Seção Trash Games: Kunoichi – “Hotsuma de saias” é um dos piores games de toda a história da Sega

Publicado: 24/04/2012 por Eduardo Farnezi em Análises, Artigos, Trash Games
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“Esta é uma historia de decadência, contada com muito pesar e desgosto por quem aqui vos escreve. Uma história que começa com a descoberta de um Ninja, o alvorecer de um jogo e o ápice de uma produtora. Era uma vez uma empresa de renome e com games de qualidade incontestável. O nome desta empresa é Sega.”

Houve um dia em que a Sega tinha um console que era top de linha no mercado videogamístico: O Megadrive. Nesta época, a Sega lança um game que é considerado até hoje o melhor game de Ninja já criado, chamado de The Revenge of the Shinobi. O game foi tão famoso, que ainda no Mega Drive, ganhou mais duas versões de qualidade também muito impressionantes. Mas que nunca tiveram o peso e carisma do original.

Anos depois, esta empresa chamada Sega, começa sua decadência. Primeiro com um console chamado Saturn, que apesar de ter fãs ardorosos no mundo, levou um couro de seu rival Playstation. Depois disso, iniciou anterior geração de consoles com o imponente e mal nomeado Dreamcast. Que não aguentou muito contra seu rival mais violento, o Playstation 2. Vendo que não seria possível continuar a combater no mundo poderoso dos consoles, a Sega faz o que parecia ser mais acertado, passou a produzir games para todos os consoles, ou seja, se transformou em uma softhouse. Afinal, tinha franquias poderosas em suas mãos, dentre elas, o dito cujo Shinobi.

E assim a história continua…
A Sega lança um game com o nome Shinobi para o Playstation 2. Os fãs mais ardorosos da franquia ficaram ansiosos pelo game, pois se ele já era bom no Megadrive, imagine o que poderia ser em um Playstation 2. Com Shinobi, a Sega inicia sua mais nova lenda de decadências, a decadência como desenvolvedora de games.
Um game fraco e apático. Esse foi Shinobi para Playstation 2.

Entretanto, a Sega tenta mostrar que ainda sabia fazer games de Ninja e anuncia Kunoichi para Playstation 2. Com este game a Sega promete consertar todas as falhas de Shinobi e ainda nos deixar no controle de uma Kunoichi (ninja feminina) cheia de estilo e totalmente gostosinha. Cenas do game saiam na imprensa do gênero e os fãs de Shinobi, e da Sega, ficaram sedentos pelo game. Eis que o jogo é lançado, mas vejam só, Kunoichi consegue ser MUITO pior que Shinobi.

E assim acaba este capitulo do livro: “Sega e a destruição de seus próprios clássicos”.

Kunoichi enfim.

E a Ninja chega aos consoles. A historinha contada acima serviu para duas coisas, a primeira é demonstrar a realidade atual da Sega que não é nada boa, e segundo mostrar meu descontentamento para com a mesma. Bom, não a mesma, pois a Sega a muito tempo definitivamente não é mais a mesma.

Após o desastre de Shinobi para Playstation 2, surge Kunoichi, o game que aparentemente seria tudo o que Shinobi não foi no console da Sony.   Entretanto, infelizmente, Kunoichi é um game com um enredo clichê e sem inspiração, cheio de bugs e que dá a impressão de a Sega ter lançado o game antes mesmo do projeto ter sido realmente concluído.

Mesmo após já ter escrunchado o jogo antes mesmo da análise ter início, recomendo aos leitores  que leiam esta análise até o fim, pois games como Kunoichi tem sim uma importante função do mundo dos videogames: mostrar como não se faz algo.

Antes do “start game”

O game começa com um CG sem grande impacto visual, mostrando um pouco de cada personagem principal do game usando algumas de suas técnicas, ao som de uma trilha sonora horrorosa. CG esta que só serve para que se possa dizer que o game tem uma apresentação formal, pois ela não tem quase correlação nenhuma com o enredo do game.

