Karateka – Relembre esse clássico do criador de Prince of Persia

Publicado: 06/12/2011 por Márcio Alexsandro Pacheco em Análises, Apple II
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“Deixe o medo e o ego para trás. Focalize o seu ser em seus objetivos, aceitando a morte como uma possibilidade. Este é o caminho do Karateka”

Com estas honrosas palavras começa um clássico  dos anos 80. Vamos agora lembrar de um game que certamente irá trazer boas lembranças aos gamers “veteranos”  de plantão, um clássico old school: KARATEKA.

Você que curtia um computador em meados dos anos 80 ou que já estava ligado no mundo eletrônico, certamente deve se lembrar de Karateka, um game que marcou época e fez bastante “rebuliço” na imprensa especializada e nas comunidades de gamers.

Se você é muito novinho para se lembrar deste game, não se preocupe, ajeite-se aí na sua cadeirinha e prepare-se para uma aula de história gamística: Karateka foi lançado em 1984, ano em que a indústria eletrônica sofria o “crash dos videogames”, fenômeno causado por causa do monopólio da Atari no final dos anos 70 e inicío dos 80. Como os jogos da Atari tinham sempre o mesmo padrão de tela fixa, os consumidores logo enjoaram do aparelho, levando várias empresas da área a quebrar, inclusive a Atari. Época boa para os computadores, especialmente para a Apple, que ainda tinha sonhos de dominação do mercado. E foi justamente para o Apple II que Karateka foi lançado originalmente, tendo outras versões para consoles como o Nes, Atari, Dos, Commodore 64, entre outros.


“venha para os meus braços, meu karateka”

Karateka saiu da cabeça do então jovem rapaz de 20 anos, Jordan Mechner. Para aqueles mais ligados, já devem saber que o nosso amigo aí foi o criador de outro grande clássico (esse maior ainda que Karateka): Prince of Persia (lançado em 1989).

 Eu acho que não preciso dizer aqui como foi o impacto que Prince of Persia teve no mundo dos games (meu amigo, se você não sabe do que estou falando, não se considere um gamer, vai ler um pouco de história dos videogames antes de continuar aqui). Mas o que Prince of Persia tem a ver com Karateka, vocês me perguntam? Ah, muita coisa, eu respondo. Nós podemos ver em Karateka muitos dos conceitos usados (e melhorados) em Prince of Persia, como a movimentação dos personagens, as cutscenes, o feeling cinematográfico. Mechner ainda estava na universidade (a famosa Universidade de Yale, reconhecida principalmente pelos seus cursos de direito e artes cênicas) e além de game designer ele também é diretor de filmes independentes, o que explica toda a ambientação cinematográfica de Karateka e Prince of Persia que nunca tinha sido vista. Leia  abaixo nossa análise detalhada de Karateka.


iááááááá…. dê um chutão na cabeça do mané e mostre quem manda…. ao fundo o Monte Fuji…..

A História

Bom, estamos em 1984, então não esperem uma história mirabolante, mas sim algo simples e cativante (pra não dizer clichê de cinema).

Tudo começa quando o terrível mestre das artes marciais Akuma (não, não é o mesmo de Street Fighter – o nome significa em japonês “demônio”) que rapta a bela princesa Mariko, que por ironia do destino é namorada do nosso herói (que é você). Assim, você que também é um seguidor das artes marciais, precisa chegar ao topo da escabrosa montanha onde está o castelo de Akuma, detonar seus capangas chifrudos, passar por algumas armadilhas, descer o braço no próprio Akuma e salvar o amor da sua vida, a bela princesa para serem felizes para sempre. Assim diz o próprio jogo: “Você foi treinado no caminho do karatê: um Karateka. Sozinho e desarmado você deve derrotar Akuma e resgatar a bela Mariko”.

Ok, nada de inovador, o cara deve ter aprendido esse tipo de roteiro no primeiro ano das aulas de cinema. Mas o importante aqui não é a história em si, mas sim como ela é contada no game. Além da pequena introdução, o game não possui textos. Karateka foi um dos primeiros games (se não for o primeiro) a utilizar cutscenes (as famosas cenas intermediárias) para ajudar a contar a história. Percebe-se logo de cara o apelo cinematográfico nestas cutscenes, que não possuem diálogos, textos e nem nada…. e também nem precisam.

Certamente um dos aspectos mais refinados do game é justamente de como Jordan Mechner teve essa “visão” (para a época e no mundo dos games foi uma inovação e tanto) de contar uma história apenas com retoques visuais e musicais. Os personagens apenas fazem alguns gestos e movimentação delicados, com uma música para dar atmosfera, feito de uma maneira tão perfeita que qualquer um sabe o que eles estão falando ou passando sem precisar ouvir ou ler uma simples palavra. É a arte do cinema dentro dos games. Podemos ver cenas do Akuma mandando seus capangas irem lutar, da princesa Mariko triste e solitária dentro da sua prisão ou ainda cenas de você e seu inimigo correndo de encontro para a luta.


no interior do castelo…. aqui dentro vai rolar muita pancadaria até você encontrar sua dama

Gráficos e Sons

Lembrando que o game é de 1984, Karateka possui gráficos muito bons, com um bom aspecto visual que não ferem os olhos, sendo o mais natural na medida do possível. Gráficos simples e cristalinos, poucas cores é verdade, mas bem definidos, você facilmente pode reconhecer ou identificar o que é cada elemento que aparece na tela.

