Splatterhouse 3 – o capítulo final da série de horror trash dos 16 Bits

Publicado: 13/04/2012 por Márcio Alexsandro Pacheco em Análises, Mega Drive
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Hoje é sexta-feira 13, dia do coisa-ruim-tinhoso, do gato preto e das bruxas que estão soltas. Nada melhor então do que uma análise de uma game de terror clássico, por isso hoje temos Splatterhouse 3, a terceira e última aventura lançada para Mega Drive em 1993 pela Namco. Os dois títulos anteriores renderam uma boa fama para Rick e sua máscara de Jason. Aproveitando o sucesso de games de luta como Street Fighter 2 e Streets of Rage 2, a Namco resolveu lançar o seu próprio beat’m up no mercado. Como manda o manual de “como se fazer boas sequências”, Splatterhouse 3 apresentava melhores gráficos, mais sangue e violência, mais suspense e uma história mais detalhada e ampliada do universo criado nos títulos anteriores, além da possibilidade de finais diferentes. Tinha tudo para ser um grande sucesso. E realmente o foi.

História

Em Splatterhouse 2 Rick consegue derrotar todos os monstros e salvar sua amada Jennifer. Os dois se casam e a Máscara do Terror aparentemente foi destruída (com uma animação final deixando um gancho para uma continuação, como nos melhores filmes de terror). Agora cinco anos se passaram, Rick e Jennifer tiveram um filho chamado David. Rick fez fama e dinheiro em Wall Street e comprou uma mansão em Connecticut (depois de tudo que o cara passou nos casarões dos jogos anteriores, ele acaba comprando sua própria mansão… vai entender). As terríveis lembranças da Máscara do Terror e das hordas de monstros e criaturas ficaram para trás. Ele tinha uma esposa e um filho. A vida era boa e confortável.

Mas a vida boa estava para terminar. A Máscara uma vez mais retorna, graças a uma antiga força maligna que se manifesta em nosso mundo. Rick começa a ter pesadelos com a máscara novamente, que conversa com ele em seus sonhos. Jennifer e David desapareceram, e sua mansão foi invadida por dezenas de monstros. Uma vez mais, Rick usa a máscara para derrotar as criaturas malignas e encontrar os seus entes queridos.

Já na abertura do game podemos perceber uma melhora significativa dos outros títulos. Apesar de não apresentar muita coisa em termos de história, temos uma música perturbadora, imagens digitalizadas de atores reais muito bem feitas e dramáticas, que deu um clima de tensão e terror muito além do esperado para a época e vozes digitalizadas que complementavam a atmosfera de terror. A Máscara conversa com Rick durante o game, servindo como uma guia dentro da mansão, aparentemente ajudando Rick. Jennifer e David foram aprisionados pela entidade maligna Evil One. Porém Jennifer foi apenas uma distração para Rick, o verdadeiro objetivo era o seu filho, David, que tem poderes psíquicos que poderão ser usados por Evil One para libertar os poderes da Dark Stone. Mas isso tudo fazia parte dos próprios e misteriosos planos da Máscara do Terror.

Todos os estágios do game se passam nos diversos cenários da gigantesca mansão de Rick. Os gráficos do game melhoraram muito em comparação com os outros dois jogos. Muito mais detalhados e sangrentos, realmente impressionava na tela da televisão para os padrões dos jogos naquele tempo. O design dos monstros estavam mais criativos do que nunca (os melhores são o chefe da terceira fase, o ursinho de David que se transforma em um monstro e o chefão final do game, que é a própria máscara), os ambientes da mansão apresentavam sangue, tripas e outras coisas nojentas espalhadas pelo chão, teto e paredes. E durante o jogo havia várias cutscenes, com imagens dizigitalizadas que criavam um clima ainda mais assustador. Rick e sua máscara também foram redesenhados. A máscara agora tinha um aspecto bem mais sombrio e assustador, e pela primeira vez na série conversava com Rick durante o jogo. Rick por sua vez, podia se transformar num gigante anabolizado, ficando mais forte e ameaçador. Foi esse visual que serviu de inspiração para o remake da série na nova geração.

