Spider-Man vs The Kingpin – o sentido de aranha está tinindo, o teioso num belo game para o Sega CD

Publicado: 17/04/2012 por Márcio Alexsandro Pacheco em Análises, Mega Drive, Sega CD
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Com a estreia do novo filme do Homem-Aranha se aproximando, nada melhor do que relembrar do clássico jogo do aracnídeo que saiu para Sega CD em 1993. Mas antes disso, o jogo foi lançado em 1991 para o Mega Drive e foi um grande sucesso comercial, especialmente para os fãs do personagem.

Pela primeira vez o cabeça-de-teia tinha um jogo caseiro que fazia por merecer a sua fama. O game tinha belos gráficos e músicas e o mais importante, era bem fiel ao espírito do nosso herói. Vários vilões clássicos do personagem apareceram e o jogo tinha uma história digna de pertencer aos quadrinhos.

Inclusive, o manual do jogo original, ou seja do Mega Drive, contava com uma introdução de quatro páginas escrita por Steve Englehart e desenhada pelo legendário John Romita, um dos mais famosos desenhistas do personagem no início da sua carreira (essa mesma introdução foi reproduzida em animação na abertura do Sega CD).

capa da versão  Mega Drive e Sega CD

 

clique nas imagens para ver a introdução do manual do MD

A Sega acertou em cheio e logo o game ganhou ótimas versões também para o Master System e o Game Gear, sendo a última delas para o Sega CD. E o melhor de tudo, a versão CD não era apenas uma cópia do cart com novas músicas e cenas animadas, como era o costume de se fazer. Não, era um jogo totalmente novo, com várias coisas novas. A Sega fez com o Spiderman Vs the Kingpin o que várias softhouses deveriam ter feito na época quando lançavam um mesmo game para o Mega Drive e Sega CD: reformular todo o jogo!

E se no Mega Drive já era bom, no Sega CD ficou ainda melhor. O jogo tem a mesma jogabilidade das versões anteriores (mas agora com a opção de mais golpes), e usa e abusa dos recursos que só a midia do CD podia oferecer, com destaque para a trilha sonora totalmente espetacular, com guitarras nervosas que irão te embalar e enquanto se balança pela cidade.

Spider-Man Vs The Kingpin foi o primeiro game a usar o personagem de forma memorável, pois além da ação e pancadaria – típica de suas aventuras – também exige habilidade para superar os obstáculos e o uso constante dos poderes do Aranha, como as teias e escalar paredes.


brinque no pinball de Mysterio… detalhe: você é a bola

A História

Peter Parker leva sua vida “normal” como Homem-Aranha, balançando pela cidade e lutando contra criminosos. Mas tudo muda de figura quando um belo dia ele vê pela televisão a si próprio carregando uma bomba nuclear em Nova York (e inclusive batendo em uma velhinha e prendendo policiais na sua teia).

Claro que não passa de um impostor a mando de Wilson Fisk, mais conhecido no submundo como o Rei do Crime, inimigo de longa data do Aranha mas que o herói nunca conseguiu prender, por ele possuir conexões políticas/sociais muito fortes (ele tem a fachada de um homem de negócios – mas na verdade ele controla o submundo da cidade).

Aranha prendendo policiais e batendo em velhinhas inocentes…

O Rei do Crime aparece na televisão acusando o Homem-Aranha de armar a bomba que vai explodir em 24 horas e ainda oferece uma recompensa de meio milhão de dólares pela cabeça do herói. E como desgraça pouca é bobagem, a bela esposa do Aranha, a ruiva Mary Jane, é raptada lá pela metade do jogo.

Então além de ter que encontrar a bomba em 24 horas e provar sua inocência, ainda tem que resgatar a mocinha. Claro que a bomba está em um local secreto e para desarma-la o super-herói terá que conseguir várias chaves que estão em posse de seus piores inimigos, e nenhum deles está disposto a entregar de boa vontade. Alguns possuem a chave, outros não. O Homem-Aranha terá que caçá-los para poder desarmar a bomba e salvar a cidade.

 

Aranha em armazéns abandonados e esgotos… ecaaaaa

Os Vilões

Homem-Areia: Olha aí um dos vilões do filme Homem-Aranha 3. Você vai encontrar o arenoso no Central Park. Como o nome já diz, ele tem a capacidade de moldar seu corpo de areia em qualquer coisa. Mas derrotá-lo é bem simples, só usar a cabeça ao invés dos punhos.

