Phantasy Star III: Generations of Doom

Publicado: 08/12/2011 por Márcio Alexsandro Pacheco em Análises, Mega Drive
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– o terceiro capítulo da saga não seguiu os padrões dos jogos anteriores e ficou abaixo da expectativa –

Phantasy Star III Generations of Doom foi lançado em 1990 e deu uma “mexida” na série, contando com uma equipe diferente de criação, o que certamente resultou em um jogo que fugiu dos padrões e estilos mostrados nos games anteriores. Muitos fãs consideram PS III a ovelha negra da série, com poucas coisas realmente interligadas ao resto da história em geral, parecendo mais uma “side-story” do que uma sequência. O que desagradou muitos fãs é que em PS III não há referências dos personagens ou acontecimentos anteriores, como se eles nunca tivessem existido.

Quando você começa o jogo, não parece ser um Phantasy Star, uma nova história e personagens são apresentados, cidades medievais e quase nada futurista, ficando longe da aventura épica sci-fi que foi PS II, não há menção de Alis, Dark Force (no início do game, depois ele aparece) ou qualquer outra coisa dos jogos anteriores. Outra ponto importante, os personagens não têm carisma e é difícil você se identificar com eles, não possuem um bom desenvolvimento e são bem sem graça, os únicos que se salvam são Mieu e Wren. A única coisa que tem alguma relação com os jogos anteriores é que em PS III se passa dentro de uma nave que carrega sobreviventes do planeta Palma, que explodiu em PS II, mas isso você descobre lá no final do jogo.

Ele ainda peca por alguns erros técnicos, para começar sua movimentação é muito lenta, ainda mais se comparado com o PS II, que era bem mais rápido, as músicas não são exatamente as melhores, o “Bo”, compositor do jogos anteriores fez falta, mas o pior são os monstros, que 99% dos fãs parecem concordar: eles são ridículos! São mal feitos e quase não possuem animação, o que pode ser bastante decepcionante e que deixa o jogo maçante.

Porém o game tem suas qualidades e inovações, como o sistema de gerações, que variam de acordo com as escolhas feitas pelo jogador na geração anterior, o que leva a finais diferentes. Sem dizer que o robô favorito de todos aparece nesse game (o Wren de PS IV – na verdade não é o mesmo, mas um modelo igual). O jogo em geral tem um “mistério” em sua história e você vai ligando as pontas quando chega no final. Apesar de ser uma “side story”, a história do game é muito boa e interessante, essa ideia do game se passar dentro de uma nave (a Alisa III) com sobreviventes é muito legal e lembra um pouco o anime Macross.

Clique aqui para ler a análise de Phantasy Star I e aqui para Phantasy Star II.

A História

Bom, como eu já disse, a única relação com os jogos anteriores é que ele se passa 1000 anos depois de PS II (há uma controvérsia quanto a isso – na versão japonesa é 2000 mil anos, ou seja, 1000 anos depois de PS IV, enquanto o outro ocorre ao mesmo tempo). O planeta Palma, principal centro de governo do sistema Algol, foi destruído por causa do mal funcionamento do satélite Gaira, durante os eventos de PS II.

A história do jogo se passa dentro da nave Alisa III, uma nave que funciona como se fosse um planeta artificial, com rios, montanhas, monstros, etc. Tudo aqui é bastante medieval, com reis, cavaleiros, castelos. Há duas nações que estão em guerra há 1000 anos. Um dos clãs é liderado por Orakio e outro por Laya, resultando em guerras violentas e sangrentas entre os dois. Um dia os dois líderes se encontraram para uma batalha final e então desapareceram misteriosamente. Desde aquela época Orakianos e Layanos têm vivido em constante atrito.

Mas antes de Orakio partir para a batalha final, ele avisou o seu povo que eles nunca deveriam matar alguém, nem mesmo os Layanos. Esta ordem ficou conhecida como a “Lei de Orakio”. Da mesma maneira vivem os Layanos, que receberam a mesma ordem de Laya há 1000 anos atrás, que ficou conhecida como a “Lei de Laya”. Assim como Orakianos e Layanos não podem matar uns aos outros, eles usam ciborgues e monstros para lutar em suas batalhas.

Você é Rhys, príncipe dos Orakianos na cidade de Landen e hoje é seu grande dia, você vai se casar com Maia, uma misteriosa garota com amnésia que você encontrou desmaiada na praia no reino de seu pai há um ano atrás. Mas durante a cerimônia, um demônio alado – identificado como sendo dos Layanos – aparece e leva Maia embora.

esta é Maia, desmaida na beira da praia

“Malditos Layanos! Maia jamais será sua!”, grita Rhys. Sua reação é imediata e sua primeira intenção é convocar o exército de seu pai para que marchem até os Layanos, mas o rei não aprova a sua ideia, e para você “esfriar a cabeça” o manda para a prisão do castelo (pai legal esse heim).

