Crítica: Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge – apesar de enrolado, filme encerra trilogia de forma grandiosa

Publicado: 02/08/2012 por Márcio Alexsandro Pacheco em Crítica/Filmes
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Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge (Batman: The Dark Knight Rises)

EUA , 2012 – 164 minutos

Ação/Super-heróis

Direção: Christopher Nolan

Elenco: Christian Bale, Michael Caine, Gary Oldman, Anne Hathaway, Tom Hardy, Marion Cotillard, Joseph Gordon-Levitt, Morgan Freeman

Christopher Nolan, diretor relativamente novato no cenário hollywoodiano (seu primeiro longa, “Following”, é de 1998) ganhou a fama mundial, merecidamente, por sua adaptação do ícone dos quadrinhos da DC Comics, em “Batman Begins”. Sua competência com o homem-morcego apenas se confirmou em sua sequência, “Batman: O Cavaleiro das Trevas”.

Passados dois anos e muita expectativa (com lançamento do ótimo “A Origem” em 2010), Nolan encerra o seu trabalho com a franquia nos apresentando “Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge”, um longa-metragem merecedor de elogios e que encerra honradamente a trilogia estrelada por Christian Bale.

Batman ficou afastado por oito anos desde que enfrentou o Coringa

Com um roteiro bem amarrado, o filme traz referências dos dois anteriores, fechando o círculo como uma obra completa, e deixando algumas novas arestas abertas no final, para que um novo diretor posso continuar o seu trabalho (o que não deve acontecer, a Warner provavelmente fará um reboot da franquia, como a Sony fez com “O Espetacular Homem-Aranha“). Por isso, se você não assistiu aos dois primeiros filmes, recomendamos que o faça antes de assistir o terceiro capítulo.

E falando no Aranha, se você achou o seu novo filme infantil e meloso, o Batman de Nolan é completamente o oposto: maduro e autêntico. São 164 minutos que extravasam ação, drama, tensão e romance. Talvez tenha faltado uma pitada de humor, mas esse nunca foi o forte do sombrio herói mesmo.

Bruce Wayne terá que enfrentar seus próprios demônios para ressurgir

Christian Bale está perfeito em seu papel, tanto como Batman como Bruce Wayne, e sem dúvida é o seu melhor momento na trilogia, estando bem a vontade com os personagens. Confesso que não esperava muito da Anne Hathaway como a nova mulher-gato, papel esse que já pertenceu à Halle Berry e Michelle Pfeiffer em outras obras. Isso porque sempre achei que a personagem tinha um apelo sensual bastante grande, e apesar de Hathaway ser uma mulher bonita, não segue o estilo “gostosona” (e sim mais “fofinha”).

Mas felizmente, estava enganado. A atriz faz um trabalho bastante competente e ganha o público ao interpretar a ladra sexy Selina Kyle, demonstrando estar bem tranquila, e preparada, nas cenas de ação, assim como nas dramáticas. Você nem vai se lembrar dos peitões de Halle Berry ou das curvas de Michelle Pfeiffer, pois Hathaway consegue ser bastante carismática e tem confiança no seu taco (a cena da moto deixará marmanjos com um largo sorriso na cara).

Anne Hathaway convence como a mulher-gato

Outro personagem fundamental é o antagonista Bane, vivido pelo ator Tom Hardy, e que nos quadrinhos é o responsável por deixar Batman paralítico. Hardy pegou a difícil tarefa de fazer um vilão tão convicente (e sofrer comparações) quanto Heath Ledger faz divinamente com o Coringa no filme anterior. E mesmo ele estando longe de ser melhor que Ledger, também não decepciona.

Bane é apresentado no filme de maneira bem diferente aos dos quadrinhos, mas ele continua sendo um cara enorme, frio, calculista e extremamente perigoso, não apenas para Batman, mas também para toda a Gotham City. Fica bastante claro que Nolan criou sua personalidade baseada em referências da nossa realidade sociopolítica contemporânea, com ideais anarquistas e terroristas, que luta contra “políticos corruptos” e a sociedade rica, juntando uma rebelião que apoia os seus planos. Esqueçam a ridícula versão do Bane de Joel Schumacher em “Batman & Robin” (1997), que apresentava um vilão musculoso e sem cérebro, que servia de guarda-costas e falava por grunhidos (o filme todo é uma grande porcaria).