No menu inicial do game temos mais problemas. Além de novamente sermos obrigados a ouvir mais uma música ruim durante a navegação pelas opções do menu, estes são muito cretáceos em relação a layout. Além disso, o fundo roxo do menu, unido ao seu layout, dá a impressão de que vamos jogar um game da Sailor Moon ao invés de um game de ação Ninja.

Após o “start game”

Quando o game tem início, temos uma cena em CG que até anima o jogador. Hibana se joga com grande estilo em um avião de combate camuflado. Não contente com isso derruba um destes aviões, que são três, chutando um foguete lançado de um deles em direção ao outro. Isso tudo em cima do terceiro. Vendo assim até parece que foi legal, mas logo no início desta cena Hibana fala claramente: “This is Hibana. I reach the insertion point”, entretanto, na legenda o que se lê é: “This is Hibana. I HAVE reach the insertion point.”
Meu Deus, um erro deste calibre é para coisa de empresa que não revisa o material a ser lançado para o mercado, não deveria ser coisa da Sega!
Mas calma que a coisa fica pior…

Ela chutou “pra lá” um míssel?!
“Fuck Yeah!!!

Logo após , é possível ver os lábios de Hibana se movendo enquanto ela fala e com isso mais um erro ridículo, na verdade dois! O primeiro é a total falta de sincronia da fala para com a movimentação labial. E isso ocorrerá não uma ou duas vezes, mas sim durante o game inteiro, seja nas cenas em CG, seja em momento in-game. Não é raro ver a fala começar ou terminar antes ou depois dos lábios e vice e versa. Patético!

O segundo erro é a falta de emoção que as vozes trazem, em especial, a dubladora de Hibana. Esteja Hibana nervosa, com dor ou com qualquer outro sentimento, a voz de Hibana sempre soa como se ela estivesse emburrada. É uma voz morta, sem emoção. E não é somente na versão americana que isso ocorre. Mesmo na versão japonesa a dublagem de Hibana, como a de TODOS os outros personagens, é assim.  Todos esses fatos puderam ser verificados em uma única cena em CG que não dura nem um minuto!!!

No controle de Hibana

Após esta introdução, o jogo começa de maneira promissora. Você, controlando uma ninja gostosissima , em cima de um avião de caça, lutando contra ninjas furiosos querendo te matar. Isso não pode dar errado certo?
Errado!
A coisa começa a afundar no momento em que você movimenta a personagem na tela. Hibana corre de maneira desengonçada, parecendo que está fugindo de alguém de maneira desesperada. Ora vamos, ela era pra ser uma ninja fodona e estilosa, pelo amor de “Chessus”!

Conheçam Hibana: A Cheerleader da Sega.

Quando os inimigos aparecem na tela, Hibana ataqua com suas Kodashis e sua Katana de maneira ainda mais estranha. Parecendo que ela não sabe direito como manusear tais espadas, apesar da intenção de ela ser mestre nesse tipo de coisa. Mas daí você vê que o sistema de Tate combo, a única coisa que realmente podia até salvar Shinobi voltou.
Agora sim vamos fatiar a galera para mais uma orgia de sangue na tela certo?
Errado!
Kunoichi… errrr…. não possui uma única gota sequer de sangue durante toda sua campanha…

É verdade. Depois de fazer um cambo Tate intacto, e de Hibana fazer toda uma pose, o inimigo somente cai no chão e some da tela. Sem sangue, sem violência, sem nada. Para piorar a situação do Tate combo, o que o estragava em Shinobi voltou ainda pior em Kunoichi, a câmera.
Se em Shinobi já se reclamava da câmera, em Kunoichi ela é, com o perdão da redundância, terrivelmente horrível. Nunca vai te mostrar o que você realmente quer, e por conta disso, você vai tomar belos pipocos de onde nem Deus sabe. E se Ele não sabe, imagine você, ou a câmera!.
Put# que Pariu!