Abutre: Esse aqui  não passa de um “véio” metido a besta, que usa uma roupa de abutre para fazer seus roubos. Um vilão recalcado, bastante inexpressivo, não é a toa que vive apanhando para o Aranha, inclusive no game.

Lagarto: Já este bad boy aqui é mais interessante. O Lagarto não é exatamente um vilão, ele é na verdade o professor e amigo de Peter Parker, o cientista Dr Curt Connors. Ele perdeu seu braço na guerra e desenvolveu uma fórmula com DNA de reptéis para tentar restaurá-lo (já que alguns reptéis tem a capacidade de regeneração de membros perdidos). Mas ao injetar a fórmula em seu corpo, ele passou a sofrer metamorfoses em um lagarto gigante, totalmente selvagem e perigoso. Pode ser encontrado nos esgotos (eeeeca).

Octopus: Vilão mais pop, afinal foi a estrela do segundo filme do Aranha, por isso ficou mais famoso. Mas antes do filme Dr Octopus já era um vilão clássico do herói, rendendo várias batalhas épicas nos quadrinhos. Um cientista brilhante que numa explosão do seu laboratório teve quatro longos braços mecânicos grudados em seu corpo, aos quais ele pode controlar com a mente e fazer muito estrago. Perdeu a sanidade e virou um super-vilão, um dos mais mortais que o Aranha já enfrentou. Ele se esconde em um armazém abandonado (bem típico dos quadrinhos).

Electro: Max Dillon era um eletricista de uma companhia elétrica quando num belo dia um raio caiu em cima dele quando estava arrumando linhas de alta tensão. Max não virou churrasco, pelo contrário, ganhou o poder de controlar energia elétrica, uma espécie de capacitor humano. Adotou o nome de Electro, abandonou a vida de eletricista e foi tentar ganhar a vida sendo bandido, encontrando o Aranha várias vezes. Encontra-se na usina de força.

Mysterio: Mais um vilão com desejos frustrados e um aquário na cabeça (piadinha favorita do Aranha). Mysterio não possui super poderes, ele prefere usar da tecnologia para criar ilusões e robôs. Foi ele quem criou as cenas do Homem-Aranha carregando a bomba. Prefere não usar a força bruta, mas sim jogos psicológicos que mexam com a cabeça dos inimigos, em especial o Aranha.

Duende Macabro: Quando o Duende Verde “morreu”, alguns anos mais tarde o Duende Macabro apareceu. Roderick Kingsley encontrou um esconderijo do Duende Verde com todos os seus “brinquedinhos” e resolveu assumir seu legado. Ele também usou a fórmula do Duende Verde para ganhar super-força e ficou tão mortal quanto o original.

Venom: Outra estrela do Homem-Aranha 3. Peter Parker encontra um uniforme alienígena que obedece aos seus comandos mentais. Muito mais prático que o uniforme normal, Peter adota a vestimenta negra, até descobrir que o uniforme é uma criatura simbiótica que queria se unir a ele e assim controla-lo. Peter rejeita o simbionte, que acaba se unindo a Eddie Brock, que também não morria de amores por Peter, e acabam se transformando em Venom, um dos mais perigosos e mais mortais inimigos que o Homem-Aranha já teve.

Rei do Crime: A mente diabólica que está no comando de tudo, inclusive dos vilões acima. Uma figura imponente, sempre com um charuto e seu cajado com um diamante na ponta. Grande estrategista e muito inteligente, comanda todo o crime da cidade. Apesar disso possui uma ficha limpa na polícia e um exército de advogados para que continue assim. Possui uma fachada de filantropo e homem de negócios. Adora chantagear e controlar as pessoas, inclusive super-heróis.

Gráficos

O bom e velho estilo jogo de plataforma em seu auge. Os gráficos são maravilhosos, muita coisa foi aproveitada da versão do Mega Drive, mas não apenas aproveitada, foram melhoradas. Há mais fases, cenários mais longos, novos marginais e bandidos para você fazer a festa.