Bane é uma ameaça para toda Gotham City

Além deles, outros novos atores conseguem se destacar na tela com ótimas atuações, como o jovem policial John Blake (Joseph Gordon-Levitt) e a magnata-filantropa-entusiasta da energia sustentável (mais referências, desta vez ambientais) Miranda Tate (Marion Cotillard), que até poderia ter ganho mais espaço na história do que recebeu. Já os velhos conhecidos Lucius Fox (Morgan Freeman) – o engenheiro criador dos brinquedinhos do Batman (que nos apresenta um veículo voador), comissário Gordon (Gary Oldman) e o mordomo Alfred (Michael Cane), reprisam seus papéis sem problema algum.

Aliado a tudo isso, temos ainda a impecável trilha sonora de Hans Zimmer, que se encaixa como uma luva do começo ao fim, com temas impactantes e imersivos, tanto nas cenas dramáticas e especialmente nas de ação, juntamente com os efeitos sonoros de socos, chutes, explosões e tiroteios. Certamente o resultado final do filme não seria tão convincente se tivesse a trilha sonora composta por outra pessoa.

Mas apesar de todos esses pontos positivos, o filme sofre com alguns defeitos, o principal sendo a sua longa duração. Inevitavelmente, há partes mais tediosas, com longas conversas e reuniões, que poderiam ser editadas. A trama se inicia de forma enrolada e lenta, com passagens demasiado explicativas, além de apelar para excesso de repetições em clichês como “não desista nunca”, “acredite em si próprio”, “continue lutando”, etc. Algo que também pode incomodar alguns fãs, é que Bruce Wayne aparece mais tempo na tela do que a sua contraparte, dando mais ênfase do que nunca, ao lado humano do herói (o que necessariamente não chega a ser algo negativo).

Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge” é uma obra que fecha magistralmente a trilogia de Nolan, tratando o personagem com o merecido respeito e honra que merece, que deixará os fãs mais que satisfeitos (e pedindo por mais). Abordando temas e críticas para a nossa sociedade, o diretor consegue passar uma veracidade através de um homem fantasiado de morcego, que outros filmes de super-herói não conseguiram (olá “Os Vingadores”).

Uma curiosidade: Nolan gosta de trabalhar com os mesmos atores de filmes diferentes, tanto que “O Cavaleiro das Trevas Ressurge” tem sido batizado de “clubinho dos atores de A Origem”, tendo os mesmos cinco atores em ambos os filmes (Michael Caine, Cillian Murphy, Marion Cottilard, Tom Hardy e Joseph Gordon-Levitt). E Nolan não largou totalmente os super-heróis, ele atualmente está trabalhando (como produtor) no novo filme do Super-Homem, “Superman: Man of Steel”, com direção de Zack Snyder.

confira o trailer do filme

comentários
  1. cintiana2 disse:

    Boa sua crítica, bem comedida sem falar de detalhes bobos. Ahh, sou do time que gosta de dar destaque ao Bruce Wayne ( bem diferente dos filmes de Burton, onde ele era praticamente decorativo), bem o Batman é o Bruce Wayne, um homem, mas as vezes parecem esquecer disso, até mesmo o proprio Bruce age assim, ainda mais que parte do seu modo de agir como Bruce requer algumas atuações e mentiras (bilionario bon vivante), é aquilo, qual a verdadeira personalidade, qual é a verdadeira máscara? Batman ou Bruce Wayne? Talvez o personagem seja uma mistura dos dois, pois ele não é uma lenda, é um homem cheio de traumas e é uma pessoa que se importa. Sabe isso me lembra a história Bruce Wayne: Assassino/Fugitivo,onde esse quando começa a ser procurado pela polícia, chega a desistir da sua identidade secreta, já que não achava tão importante, e não era realmente ele. Claro que Alfred e seus aliados ficam bem contra isso.

    • Oi Cintiana, que bom que gostou, realmente neste filme Bruce Wayne aparece como nunca vimos em qualquer outro filme, mesmo aqueles mais antigos. É um filme bem humano e verdadeiro, que não precisou apelar para efeitos especiais ou cenas de ação mirabolantes com o Batman.

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