Lá, você recebe a ajuda de Lena, uma garota de Landen  que sempre teve uma quedinha por Rhys, que agora o ajuda sair da prisão. Sem o apoio de seu pai, você deverá salvar Maya por sua própria conta.

Durante a sua jornada você irá encontrar algumas pessoas pelo caminho que irão te ajudar, além de Lena. Uma delas é Mieu, uma bela ciborg que entrará no grupo assim como Wren, outro ciborg que o ajudará (e os dois únicos personagens que permanecem no jogo inteiro durante as três gerações).

Mieu e Wren, os personagens mais interessantes do game

Você finalmente vai encontrar os Layanos, e a primeira vista eles não parecem ser tão demoníacos ou mesmo hostis – eles apenas dominam o uso de Techniques (as magias). Um deles, o príncipe Lyle, até mesmo ingressa em seu grupo como aliado.

Você então descobre que Maia, a garota que você está indo salvar, é na verdade uma Layana, ela é a princesa do reino Layano, e seu “rapto” no começo do game era na verdade uma operação de salvamento dos “hostis” Orakianos.

Agora você chega em um ponto crucial do jogo, você deverá escolher com que Rhys irá se casar: com Maia, que possui origem Layana, ou Lena, a garota Orakiana. Não há escolha “certa” ou “errada” aqui, pode escolher aquela com quem mais simpatizou, mas a sua escolha vai ter efeitos radicais no desenvolvimento do game, assim como o personagem principal da próxima geração.

olha o casório aí

Se escolher se casar com Maia, você vai renunciar ao reino de Landen e terá um filho chamado Ayn capaz de usar as Techniques. Tudo é paz durante 15 anos, até um dia um grande número de robôs começam a atacar sua terra. Sua missão, agora pelas mãos de Ayn, é descobrir de onde vem estes robôs e pará-los.

Se escolher Lena a história vai tomar um rumo totalmente diferente. Vocês terão um filho, Nial, com o sangue puro Orakiano. Tudo vai bem até os seus 18 anos, quando alguém chamado Lune começa a atacar e destruir várias cidades, inclusive a terra natal de sua mãe, Satera. Enquanto Rhys ficará para proteger Landen, sua missão é encontrar e deter Lune.

Eventualmente Ayn e Nial também terão que escolher com quem irão se casar, levando então a uma das quatro possibilidades da terceira geração de personagens, para as últimas etapas do game.

Independentemente das escolhas e caminhos que fizer durante o game, uma hora será revelado que esse mundo de PS III é de fato uma grande nave espacial, contendo 7 “domos” com diferentes climas para simular zonas de ecologia e climáticas diferentes (essa é a parte mais legal do game, onde você fica sabendo de todos os mistérios). Esta nave, conhecida como Alisa III, foi uma das algumas que escaparam de Palma um pouco antes de sua destruição, mostrado em PS II.

essa é a nave Alisia III, ela possui 7 domos que representam mundos diferentes

Os Orakianos e Layanos são descendentes dos sobreviventes do cataclisma, ou seja, são tudo farinha do mesmo saco. Além disso o jogador também descobre que Dark Force, a grande entidade maligna dos outros games, também existe dentro da Alisa III e está prestes a acordar depois de 1000 anos de dormência.

Gráficos

PS III até possui uns gráficos legais, mais bem trabalhados e detalhados que os de PS II e visuais bem bonitos. Infelizmente o jogo tem alguns defeitos que são fatais. O primeiro deles é a falta de criatividade e variedade no design das cidades e vilarejos. Eles são praticamente iguais! Casas e os personagens NPC são quase os mesmos durante todo o jogo.

Segundo e maior problema, as batalhas. Acho que a grande maioria dos fãs da série irão concordar comigo quando digo que os monstros de PS III são ridículos! Não tem uma artwork criativa, são sem graça e quase não possuem animação nenhuma, são apenas uma imagem na tela que dão uma “tremida” quando atacam, totalmente sem graça, o mesmo acontece quando você ataca com os seus personagens, que se mexem tanto quanto uma estátua. As magias não passem de flashs de luz ou piscadas na tela. Uma pobreza de animação só. Pelos colocaram um cenário de fundo, que muda dependendo do lugar onde você está, diferente de PSII que era sempre a tela azul quadriculada no fundo.

monstros sem graça em todo o jogo

Terceiro, os labirintos. Eles estão bem mais fáceis que os do jogo anterior, em compensação são bem mais chatos. Sofrem do mesmo problema de falta de criatividade, todos são meio parecidos e muito mal programados. Possivelmente 90% dos labirintos do jogo tem o mesmo template: várias plataformas interligadas nas quatro direções cardinais.