Os capangas são quase todos idênticos, o que faz a diferença é que alguns usam diferentes tipos de máscaras, que lembram máscaras/capacetes usados por samurais (um deles até parece um soldado do filme Guerra nas Estrelas). O Akuma está muito bem caracterizado, com a sua armadura de samurai (um karateka com desejos samurais frustrados) super detalhada e imponente, com a sua águia no braço. Outra que merece destaque é a princesa Mariko, realmente uma gatinha com atributos bem definidos. Não é a toa que estão todos brigando por ela.


sozinha e desolada…. ela espera por seu herói…. por seu karateka….

Mas o que chama a atenção mesmo são as animações de combate muito bem fluídas, tentando ser o mais realístico quanto possível. Tudo isso misturado com as cutscenes fazem de Karateka um game visualmente muito bonito e bem feito. Os movimentos das lutas de karatê foram representadas com grande detalhamento e uma animação inovadora para a época. Um elemento que podemos perceber que Mechner pegou emprestado de Karateka para anos mais tarde refinar em Prince of Persia.

O game não possui músicas, apenas alguns sons para te deixar no clima, especialmente nas cutscenes. Claro, não são nenhuma melodia memorável, mas não são desagradáveis e cumprem o seu papel.


Akuma muito put* ordenando ao seu capanga stormtrooper acabar com o Karateka

Jogabilidade

Os controles são simples, apenas dois botões e o direcional para movimentar o seu herói. Após escalar a montanha você irá encontrar seu primeiro inimigo. E assim será daqui por diante, você terá sempre que andar para a direita derrotando um inimigo após o outro, até chegar à sua luta final com Akuma.

Sua lista de golpes é bastante limitada: Soco alto, médio e baixo; Chute Alto, médio e baixo. Seu karateka pode dar quantos socos quiser (e não precisa se preocupar com comandos mirabolantes, como por exemplo “meia lua e soco” – provavelmente o comando mais famoso da história), mas por outro lado só pode dar três chutes seguidos.

Você pode andar ou correr ou ainda recuar. O game possui uma dificuldade alta, você tem apenas uma vida e nenhum continue, ou seja, apenas uma chance para salvar a sua amada. O primeiro adversário possui uma barra de energia igual a sua, mas a medida que for avançando eles terão bem mais energia que você. E se você demorar muito para bater neles, a energia que eventualmente você tirou com suor e lágrimas pode voltar para a barra adversário. Então seja rápido e preciso. Uma boa dica é você variar chutes médios e altos com socos médios, tentar fazer alguns “combos” para matar rapidamente os adversários. Prensar na parede também é uma boa pedida. Antes de enfrentar Akuma você irá passar por umas 10 salas dentro da sua fortaleza e fique esperto com algumas surpresinhas traiçoeiras que podem te matar na hora, como os ataques da águia ou um portão que não se pode confiar, sem dizer que dependendo de como você entrar num combate, pode morrer na hora com um simples soco.

O jogo pode afugentar alguns gamers por ser meio repetitivo, tendo que enfrentar vários inimigos iguais e sempre com a mesma tática e também pode ser um teste para os seus nervos, com apenas uma vida e a dificuldade alta. Uma brechinha para o jogador respirar um pouco teria sido muito bem vinda. Outro elemento importante que pode irritar alguns jogadores é a lentidão dos combates, não espere aqui nenhum Street Fighter da vida.

Conclusão: Eu não cheguei a jogar Karateka quando foi lançado, mas apesar de ser apenas um pirralhinho, eu lembro bem que foi uma sensação, causando bastante furor entre os micreiros de plantão.

Karateka certamente é um clássico na história dos games, trazendo inovações como uma movimentação mais fluida e realística, um pioneiro da evolução técnica dos games e fazendo de Jordan Mechner um homem famoso (e claro, muuuuuiiito rico).

O jogo tem os seus defeitos, mas certamente merece ser jogado pelo seu valor histórico e também porque você vai se divertir (e talvez se irritar um pouco – você vai precisar de paciência oriental para lutar tanto por ela) ao tentar salvar a princesa Mariko. Desarmado e apenas com os seus punhos, concentre-se no seu objetivo, reúna sua força interior, encontre o seu valor e mostre que todo guerreiro que possui honra conquista seus nobres interesses e prova todo o seu amor para a afortunada donzela. Afinal, tudo termina bem para um verdadeiro Karateka.

Nome: Karateka

Sistema: Apple II

Desenvolvedora: Jordan Mechner

Ano de Lançamento: 1984

Nota da análise: 9/10

+ Boa animação, feeling de cinema
+ Cutscenes, Mariko está gata
Repetitivo, meio lento
Dificuldade pode espantar alguns gamers


“Put fear and self-concern behind you. This is the way of Karateka”

comentários
  1. […] sprites e uma narrativa em estilo cinematográfico (que lembra outros clássicos como “Karateka“  e “Prince of Persia“). “Out of This World” fez um grande sucesso na época, por […]

  2. helinux disse:

    pratiquei o estilo shotokan por muitos anos,,,devido a quebradeira nunca cheguei a faixa preta,,,,tou sem tempo de tudo infelizmente,,,,bom jogo e bons tempos de karate-do!!!!!joguei muito esse jogo no dynavision 1,,,,,,saudades!!!!

  3. O que assobiava, o que tentava assobiar nunca fui muito entoado , era o estilo crioulo de La Tapera de Elias Regules.

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