Seção Trash Games: Shinobi – Muito estilo, boas idéias, mas infelizes falhas de execução

Publicado: 24/04/2012 por Eduardo Farnezi em Análises, PS2, Trash Games
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Após a decisão de deixar de fabricar consoles, passando a ser uma produtora independente de games, a Sega tinha de cativar de todas as formas possíveis os consumidores seguidores da Sony, Nintendo e Microsoft. Para isso, não havia arma melhor do que mexer com o sentimento nostálgico destes jogadores. Sendo assim, a Sega apostou acertadamente em lançar remakes de franquias clássicas de sua autoria, como Sonic, por exemplo.

Seguindo esse pensamento, a Sega tenta mexer no sentimento nostálgico dos jogadores possuidores de um PS2, lançando para o console o remake de um dos games mais idolatrados da época áurea: Shinobi.
Após a revelação por parte da Sega do lançamento deste game, muito se esperava do game, afinal, se Shinobi para PS2 fosse metade do que foi para Mega Drive, seria um dos grandes hits de toda a geração 128 bits. Se o game faz jus ao nome que correga, ou se é, tão somente, mais um game fraco se utilizando de um nome de uma franquia de peso do passado, é o que será analisado aqui.

Adeus Musashi, olá Hotsuma.

O primeiro estranhamento aparente nesta versão de Shinobi provém da alteração do personagem principal do game. Agora Hotsuma é o personagem principal do game e líder do clã dos Oboro Ninjas, cabendo a Musashi apenas uma aparição em flashback de sua silhueta. Apesar de muitos chiarem quanto a esta decisão, esta alteração foi necessária para que o se game enquadrasse na época em que se passa: uma Tóquio em um futuro próximo. Sem contar que Hotsuma é sim um personagem muito estiloso e muito competente no que faz.

Hotsuma Rox!!!!

Como já dito, Hotsuma é sim um personagem muito cool. Isso se deve a dois fatores, que unidos, fazem dele um dos personagens mais estilosos que existem.
O primeiro fator é sua vestimenta. Ao contrario de Musashi, Hotsuma usa uma roupa não ortodoxa quando se pensa em Ninjas. Sua vestimenta é colada ao corpo, com detalhes em metál. Seus shurinkens ficam em seus braceletes metálicos que dão um ar bem imponente a Hotsuma. Entretanto, o que deixa Hotsuma muito mais imponente durante o game, é o longo pano vermelho que ele possui. Algo que parece um cachecol gigantesco. Esse “cachecol” é um dos pontos mais contraditórios do personagem, pois acabou se tornando algo do gênero “ame ou odeie”. De qualquer forma é praticamente impossível não se hipnotizar enquanto Hotsuma mata seus inimigos de maneira muito estilosa, enquanto tal pano balança seguindo o movimento dos golpes do personagem. Com certeza essa simbiose entre o tecido vermelho que Hotsuma usa e seus movimentos foi algo premiditado pela Sega, para aumentar o sentimento de “esse ninja é estiloso”.
O segundo fator que deixa Hotsuma tão cool, é o sistema de batalha do game que será mais adiante detalhado.

Tate Combos, funking cool!!!

O clássico Shinobi tinha como principal atrativo seu sistema de batalhas, baseada na velocidade e reflexo do jogador. Sendo assim, é claro que o atual Shinobi teria que ter um sistema que incorporasse o sentimento “ninja fodão” no jogador. Para isso, a Sega criou um sistema de batalha que consegue fazer o jogador se sentir um ninja fodão. Esse sistema é nomeado de Tate.

O sistema Tate funciona da seguinte maneira: Assim que o jogador mata o primeiro inimigo na tela, este fica em uma possiçao parado por um tempo, ate que o jogador mate o próximo inimigo da tela, e assim vai. Caso o jogador consiga matar todos os inimigos momentâneos na tela durante este tempo, que é consideravelmente curto, uma cena aparece em que Hotsuma faz alguma pose e em seguida, todos os inimigos que estavam parados, se partam ao meio, devido aos cortes da espada de Hotsuma, em uma explosão de sanque e pedaços de corpos mortos.