O design do Aranha e de todos os outros personagens, inclusive os vilões famosos, estão perfeitos e cheios de detalhes, como expressões faciais, detalhes de roupas como cintos e jaleco branco rasgado do Lagarto, pessoas andando pelo trem no metrô, jornal voando no chão do Central Park, entre outras coisas.

São pequenos detalhes mas que fazem muita diferença no resultado final.

dando um voltinha no metrô

Há muitas fases, cenários bem variados, alguns longos, outros mais curtos. Você pode se balançar pela cidade de Nova York, dar uma voltinha no Central Park, no metrô, armazéns abandonados, esgotos, entre outros cenários peculiares da famosa cidade americana.

Outro ponto positivo são as várias animações que aparecem pelo meio do jogo, que apesar de não serem muito bem feitas, já quebram o galho, geralmente depois de se derrotar algum vilão. O importante é que as animações têm um estilo bem parecido com os dos quadrinhos, preservando a essência do Homem-Aranha, como as piadinhas que ele faz com os bandidos, escalando paredes, descendo de ponta cabeça pela teia, entre outras características do herói. A versão de Mega Drive também conta com algumas cutscenes entre as fases, mas essas são estáticas e logicamente sem dublagens.

cutscene da versão Mega Drive

 

várias animações para ajudar a contar a história do jogo e entreter o gamer na versão CD

Música

A trilha sonora deste game é espetacular. Possui doze músicas do bom e velho hard rock, que combina perfeitamente com o estilo do jogo, que possui muita ação. A trilha sonora tem a colaboração de Eric Martin (que já esteve por aqui no Brasil), vocalista da extinta banda Mr Big, que fez algum sucesso nos anos 90.

olha só o que te aguarda…. fuja loko

Martin canta o tema do game, “Swing Time” (escute ela aqui ou logo abaixo no youtube), que possui uma letra com o espírito do herói e guitarras nervosas. Aliás, guitarras nervosas e destruidoras aparecem em todas as músicas, que se encaixam com a ação do jogo e irão incentivá-lo a continuar jogando. E as músicas mudam durante as fases, então se você ficar muito tempo em uma fase, vai escutar músicas diferentes.

As dublagens das animações também estão boas, apesar de meio abafadas e em um volume mais baixo, o que exige mais atenção para entender o que os personagens estão falando. Os efeitos sonoros também estão ótimos, com sons diferentes para socos, chutes e teias.

Escute aqui algumas músicas desta trilha sonora espetacular:

até J. Jonah Jameson aparece para te pentelhar

Jogabilidade

A jogabilidade no game é simplesmente perfeita. Todas as habilidades do Teioso podem ser feitas apenas com o controle de três botões. Com o botão A você pode atirar vários tipos de teias: para se balançar nos céus, pode fazer um escudo, uma espécie de bola de teia e pode ainda lançar uma teia contínua até “empacotar” os inimigos.

seja um bom herói e ajude a velhinha

Com o botão B você pode dar socos, chutes e rasteiras, num combate corpo-a-corpo. É possível uma combinação de teias e porradas, tipo prender um inimigo com um ou dois tiros de teia e daí descer paulada no fulano. Novos golpes foram adicionados na versão CD, como um novo chute e uma espécie de “hadouken” de teia.

O botão C serve para pular e dar voadoras, se você pular e soltar teia, o Aranha vai se balançar. Com o C você ainda pode grudar nas paredes e tetos com o herói escalador.

você pode embrulhar os bandidos para presente

As respostas aos comandos são rápidos e precisos, você não terá nenhum problema em controlar o Aranha e suas várias habilidades. Mas cuidado com o uso da teia, pois ela não é infinita e pode acabar rapidinho. Felizmente há espalhados pelas fases vários cartuchos para recarregar suas teias. Algo legal que tinha na versão do Mega Drive, e que infelizmente foi retirada da versão CD, era a possibilidade de tirar fotos dos inimigos para depois vender   no jornal e comprar teia, como nos quadrinhos. Quanto mais perigoso fosse o bandido, mais dinheiro você ganhava na foto.