Outra grande diferença dos outros jogos é que em PS III ele foge do estilo anime, os personagens possuem uma personalidade mais realística, assim como a artwork do jogo, com desenhos dos personagens (apesar de no final ter umas poucas imagens de anime). Além disso a atmosfera predominante do game é a medieval, não havendo aquela mescla futurista sci-fi dos jogos anteriores, e dessa forma perdendo um pouco do seu charme. Falta uma personalidade mais marcante nos personagens de PS III, um carisma, algo que prenda o jogador, eles possuem uma história de fundo muito genérica e não prendem sua atenção. Diferente das epopéias de Alis e Rolf nos PS anteriores.

Músicas

As músicas do jogo têm seus altos e baixos. Algumas realmente são muito boas, enquanto outras são bem irritantes, parecendo músicas de circo. Músicas como o (belíssimo) tema de abertura, o do mapa principal, castelos e labirintos, dos créditos finais são temas memoráveis e dignos de um PS III (escute-as abaixo).

Porém o compositor, Ippo, não conseguiu manter a qualidade em todas as músicas, umas são bem chatas. Mas ele criou algo que eu achei bacana (que também foi utilizado no game Skies of Arcadia, anos depois). A música das batalhas muda enquanto você está lutando. Pena que as músicas são repetitivas e meio chatinhas, mas a ideia de trocar os temas musicais é muito boa. Mas no geral a trilha sonora de PS III é convincente, provavelmente a melhor coisa do jogo.

Os sons de efeito não contam com nenhuma novidade e na verdade não possuem muitos, são bem poucos.

cenas finais do jogo

Jogabilidade

Temos alguns problemas com a jogabilidade e com certeza a mais grave é a lentidão com o que seu personagem se movimenta na tela. Quem está acostumado com os outros dois PS, vai se sentir uma tartaruga nesse aqui. Seus menus não são complicados de se navegar, em compensação você vai ter trabalho ao comprar itens ou equipamentos, pois não dá para saber o que eles podem fazer ou mudar em seu personagem, pois não há tela de estatísticas.

O mesmo problema nos leva às techiniques (as magias) que você não sabe para o que servem ou como funcionam. Outra coisa que pode incomodar é o mapa geral, que apesar de visualmente bonito, é enorme e possui cidades e labirintos mal localizados. As vezes você fica andando horas até achar uma cidade, isso quando não fica perdido. Muitas vezes você acaba morrendo em batalhas ou envenenado pelo caminho.

Nas batalhas possuem ícones com os comandos que você pode fazer. No inicio parecem confusos, mas logo você se acostuma com eles. Porém os ícones estão mal posicionados, como o ícone de ataque normal. Para acessa-lo você tem que abrir alguns menus antes, enquanto que para as batalhas automáticas (que são de dois tipos) estão logo no inicio, sem precisar acessar sub-menus. Como em muitas batalhas você vai querer controlar o ataque de seus personagens, seria muito melhor se esse comando estive nos ícones principais, e não os de batalha automática. Por outro lado em batalhas com inimigos fracos a batalha automática é de grande ajuda. Você pode equipar seus personagens com duas armas (uma em cada mão) ou armas pesadas que utilizem as duas mãos. Mas basicamente segue o mesmo estilo do PS II e muitos itens e armas são os mesmos em ambos os jogos.

O jogo não é muito difícil (longe de uma dificuldade PS II) e em um fim de semana você consegue terminá-lo numa boa.

Comercial Japonês

Conclusão: Phantasy Star III: Generations of Doom é considerado por muitos como o pior jogo da série. Apesar de suas falhas, ele possui alguns pontos positivos e se você fizer vista grossa, pode até se divertir com esse game. Digam o que quiserem, mas uma coisa que ninguém pode negar em PS III é que ele é um game inovador, com o seu sistema de gerações.

Possui uma história bacana, no começo pode até parecer o clichezão “salve a princesa”, mas ao avançar no game uma storyline cheia de mistérios vai se formando, até chegar ao seu clímax nos momentos finais do jogo. Possui uma infinidade de personagens que variam conforme suas escolhas durante o jogo e possui quatro finais diferentes.

O que dá a impressão é que PS III era para ter sido um outro jogo de RPG e na última hora resolveram colocá-lo como o terceiro capítulo da série, fazendo algumas mudanças de última hora. Talvez se tivesse outro nome, teria feito mais sucesso. O primeiro game da saga foi revolucionário. O segundo mostrava uma história épica e também fez muito sucesso como um dos primeiros RPGs dos 16 Bits. Mas PS III certamente está abaixo da qualidade de um game da série Phantasy Star.

Nome: Phantasy Star III

Sistema: Mega Drive

Desenvolvedora: Sega

Ano de Lançamento: 1990

Nota da análise: 6/10

+ Uma boa história com pitadas de mistério pelo caminho

+ O sistema de gerações era bem inovador e interessante

+ Boa trilha sonora

Monstros ridículos

Gráficos repetitivos

Lentidão

Poucas coisas relacionadas com os jogos anteriores

Phantasy through generations

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