Mas a mudança mais radical certamente foi em sua jogabilidade, agora não-linear com várias escolhas de trajetos até chegar ao chefão da fase e vários novos golpes. Agora além de socos e chutes, Rick pode agarrar seus adversários e dar cabeçadas ou jogá-los para longe, além de possuir um roundhouse kick de fazer inveja ao Chuck Norris. A maioria dos cenários possui quatro caminhos, que só serão liberados depois de Rick matar todos os monstros naquele ambiente. Você tem um mapa que mostra todos os quartos e onde está localizado o chefão, o seu principal objetivo. Você pode andar pelos cenários quantas vezes quiser, algumas salas estão repletas de monstros, outras vazias e outras com alguns sustos especiais, como um quadro na parede que se rasga e começa a sangrar (um toque especial apenas para diversão). Outra grande inovação é o fator tempo, que vai influenciar diretamente o desenrolar da história e o final do jogo. Se o tempo acabar enquanto você estiver jogando, Jennifer e David podem morrer. O jogo possui quatro finais possíveis, um que é o ideal (a máscara é destruída e todos ficam bem), dois mais ou menos e o outro que é o cão chupando manga, e todo mundo toma no @#.

Há espalhados pelos cenários orbs, que servem para encher uma barra de energia especial, que quando usada transforma Rick em um mega-ultra-power-fodão-monstro e detona tudo pelo caminho, inclusive podendo usar como golpe o famoso “pilão” do Zangief de Street Fighter 2 (um golpe bem poderoso por sinal). Algo que senti falta neste game foi o uso de armas adicionais. Temos um facão e bastão, mas que são pouco aproveitados e não aparecem muito no game (e se você os derruba, uma alma penada aparece e os leva embora).

O fator replay do jogo é muito bom, já que apresenta vários trajetos e quatro finais diferentes, além de um estágio secreto chamado “Stage X”, que só pode ser acessado quando se termina a fase com mais de dois minutos adiantados ao relógio. É tipo uma fase bônus, que serve para coletar vidas, treinar um pouco ou simplesmente morrer tentando. A trilha sonora está muito boa também, com composições macabras e sombrias que se encaixam perfeitamente ao estilo do jogo, com temas bem ao estilo “castlevania” de ser. Geralmente as vozes digitalizadas no Mega Drive ficam meio “roucas”, mas aqui esse fator só serviu para deixar ainda melhor os berros e urros de monstros.


Assista a arrepiante abertura do game abaixo:

Conclusão: Splatterhouse 3 finaliza a série com grande estilo. Apresenta excelentes gráficos, com imagens digitalizadas e cenários e monstros macabros, uma trilha sonora assustadora (no bom sentido) e uma jogabilidade longa e desafiadora, não-linear com quatro finais possíveis. Obrigatório para os fãs de games old school e para quem não conhece é uma boa pedida.

Nome: Splatterhouse 3

Sistema: Mega Drive

Desenvolvedora: Namco

Ano de Lançamento: 1993

Nota da análise: 10/10

+ Excelentes gráficos e músicas
+ Jogabilidade não-linear e a possibilidade de quatro finais diferentes
Uso das armas ficou em segundo plano
Sistema de só bater e bater pode se tornar repetitivo com o tempo

“I feed off the suffering of humans. As long as there human suffering, I will continue to exist!”

comentários
  1. […] Boas notícias para os fãs de games de terror. A Namco anunciou que o remake  do clássico Splatterhouse contará com as suas três versões originais incluídas (a primeira para arcades, as outras duas para Mega Drive). E para comemorar essa notícia, nada como uma análise dos jogos clássicos, começando com Splatterhouse 2 (e leiam a análise do terceiro game aqui). […]

  2. Flavio Saraiva disse:

    Com certeza este é o game de mega drive com o melhor fator replay. Conheço esse jogo a quase duas décadas, e ainda estou longe de enjoar dele. Provavelmente a produtora que desenvolveu o novo game do Splatterhouse nunca jogou esta obra prima, duvido que alguém que tenha jogado qlq game da trilogia (especialmente o 3), conseguiria desenvolver um projeto tão ruim como aquele, passaram longe de captar a verdadeira essência da serie clássica.

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