Combo Tate?
É hora da explosão de sangue!
A sim, não temos sequer uma gota disso por aqui…

A surdez pode ser uma benção…

Sim, já foi dito que a dublagem neste game tem o nível abaixo de amador, mas as atrocidades sonoras de Kunoichi vão muito além da dublagem. As músicas do game são bisonhas, não salva nem uma. Enquanto a versão para Playstation 2 de Shinobi apostou em uma agradável mistura entre músicas “de época” japonesas e uma batida moderna bem suave, Kunoichi adotou um estilo tecno-dance.

Peraí, um game de ninja, que se passa em tempos contemporâneos, que possui tecnologia de ponta como aviões de caça com camuflagem, até é passável. Mas um game de ninja com música tecno-dance, é abusar da boa vontade do jogador. Além disso, os efeitos sonoros são um lixo. O som da espada de Hibana não parece uma espada. O som dos ataques dos inimigos parecem algo que sei lá, parecem tudo, menos ataques. Praticamente não existe som ambiente. E o pior, não existe opção sequer para retirar a música do game. O jogador é obrigado a ouvir essas músicas toscas, caso tenham a devida coragem de jogar Kunoichi, até o fim.

A cegueira pode ser uma benção…

Seguindo a tendência da Sega nos consoles da referênte geração, o visual de Kunoichi não impressiona, no entanto, com este game a Sega vai além da habitual incompetência, nos apresentando um visual muito abaixo do esperado de um game feito por ela. Kunoichi é um game com poucos polígonos bem elaborados, com texturas ridículas e com cores lavadas e pouco variadas. Em muitos momentos, os rostos dos personagens, incluindo Hibana, ficam totalmente deformados.  Em certas cenas se nota uma falta de estudo de anatomia humana que dá vergonha somente de olhar. E o pior, lá vem os malditos serrilhados.

Tudo bem que o PS2, por não possuir anti-aliasing sofre com serrilhados em seus games. Mesmo games mais conceituados graficamente como Devil May Cry 3 sofrem com a falta de anti-aliasing. Mas isso não é desculpa para um game parecer ser feito com serrilhados e não com polígonos (hehe!).
Infelizmente isso não é piada, é serio. Kunoichi deve ser o game do PS2 com maior número de serrilhados notáveis ao mesmo tempo na tela.

Texturas ruins, cores lavadas, serrilhados por todos os lados. Não dá nem para tentar defender…

Aliás, a falta de anti-aliasing não deve ser usada como desculpa, pois games como Metal Gear Solid 3 deram um baile nos serrilhados do PS2.
Fora todas estas falhas visuais, quando Hibana corre, ficam para trás umas tiras cor de rosa estranhas, que tentam imitar o longo e estiloso pano vermelho de Shinobi, mas que apenas conseguem dar mais um detalhe para Hibana ser ridicularizada. É mesmo uma vergonha, que games como Kunoichi e Shadow of Hedgehog tenham um nível visual tão ridículos, sendo games provindo da (antigamente) competente Sega.

Para não falar somente mal do visual do game, pode-se dizer que ele roda a constantes 60fps por segundo. Mas ainda assim, consegue ter slowdowns em certos momentos. O que para um game tão pouco provido de detalhes, é mais uma vergonha.

A falta de criatividade em pessoa

O design das fases em Shinobi já não foi algo muito bem criticado, nas em Kunoichi, a Sega conseguiu piorar o que já era ruim. As fases de Kunoichi não têm nada que as façam especiais, pelo contrário, são bobas, lineares, repetitivas e clichês. Ou você não acha que fases em um game de ação no metrô ou em uma cidade em meio aos prédios não são clichês?

Para piorar a situação, assim como em Shinobi, não existem checkpoints nas fases. Em certas fases, por não haver chão nas mesmas e por conta da câmera imbecil do game, você vai morrer e vai ter de começar desde o início da fase. Além disso, a falta de criatividade pode ser notada também no enredo praticamente inexistente e nas falas, que além de não terem emoção nenhuma nas vozes dos personagens, são sem sentido e bobas em sua grande maioria. Seria melhor que os personagens nem tivessem falas na verdade, assim este game teria uma falha a menos.

