O Castelo Animado – o mundo mágico de Hayao Miyazaki em outra grande animação

Publicado: 19/04/2012 por Márcio Alexsandro Pacheco em Anime/Mangá, Crítica/Filmes
Tags:, , , , , ,

* Análise escrita no lançamento do anime no Brasil em 2006

Como a galera brasileira deve saber muito bem, é muito raro passar animes nos cinemas daqui, com algumas raras exceções como Cavaleiros do Zodíaco, Dragon Ball e Pokemon (blargh). Felizmente os animes longa metragem do mestre Hayao Miyazaki  tem passado aqui nas telonas para os amantes de um bom anime, e o último deles foi o genial O Castelo Animado (Howl´s Moving Castle no inglês ou Hauru no Ugoku Shiro, no original). Infelizmente aqui no Brasil os animes são tratados como coisa de crianças, isso por causa de mega-lixos como Pokemon. Quando na ocasião da estreia do filme, aqui em minha cidade (Curitiba)  não consegui achar uma sala de cinema que estivesse passando o anime em seu som original e com legendas, apenas dublado (uma boa dublagem), como se fosse um desenho qualquer. E quem conhece as obras de Miyazaki  sabe muito bem que não são meros desenhos para crianças, as telas do cinema dos seus filmes servem como porta de entrada para um mundo fantástico onde qualquer coisa pode acontecer. E é isso que podem esperar de O Castelo Animado, assim como as suas obras anteriores, como A Viagem de Chihiro, vencedor do Oscar  de melhor animação de 2003 (esse sim teve tratamento decente quando passou nos cinemas aqui, tendo versões dubladas e legendadas).

Mas falando do filme em si, ele é uma adaptação do famoso livro da escritora inglesa Diana Wynne Jones, que o cineasta japonês leu e se encantou. A autora não poderia esperar encontrar uma pessoa melhor do que Miyazaki para adaptar sua obra de magia e fantasia para as telonas. Eu não cheguei a ler o livro, mas segundo a crítica, O Castelo Animado recebeu uma adaptação digna, mantendo o clima do livro e a junção do ponto de vista do diretor japonês.

No filme poderemos conferir a vida de Sophie, uma garota de 18 anos, totalmente inexpressiva, que trabalha em uma loja de chapéus. Já sua irmã mais nova, Lettie, é bem diferente, cheia de vida, alegre, bonita e charmosa. Certo dia Sophie vai visitar sua irmã onde ela trabalha. No meio do caminho ela acaba conhecendo o famoso (e temido) feiticeiro Howl, que estava sendo perseguido por criaturas sombrias. Voltando pra sua chapelaria, ela acaba se encontrando com a Bruxa do Pântano, que a transforma em uma velha de 90 anos, por achar que ela tivesse algum vínculo com Howl, a quem a bruxa está caçando.

Desesperada, a agora idosa Sophie mas com espírito jovem resolve fugir para bem longe e procurar uma cura para a sua situação. No meio do caminho, conhece um espantalho mágico que irá leva-la a um castelo esquisito que se movimenta através de pernas gigantescas. É o castelo de Howl, e Sophie então irá ajudar na limpeza do lugar e irá acompanha-lo.

Howl é um feiticeiro misterioso e charmoso, conhecido por roubar o coração das moças bonitas (o cara conhece as coisas boas da vida). Mas na verdade ele é uma pessoa complicada, com uma personalidade complexa e abalada emocionalmente. Ah sim, é extremamente vaidoso, especialmente com os seus cabelos. Mas um mago muito poderoso. Quando a vovó Sophie passa a morar com ele, sua vida e personalidade começam a mudar.

esse é Howl, o garanhão

No castelo ainda reside Calcifer, um pequeno demônio incendiário que é responsável por manter as coisas funcionando no castelo mágico. Ele diz que se Sophir conseguir descobrir a estranha ligação que há entre ele e Howl, vai quebrar o feitiço e ela voltará ao normal.

E assim a história se desenrola como num conto de fadas em um mundo fantástico que somente o visionário Miyazaki  poderia criar. O enredo é marcado por metáforas que os mais jovens não irão perceber, como o tema da velhice e da guerra. Iremos ver situações engraçadas apresentadas pela personagem de Sophie, mostrando algumas situações em que os mais idosos passam (e uma crítica de Miyazaki embutida aí). Sophie acaba aprendendo muito sobre si mesma e as vantagens e desvantagens da maturidade. Outra crítica que podemos ver é em relação às guerras, que é mostrada de uma maneira que altera cada vez mais a vida dos personagens e mostrando a alienação que a guerra pode gerar, onde nem reinos e nem magos sabem mais porque estão lutando, mas apesar disso, a guerra continua.

Os fãs do trabalho de Miyazaki certamente irão reconhecer elementos já característicos do diretor, como uma garota como protagonista, as naves voadoras, o guia misterioso calado (no caso aqui o espantalho), Sophie bancando a empregada, como Chihiro e Kiki (do filme O Serviço de Entrega de Kiki), os bichinhos de companhia, o tema do bem contra o mal, que nos filmes de Miyazaki nunca são bem definidos, com personagens que nunca são totalmente bons ou ruins.

Tudo é muito bem desenhado e reproduzido, utilizando cores de uma beleza única, mostrando um universo de criatividade sem limites e desenvolvimento dos diferentes personagens levando o público a ficar completamente envolvido ao assistir. A trilha sonora também merece destaque, pois está impecável dentro do universo do filme, dando o toque de sensibilidade que cada momento e personagem merece, e marcando de forma inesquecível os conflitos que acontecem.

O Castelo Animado mostra personagens extraordinários, um mundo fantástico e uma emocionante história que na verdade não passa de uma história de amor em que a protagonista mostra uma força para vencer as dificuldades e defender aqueles à sua volta. Com certeza irá agradar a crianças e adultos nesta obra-prima de Hayao Miyazaki, que vem colecionando prêmios e mais prêmios e foi, inclusive, indicado para o Oscar de melhor animação de 2006. A celebração vai ao ar no dia 5 de março de 2006, diretamente do Kodak Theatre, em Hollywood. Será que ele leva a estatueta novamente? Esperamos que sim, O Castelo Animado merece!

A nível de curiosidade, aqui vai o nome dos dubladores brasileiros dos principais personagens:

Howl: Marcelo Campos (conhecido como o Mu de Aries de CDZ)
Sophie: Patrícia Scalvi (a voz dela não combinou com a Sophie, mas como a Megumi de Samurai X ficou ótima)
Bruxa da Terra Abandonada: Isaura Gomes (conhecida por dublar Sailor Moon, One Piece e a Betty dos Flintstones)
Calcifer: Élcio Sodré (o famoso Shiryu de Dragão)
Madame Sulliman: Arlete Montenegro (também trabalhou com as Sailors)

veja o trailer do filme abaixo

“ah, o que que há, velhinho?”

comentários
  1. Pedro disse:

    onde encontra esse filme pra baixar. sempre quis ver mas nunca achei

  2. Tbm gosto de Totoro, Laputa, A princesa Mononoke, Ponyo… Chihiro é o anime preferido da minha filha.
    Assistimos o Cemitério de Vagalumes e ficamos mal durante alguns dias pois é muito forte…

  3. Esse filme é ótimo. Tbm vi A Viagem de Chihiro e adorei o trabalho dele.

  4. Alexandre disse:

    Assisti a maioria dos trabalhos do Miyazaki.
    E O Túmulo dos Vagalumes é um filme forte pra crianças mesmo, Jaqueline.

    Abraço. (y)

  5. bruno disse:

    o site anitube.jp tem todos animes q vc quiser ver

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s