É algo meio estranho apenas lendo, mas quando você esta jogando e consegue fazer um combo Tate com mais de 10 inimigos, com Hotsuma fazendo aquela pose louca ao fim e  tudo acabando em sangue e gente morta, você se sente o humano mais “Rox” do mundo e entende como esse sistema é interessante. Tal sistema de combos é o que guia a ação do game até o ultimo chefe.

Analisando o sistema Tate isoladamente, o mesmo não é nada ruim, pelo contrario, é algo muito legal e incentíva o jogador a assassinar seus inimigos da forma mais veloz e furiosa o possível, assim como um ninja verdadeiramente o faria.

Akujiki, a espada maldita.

Neste game, o jogador não usa uma espada qualquer, afinal, Hotsuma não é um ninja qualquer. Sendo assim, a espada que Hotsuma carrega é nada mais, nada menos do que Akujiki, a espada destinada somente ao ninja que se provar digno de empunhá-la e assumir seu posto de líder dos Oboro. Revelando seu poder real apenas após a segunda fase, Akujiki possui duas peculiaridades.

A primeira é que seu poder aumenta a cada inimigo morto. Entretanto este aumento de poder somente pode ser aproveitado durante a execução um combo Tate, após isso o poder de sua lamina volta ao normal até que novo combo se inicie. Tal aumento de poder pode ser visto na coloração da lamina da espada que vai gradualmente se alterando. Tal fato com certeza foi criado visando a intensão da extrema utilização do sistema Tate, pois quanto mais se usa mais fácil fica sua vida no game.

A segunda peculiaridade é a “cretinagem” de Akujiki.
Se Hotsuma fica muito tempo sem matar ninguém a espada começa a sugar sua alma para se alimentar. Desta forma, o medidor de “poder da alma” vai diminuindo até que este se acabe. Caso isso ocorra, a espada começa a se alimentar rapidamente de sua propria energia vital até que o jogador mate um inimigo ou execute um combo Tate para que a espada se alimente da alma dos inimigos mortos e te deixe quieto. Ou isso, ou Akujiki sugará a energia vital de Hotsuma até a sua morte, para que você, jogador, morra e xingue muito esta espada amaldiçoada.
Tal fato também foi criado, óbviamente, para maximização da utilização rápida e feroz do sistema Tate.

Akujiki é uma poderosa espada, mas ela lhe trará grandes problemas caso não masterize o game a contento…

Visual, Som… E o game começa a revelar seus defeitos.

Bom, parece que a Sega visou tanto maximizar o sistema de combate do game, que a mesma se esqueceu de boa parte do resto dos fatores que integram um game, algo que ajuda, irônicamente, a fazer com que o sistema Tate tenha falhas bem grandes. Para começo de conversa, o visual de Shinobi tem altos e baixos bem estranhos. O game merece louvores por rodar a 60 quadros por segundo, praticamente sem slowdows, mesmo tendo batalhas na velocidade de um raio. Entretanto, o visual de Shinobi é muito sem vida, com texturas muito fracas e com serrilhados em toda e qualquer parte do game. Efeitos como a água e o fogo são pífeamente reproduzidos e o game não tem nenhuma fase durante o real raiar do dia, o que obviamente é algo feito para esconder falhas.

Quanto à parte sonora do game, mais altos e baixos. Os efeitos sonoros do game não são ruins, conseguindo transmitir bem o que está se passando visualmente na tela, apesar de não ter nada demais. Já a dublagem não possui altos e baixos, contanto com somente momentos ruins memso. A dublagem durante as cenas de história do game são canastronas e não poucas vezes fora de sincronia labial, enquanto as dublagens in-game, são chatas e repetitivas ao extremo (experimente ficar andando nas armadilhas de teia de aranhas e vai entender isso).

Quanto a trilha sonora, novamente temos altos e baixos. As músicas dos chefes de fase são muito boas e te colocam no clima da batalha, unindo muito bem ritmos antigos orientais e mais atuais. Entretanto, na maior parte das fases do game, o som que domina é um som sem inspiração, que a todo momento tenta se remeter à qualidade das músicas dos chefes, mas sem metade da competência.