Por fim…

Bom, depois de uma rápida análise como esta, mas que consegue apresentar todos os erros possíveis a ser praticados em um só game, não dá pra dizer que aconselho que joguem este game para tirarem suas próprias conclusões. Não precisa. a verdade aconselho a ficarem no mínimo uns 300 metros longe de qualquer cópia deste game que é serio concorrente a um dos piores game do PS2.

Alias, ele é tão ruim, que você até se esquece da única coisa que seria interessante se lembrar do game: Hibana realmente é bem gostosinha.

Para completar, uma falha conceitual do game: Como já dito, um ninja feminino no Japão recebe o nome de Kunoichi, e por isso o game tem este nome no Japão. Entretanto, na versão americana o game ganhou o nome de Nightshade. Nome este que não faz relação NENHUMA com o suposto enredo do game. Uma bola fora gigantesca da Sega americana.

Se bem que, vendo todo o restante do game, o nome errado somente vem completar o pacote de incompetência que Kunoichi trás ao mundo dos games. A Sega fez novamente, conseguiu fazer de um game conceitualmente promissor um monte de algo nojento e malcheiroso que nem o meu cachorro faz igual quando defeca. Ridículo Sega, ridículo!

Conclusão: Se você esperava por um Shinobi (PS2) melhorado, controlando uma mulher fatal e linda, em um game cheio de mortes, mutilações e sangue, esqueça. Kunoichi nega todos os princípios básicos de diversão que são possíveis de ignorar. Nega todos os princípios básicos sobre o que um game de ação deve possuir para ser um game minimamente bom. A Sega definitivamente pisou na bola (de novo) legal nessa história.

Nome: Kunoichi (Jp) / Nightshade (USA)

Sistema: Playstation 2

Desenvolvedora: Sega / Overworks

Ano de Lançamento: 2003

Nota da análise: 02/10

+ Poder desligar o console quando notar a bomba que esse game é.

+ A Ninja Hibana até que é gostosinha mesmo.

Trilha sonora horrorosa.

Visual sem polimento (a quantidade de serrilhado desse game alcança níveis assustadores!).

Caracter Design digno do filme “Ninjas x Aliens”.

Sangue e mutilações censuradas.

Menus com tema artístico de gosto duvidoso.

História sem inspiração e cheia de clichês.

Jogabilidade imprecisa (Ora vamos, isso era para ser um game de Ninja. Precisão nos controles é o mínimo que se deveria esperar!)

Sincronia labial que lembra as novelas mexicanas do SBT.

“Hibana, Hibana…
És a única coisa que presta em todo esse game Hibana…”

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comentários
  1. Já ouvi falar (mal) desse Kunoichi, mas nunca joguei… pelo jeito não perdi muito…

  2. Eduardo Farnezi disse:

    Perdeu a chance de ver um dos piores jogos da Sega…
    Isso é histórico!
    Hehehe!!

  3. […] Sessão Trash Games: Kunoichi – “Hotsuma de saias” é um dos piores games de toda … […]

  4. martins disse:

    Cara na boa,gosto é gosto,eu gostei do game,principalmente da trilha sonora,mais venhamos e convenhamos,ja vi até gente falar mal do game metal gear solid,fazer o que né!!

  5. Concordo, o jogo deveria se chamar KunoLixo. Mas daí a dizer que Shinobi é ruim é exagero. Joguei Shinobi logo no seu lançamento e lembro que alguns jogos que vieram depois acabaram por aperfeiçoar mecanismos que foram ideias da SEGA, introduzidos por Shinobi. Lembro que o problem das câmeras realmente era chato, mas os combos e a necessidade de sangue tornavam o jogo um dos mais difíceis que eu já joguei até hoje. E ainda tenho o jogo, esse eu recomendo. Pena que me iludi com a KunoLixo…

  6. Felipe Zero X disse:

    Eu achei o game bom.

  7. Anônimo disse:

    trash existe jogo pior shinobi pra min e um jogo otimo o nightshade e mais ou menos tbm e uma questao de joga e tirar suas comclusoes como diz o ditado pra todo chinelo velho tem um pe cansado significa que sempre que aver pessoas que goste de algo sempre vai ter uma parte que nao vai gosta isso e fato

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