Time Gal – viaje pelo tempo e salve o mundo controlando a bela heroína

Publicado: 23/05/2012 por Márcio Alexsandro Pacheco em Análises, Arcade, Sega CD
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E chega os FMVs

O primeiro jogo da Wolf Team a aparecer no Mega CD trazendo para os consoles domésticos um estilo de jogo que até então só tinha nos arcades e micro-computadores, como o MSX: os jogos interativos, também conhecidos como FMVs (Full Motion Videos). Time Gal foi originalmente feito para os Arcades pela Taito e apresentava uma nova forma de se jogar fliperamas. Você joga como se estivesse assistindo a um desenho animado, tudo em terceira visão. Durante o jogo, você terá que tomar algumas decisões para movimentar a heroína ou fazendo-a atirar, enquanto você assiste a animação, ou seja, é um jogo onde você precisa ter mais reflexos e boa memória do que habilidades e técnicas com o controle.

Com o Mega/Sega CD, a Wolf Team viu a oportunidade de trazer esse estilo de jogo para os videogames caseiros, o que foi uma decisão acertada em cheio, pois com o sucesso de Time Gal para o console da Sega, abriria os portões para outros jogos antigos desse estilo que voltariam a vida no Mega CD. Um estilo de jogo completamente esquecido hoje em dia e que com certeza vale a pena dar uma relembrada nessa época, onde esses tipos de jogos dominavam.

Os jogos em FMV dividiam a opinião dos gamers, muitos adoravam e outros odiavam, por não ser exatamente um “jogo”, mas um filme (no caso aqui desenho) em que você ficava assistindo. Eu mesmo gostava, para mim era uma novidade, uma coisa diferente e como eu já gostava de desenhos japoneses, não poderia ser melhor. É inegável o sucesso dos FMV nos anos 80/90, havia dezenas de fliperamas com esse tipo de jogo e o Sega CD foi o console campeão de quantidade de games em FMV, alguns muito bons e inovadores como o clássico “Night Trap” e outros verdadeiros filmes Trash de segunda categoria.

 

Vários perigos esperam por nossa heroína, como os homens das cavernas

 

A história:

A história não possui grandes tramas, pelo contrário é bem simples: tudo começa quando um criminoso chamado Luda consegue roubar uma máquina do tempo no ano 4001 e resolve então dar uma voltinha por várias épocas para mudar a história da humanidade ao seu bel prazer e desta maneira poder controlar o mundo (no melhor estilo Ultimecia, para quem já jogou “Final Fantasy VIII”).

É então que nossa heroína, Reika Kirishima – a “Time Gal” –  é escolhida para deter os planos de Luda, e com a ajuda do Medalhão do Tempo ela deve viajar durante várias épocas da nossa história até conseguir encontrar o criminoso. Uma espécie de “Minority Report” (filme com Tom Cruise onde ele viaja pelo tempo para evitar crimes), se formos comparar com alguma coisa.

Serão 16 fases de pura ação, onde você passará pelos mais inacreditáveis cenários da nossa história (e outros cenários tirados da mente criativa dos produtores do jogo), como a Pré-História com seus gigantescos dinossauros e homens das cavernas, passando inclusive por vários momentos históricos, como a Segunda Guerra ou a famosa “Tempestade no Deserto”, indo terminar num futuro distante, com robôs, naves espaciais, alienígenas e outros bichos prontos para exterminar Gal.

História criativa? Não muito, nada que um Spilberg wannabe não tenha pensado, mas com certeza esse é um detalhe que vai passar desapercebido por causa do alto fator de diversão do jogo e da criatividade dos japas em fazerem fases uma mais legal que a outra.

 

Esse é o causador da bagunça que vai roubar a máquina do tempo

assista a abertura japonesa de Time Gal

Os gráficos

Após uma rápida abertura, onde mostra o vilão roubando a máquina do tempo e Gal indo atrás dele, você começa jogando numa certa ordem, começando da Pré-História e avançando no tempo até chegar no ano 4000. Os gráficos são todos animados e muito coloridos e possui uma boa resolução, mesmo com o problema da baixa quantidade de cores do Mega Drive (foi usado um truque para aumentar a o número de cores por tela). É como se você estivesse assistindo a um anime, mas com a vantagem de poder mudar o rumo da história, senão fizer as coisas direito. Para quem não sabe, a animação foi feita pelo estúdio japonês Toei Animation, responsável por dezenas de animes famosos, mas apenas para citar um: Cavaleiros do Zodíaco.

 

O jogo é bem colorido e durante as 16 fases você irá viajar por diversas épocas da nossa história, sempre de uma maneira divertida e bem humorada, sem contar que nossa heroína é muito sexy e sempre solta uns gritinhos fofinhos quando a coisa aperta.

