataques. Os personagens respondem bem aos comandos, pelos menos nisso não há falhas. No modo para dois jogadores você pode utilizar a ajuda do colega para atacar os inimigos em golpes combinados, o que é uma boa idéia.

O game possui uma boa variedade de golpes, é possível agarrar (no bom sentido) os inimigos e aplicar alguns combos e cada personagem possui habilidades especiais, mas com comandos bem chatinhos de serem executados. O homem-pantera, por exemplo, é o único que possui um golpe indefensável. Aqui neste link possui uma lista de todos os golpes do personagens, alguns são bem complicados.

Outro novidade bacana é a possibilidade de você salvar pessoas pelo caminho, após um certo número de salvamentos, você ganha uma vida extra.

 

no modo versus você pode escolher o cenário e luta contra 4 personagens

As magias, como eu já disse, possuem animações bem fraquinhas, ficando longe da qualidade de GA 1 e 2. Agora todos os personagens possuem a mesma quantidade de magia, ou seja, possuem a mesma quantidade de força, o que é uma pena, pois esse diferencial nas magias era bacana para balançear as qualidades dos personagens. Mas por outro lado é possível fazer combinações de magias entre os personagens, sendo bem mais efetiva e interessante do que os outros dois títulos.

Os anões ladrões estão de volta para roubar suas magias. Dê chute neles para pegar potes de magias e pedaços de comida para recuperar sua energiar. E falando em energia, as barras de energia foram trocadas por uma única barra que vai esvaziando quando você leva pancadas, como numa game de luta. Além dos anões você também pode encontrar itens (e inimigos) dentro de baús, barris e outras coisas que você pode quebrar pelo caminho, uma inovação se comparado aos jogos anteriores.

uma das fases mais interessantes do game

Eu já falei dos Bizarrians né? Eles estão ridículos, imagina um caramujo com pernas que ataca com a sua língua… por favor né, eu mandava pra rua o cara que teve essa idéia. Ao montar nos bichos não espere ficar muito tempo, pois é certo que logo virá um inimigo e te derrube da montaria, o que é até melhor, pois além de prejudicar seus movimentos, não possuem ataques fortes. Que saudades dos chicken-legs

nada como dar uma volta no seu caramujo de estimação

Mas finalmente vamos falar dos pontos positivos. O game está mais difícil e com fases mais longas (o que estraga é a clonação exustiva de inimigos). Durante as fases você pode escolher o caminho que vai seguir, o que também é uma ótima inovação. Entre as fases aparece um mapa e o caminho que você escolheu. Cada caminho leva você a uma área diferente, podendo assim te levar para o bom final. Durante seu trajeto, você vai encontrar os outros três personagens que você não escolheu. Eles estarão amaldiçoados e você terá que lutar contra eles até que os liberte dos espirítos malignos. Para encontrar todos os três, você precisa escolher os caminhos certos, e então você terá um good end.

Se você jogar sozinho, certamente irá se aborrecer rapidamente. O jeito é jogar com um colega, pois com dois jogadores o game fica mais divertido e fica melhor para se jogar.

o chefão final


Conclusão: Enfim, Golden Axe III está longe de estar no mesmo patamar que os jogos anteriores. O primeiro Golden Axe foi um clássico. O segundo manteve o que tinha de bom no primeiro. E o terceiro, apesar de tentarem inovar, acabou sendo a ovelha negra da trilogia. Uma pena que tenha acabado assim.

Golden Axe III não chega a ser de todo ruim – se você conseguir superar os gráficos pobres e as músicas chatas, pode até se divertir com ele, principalmente com o sistema de escolher os caminhos e os seus novos e variados golpes. Apesar de lançado apenas no Japão, todos os textos nele estão em inglês.

O nome “Golden Axe” com certeza é importante demais para um game como este. Se tivesse um outro nome,  até que dava pra fazer uma vista grossa.

Nome: Golden Axe III

Sistema: Mega Drive

Desenvolvedora: Sega

Ano de Lançamento: 1993

Nota da análise: 6,5/10

+ Fases mais longas

+ Novos e variados golpes, com possibilidade de combinações

+ Nível de dificuldade maior

+ Pode-se escolher os trajetos do personagem

Cenários pobres e sem graça

Inimigos repetitivos demais

Acabaram com a trilha sonora épica medieval

Chefes e Bizarrians sem graça

Brave warriors want to be in great games

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