O jogo possui várias fases em que você pode escolher a ordem para passa-las em um mapa principal da cidade de Nova York. Algumas aparecem a cara do vilão que está naquela área ( o ponto vermelho indica onde ele se encontra – sem graça isso, jogue no hard para ter mais emoção, o ponto vermelho não aparece e você tem que procurar mesmo). A medida que você for derrotando os vilões, eles vão indicando a localização dos outros, que só depois irão aparecer na tela para você poder enfrentar.

no MD era possível tirar fotos dos inimigos para ganhar dinheiro e assim comprar fluído de teia

galeria de capas de revistas

As fases são bem feitas possibilitando que você use todos os recursos do Aranha, como escalar ou se balançar pelas teias, ou mesmo só andar. Nas fases você ainda pode encontrar capas famosas de revistas do Homem-Aranha, como a primeira Amazing Fantasy em que o Aranha fez sua estreia nos quadrinhos em 1962. São ao todo 21 capas e elas não possuem utilidade alguma, mas é bem legal colecioná-las (um bônus para os fãs nerds do Aranha, ehehe). Algumas são bem facéis de achar e outras estão bem escondidas, então você vai ter que fuçar bem as fases para encontra-las.

balance nas teias e escale paredes

O jogo possui uma dificuldade média para difícil, tudo vai depender da habilidade do gamer em controlar o Aranha. No modo hard o jogo fica bem mais interessante e bem mais difícil, mas para os veteranos em jogos de plataforma eu recomendo jogar nesta dificuldade. Alguns chefes você vence no bom e velho soco e chute, mas alguns vão precisar mais do que isso, como é o caso do Homem-Areia e Venom.

Apertando start durante o jogo você acessa uma tela de menu em que você pode escolher mudar sua teia para escudo, bomba ou ainda sair da fase e voltar para o mapa principal. Você ainda pode ver quantas chaves já possui, são cinco no total para poder desarmar a bomba. Apertando C no mapa, você acessa a sua galeria de capas de revistas do Aranha (todas elas inclusive já lançadas aqui no Brasil).

Desafio do Teioso!

Quando a Sega lançou o jogo para Sega CD, promoveu um desafio para os jogadores: jogar o game no modo Nightmare, colecionar todas as 21 capas de revistas espalhadas pelos cenários e terminar o jogo antes do tempo acabar. O primeiro prêmio era uma coleção de luxo da Marvel contendo 24 volumes do Homem-Aranha e o portátil Game Gear com o jogo “Sonic 2”, num valor total de US$ 1.130,00. Alguém aceita o desafio (claro sem o prêmio agora, apenas pelo status).

salve Mary Jane a acabe com Electro

propagandas do game na época do seu lançamento

 

Abertura do Game

Conclusão: Spider-Man Vs the Kingpin é um jogaço para o Sega CD e com certeza o  melhor jogo do aracnídeo da era 16 Bits. As várias fases que podem ser completadas de maneiras diferentes farão você jogar várias vezes, mesmo depois de ter terminado o game, nem que seja para colecionar as capas de revistas espalhadas pelo jogo.

Gráficos bacanas e detalhados, vários vilões clássicos das histórias em quadrinhos, uma jogabilidade perfeita com todas as características do herói, uma trilha sonora espetacular e o mais importante, é um jogo possui a essência do Homem-Aranha, e não apenas mais um jogo de plataforma com o personagem, como a maioria dos outros jogos do Aranha que sairam na era 16 Bits.

Fãs do Homem-Aranha, podem jogar Spiderman Vs the Kingpin que vocês irão aprovar e se divertir muito, com toda certeza. Para aqueles que não são muito fãs do teioso, mas gostam de um bom e clássico jogo de plataforma, podem escolher este game também que não irão se arrepender.

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Nome: Spider-Man vs The Kingpin

Sistema: Sega CD

Desenvolvedora: Sega

Ano de Lançamento: 1993

Nota da análise: 10/10

+ Trilha sonora destruidora, personagens e cenários detalhados
+ Mantém a essência do Aranha dos quadrinhos
Jogos assim não fazem mais…
Você não vai conseguir uma cópia tão fácil hoje em dia

Now it´s swing time, flying for justice, swing time, take no prisioners

comentários
  1. helisonbsb disse:

    atualmente jogo muito a versão do mega drive,,,lembro da época em que jogava a versão atari,,,jogava muito e de vez em quando tou lá no atari escalando aqueles edificios!!!!bons tempos de segacd…

  2. Fernando disse:

    òtimo post de um ótimo jogo!

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