Jobabilidade: O ápice e o abismo.

Como já devem ter lido mais acima, sou um grande entusiasta do sistema Tate e acho realmente que ele por si só seria algo estritamente visceral, podendo fazer deste game um sucesso absoluto. Entretanto, na “hora da verdade”, existem tantos elementos fora de nexo que estragam aquela que poderia ser a maior experiência que um game de ação poderia proporcionar, até o dado momento de seu lançamento.

Em primeiro lugar, a câmera deste game, assim como na maioria dos games 3D de ação, é talvez a maior inimiga do jogador. Além de nunca te ajudar, focando o que o jogador realmente precisa visualizar, consegue te atrapalhar 80% do tempo. O fato de a câmera de Shinobi ser ajustável somente atrapalha, pois além de ter de administrar o ato de matar os inimigos e de se preocupar em não ser acertado, tudo na velocidade da luz, tem também de se preocupar com ajustar a câmera. Isso não é algo nada agravel, prático e tão pouco intuitívo.

Outro problema é o sistema de “mira” do game. Você pode com esta “mira” fazer com que a câmera se fixe em apenas um inimigo, para que desta forma você nunca o perca de vista. Seria algo muito bem vindo se houvesse competência por parte da Sega de fazê-lo. Além de não se poder escolher qual o inimigo quer que a câmera foque, durante este tempo você fica sem a visão de praticamente todos os outros inimigos à sua volta, fazendo o jogador ter de matar rapidamente tal inimigo para se situar, ou então, ser obrigado a jogar sem tal recurso, com aquela câmera totalmente atrapalhada e absorta. Ora, com fatores que atrapalham diretamente a jogabilidade do game, o sistema Tate fica infelizmente muito prejudicado, perdendo grande parte de seu brilho.

“Game Over”

Se existe uma coisa que nunca alguém vai negar ou discordar sobre este game é em relação a sua dificuldade: SHINOBI É EXTREMAMENTE DIFICIL. Tão difícil que provavelmente é o game mais difícil do PS2. Me arrisco a dizer que, junto a Ninja Gaiden para X360, é o game mais difícil da geração passada de consoles. Aconselho desde já que caso você seja um marinheiro de primeira viagem no mundo dos games, ou caso não seja um jogado hardcore, que passe longe de Shinobi, pois este game irá destruir seu ego e você vai se sentir o ser mais inútil da face da Terra.

Pisque e será acertado, cairá desse prédio e morrerá. Muitas fases, a maioria na verdade, não terão clemência do jogador se o mesmo precisar de solo firme.

Com muitas fases sem sequer tocar no chão, melhoro, com muitas fases que sequer contém chão, com uma espada que também opera contra você, sugando o tempo inteiro sua energia, com fases sem nenhum check point caso morra e com alguns dos chefes mais difíceis da história dos games, Shinobi é com certeza um game para “gente grande”.

Os chefes, aliás, se não derrotados em um combo Tate completo, em que sua espada esteja com o poder total e assim, matá-lo com um só golpe, não serão derrotados de maneira nenhuma. São as batalhas mais legais e viscerais do game inteiro e aquele que pegou o jeito do game com certeza as adora. Os chefes são estupidamente fortes, podendo derrotar o jogar em questão de segundos caso o mesmo bobeie. São batalhas sempre muito tensas e daí vem a diversão dessas batalhas. Derrotar um chefe pela primeira vez, usando um combo Tate completo, o fará xingar de alegria, pois é muito “fucking cool”!