Os cenários são muito bem feitos e a criatividade dos japas rola solta, há muitas situações engraçadas, outras bem inacreditáveis, dignas de filmes de ação a lá Missão Impossível ou Matrix, mas o que importa mesmo é que você vai se divertir muito jogando nessas fases enquanto ajuda Gal a pular de um período para outro.

veja Gal na Grécia Antiga

 

Não tenha medo do gladiador, ele é grande mas não é dois. Pegue a espada na arena e lute contra ele

Escute o que a moça fala

O som desse jogo é perfeito! A começar pela sua música de abertura que é bem gostosa de se ouvir e é daquelas que fica na cabeça depois de escutar uma vez. A versão japonesa tem essa música cantada, enquanto a americana é apenas instrumental.

Mas o que chama atenção mesmo são os efeitos sonoros, que são milhares. Sons de explosão, tiros, espadas, lasers, vozes, tudo que você imaginar você vai poder escutar, utilizando todo o potencial do CD.

Podemos ainda contar com uma ajuda de nossa heroína de cabelos verdes, que em certos momentos grita a ação que você deve fazer, como “jump” (pular), “right”, “left” (direita, esquerda) e por aí vai.

Você também vai escutar muitos gritos dela, principalmente quando aparece alguma surpresa no meio do caminho e surpreende Gal. Destaque para os gritinhos nas cenas quando se perde uma vida.

E o som é responsável por grande parte da diversão do jogo, que combinado com a animação nos proporciona um grande prazer ao se jogar. No final do game ainda podemos conferir uma composição especial de Motoi Sakuraba.

 

Dificuldade

Esse jogo é fácil para uns, difícil para outros, tudo vai depender dos seus reflexos e da sua memória. Basicamente tudo que você tem que fazer é movimentar Gal para a direita, esquerda, cima ou para baixo, em determinados pontos do jogo. Parece fácil, não é? Mas eu já vi muita gente penar pra jogar esse tipo de jogo, é uma coisa incrível, parece que jogar muito FPS deixa os cara meio abobados, sei lá… dá um jogo desses pra um pivete viciado em CS pra jogar… não vai muito longe não!

Bom, mas voltando ao game, para facilitar sua vida, há na tela quatro esferas, onde uma delas brilhará indicando para qual lado você deve movimentar Gal. Se você demorar muito ou mexer para o lado errado, prepare-se para assistir Gal ser fritada, pisoteada, esmagada, devorada e tantas outras coisas que podem acontecer, isso sempre mostrado em cenas SD (super deformed), quase sempre engraçadissímas, provavelmente para diminuir o impacto de ver nossa heroína morrendo (afinal era um jogo para crianças, e na época a censura era forte como nunca).

 

Rache o bico de tanto rir com as cenas SD

Em alguns momentos vai haver dúvidas sobre o que fazer, então pode-se ouvir Gal gritar “time stop”. A tela fica paralisada por alguns segundos enquanto você pensa o que vai fazer, se fará Gal pular, ir para a direita, atirar no inimigo, se abaixar, e por aí vai. Há apenas uma escolha correta e as vezes a alternativa mais óbvia NÃO é a correta, que é para pegar os apressadinhos. Como por exemplo, você estar cercado por uma multidão de inimigos e ter um único espaço vago, induzindo o jogador a tomar aquela direção. Ao fazer isso, a ação continua e algo completamente inesperado pode acontecer e você acaba morrendo. Você ainda pode usar uma pistola, mas as vezes atirar acaba complicando mais a situação do que ajudar Gal a escapar, claro que as vezes usa-la será indispensável.

Ao começar um novo jogo, as fases serão aleatórias e não seguem um padrão pré-determinado, a não ser que vão da idade mais antiga para o futuro. Para tentar dificultar um pouco mais, as vezes as fases terão os controles invertidos, ou seja, quando você já estiver decorando os comandos de uma fase, corre o risco de se embananar quando for jogar de novo e eles estiverem invertidos.

Mas para ajudar um pouco, o jogo lhe dará algumas dicas, além das esferas vermelhas que se encontram no canto da tela. As vezes (nem sempre), um pedaço do cenário vai brilhar, indicando que você precisa ir para aquela direção, ou, no caso de precisar pegar uma espada, essa também brilhará, indicando que você precisar apertar um botão.

 

Até de assombração Gal terá que fugir

 

 

Muito bem garanhão, você ajudou Gal a salvar o dia, como recompensa vai ganhar um beijo da moça!

Conclusão: Um jogaço da Wolf Team, que abriu as portas para uma geração de jogos até então inédita para os videogames caseiros e que marcou muitos gamemaníacos na época, que olhavam para as revistas e ficavam sonhando em ter essas preciosidades mas não tinham dinheiro para comprar um Mega CD (hey, falo por experiência própria!). Certamente merece uma olhada com carinho, você corre o risco de se viciar, ou na pior das hipóteses, de se apaixonar por Gal.

Nome: Time Gal

Sistema: Sega CD

Desenvolvedora: WolfTeam/Telenet

Ano de Lançamento: 1990

Nota da análise: 10/10

+ Excelentes gráficos e animações, ótimos efeitos sonoros, muito divertido
+ Fases não possuem uma ordem linear, o que dificulta a memorização e prolonga a vida útil do game
Jogabilidade limitada

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