E por fim…

Bom, gostei demais de Shinobi para PS2, apesar de reconhecer a quantidade grande de problemas que possui. Apesar disso, não posso considerar que este game honra o nome de peso que carrega. Pensando bem, eu estranharia é se esse Shinobi honrasse o nome que carrega.
Porque digo isso?
Sonic Heroes não honra, Golden Axe não honrou (sim, existe um remake dele), Out Run não honrou. Porque Shinobi honraria?
Na verdade, dentre estes Shinobi é o que melhor representou a velha guarda da Sega. Isto é uma vergonha para a Sega, que parece que se esqueceu de como fazer bons games, pois o último game dela realmente “arrasta quarteirão”, até o momento em que os games citados foram lançados, foi Shenmue para Dreamcast, e isso é MUITO tempo sem um grande Hit, pois é um game da época em que o Dreamcast ainda vivia.

Indiferênte à qualidade do game, Hotsuma é muito “fucking Cool”!

Conclusão: Shinobi é um game com um personagem extremamente estiloso e “foderástico”, com idéias que se bem executadas, tinha tudo para ser um sucesso absoluto, ser um jogo intocável. Infelizmente, a Sega nos mostrou novamente que não sabe muito bem o que fazer com boas idéias quando as possui em mãos, acabando por fazer um game cheio de bons conceitos, tão somente mediano. É uma lástima ver que o nome Shinobi não rendeu mais do que o apresentado na geração 128bits, assim sendo, apesar de Hotsuma ser um ótimo ninja, sentir saudades de Musashi ao longo da jornada é inevitável.

Nome: Shinobi

Sistema: Playstation 2

Desenvolvedora: Sega / Overworks

Ano de Lançamento: 2002

Nota da análise: 05/10

+ Batalhas contra chefes muito boas e desafiadoras.

+ Sangue e mutilações a vontade.

+ Interessante sistema Tate.

+ Bom caracter design de Hotsuma.

Visual datado.

Efeitos sonoros pífeos.

Camera assassina.

Ironicamente, o próprio sistema Tate.

comentários
  1. Nada como o jogo clássico, aquele é perfeito…

  2. F.R disse:

    Conheci seu site a pouco tempo, por isso estou comentando tanto! Novamente descordo de você! Não dos defeitos apontados, sim todos eles existem. mas acredito que as falhas dão um charme ao jogo, aumentando a dificuldade e tornando o morrer e tentar novamente algo meio Nes, o que pra mim é ótimo. Os gráficos não são lá essas coisas, mas, são sólidos, talvez a Sega ainda estivesse pensando no Dreamcast quando iniciou o projeto. Eu daria nota 7 ao jogo.

    • Eduardo Farnezi disse:

      Ai é que está, não consigo enxergar uma falha sendo algo bom em um jogo nunca.
      Games como Demon´s Souls, Ninja Gaiden (qualquer um para o X360 e PS3 excluindo a terceira versão lançada ano passado), por exemplo, são games difíceis, em que morrer pode se tornar algo tanto educacional quanto corriqueiro e que não dependem de falhas para tal.
      Dificuldade em um game é uma opção durante o desenvolvimento.
      Shinobi para PS2 é difícil com todas as falhas, bem como o seria sem as mesmas, a diferença é que, com as falhas, o game pode se tornar frustrante.
      Ademais, ele carrega um nome imponente e importânte na história do entretenimento eletrônico, e quando assim o é, sempre se espera o melhor…

      Dito isso, apesar dos problemas, eu gostei do game e aguardava uma continuição com os problemas resolvidos, infelizmente, o que a Sega nos deu depois foi Kunoichi. Isso me deu calafrios de medo por MUITO tempo.

  3. Ezequiel disse:

    Começei à jogá-lo à pouco tempo e fiquei pensando ” Será que sou incompetente ou este jogo que é muito difícil mesmo?”, pois observava estes detalhes com muita frustração, como a câmera que é uma droga, a ausência de check points (isso foi de matar) e bosses difíceis. Entretanto, estes entraves me levaram a jogá-lo mais para fomentar o desafio.
    É um bom game, poderia seria melhor.

  4. Breno disse:

    O Jogo realmente é muito díficil, mas devido a insistência( Falta do que fazer), consegui passar da metade do jogo, até teria zerado, mas o PS2 não era meu, e sempre quando voltava a casa da pessoa o Save tinha apagado. Eu era muito pequeno, e não entendia muito bem. Por isso sempre jogava desde o começo 😛

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