Kingdom Hearts – a perfeita fusão entre Disney e Final Fantasy!

Publicado: 16/08/2012 por Eduardo Farnezi em Análises, PS2
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*Análise escrita originalmente no período de lançamento de Kingdon Hearts 2*

Enquanto o mestre dos mestres dos RPGs, o sr. Hinoburu Sakagushi, reinava supremo dirigindo seus games Final Fantasy, um nome ficava injustamente “deixado de lado”: Tetsuya Nomura.

Nomura, desde a sétima versão de Final Fantasy, sempre foi o designer de personagens oficial da série. E isso não é pouco, pois vêm dele os traços imortais de Sephiroth, por exemplo.

Após a saída de Sakagushi da Square, a produtora nunca mais consegui emplacar nenhum de seus futuros RPGs, a um patamar igualável a Final Fantasy 7. Nem mesmo os “futuros” Final Fantasy conseguiram tal feito.

Entretanto uma coisa sempre pode ser notada nos games Final Fantasy sem Sakagushi: O design dos personagens era incrível. O responsável disso: Tetsuya Nomura.

E eis que a Square nomeia Tetsuya Nomura para dirigir seu primeiro game. Tal game era uma aposta ambiciosa, um game que misturava o já renomado mundo dos games Final Fantasy com os eternos personagens do mundo Disney.

Pode-se dizer que a Square fez isso justamente por ser somente uma aposta, pois a ideia desta mistura poderia não emplacar. Mas basta verificar as cifras envolvidas para perceber que eles não estavam dispostos a fazer deste novo game um simples laboratório para Nomura. Com certeza a Square sabia de todo o potencial de Tetsuya Nomura

E assim é concebido Kingdom Hearts. Um game que nos mostra duas coisas claramente. A primeiraé que a Square não mais precisa viver somente de seus Final Fantasy como big hits. Ela pode muito bem criar outros big hits quando quer. A segunda é que Tetsuya Nomura pode ser algo bem maior do que “apenas” o designer oficial de um game Final Fantasy.

A festa de personagens tem início

Kingdom Hearts não vive apenas da reciclagem de personagens Disney e Final Fantasy. Pelo contrário, os personagens principais da saga de Kingdom Hearts são totalmente novos.

Apesar de serem novatos no mundo dos games tais personagens se encaixam perfeitamente neste universo da união de um elenco tão estrelado. E com certeza dão o tom do game com uma maestria incrível.

Vai aqui então um rápido profile dos três personagens principais do game:


Sora: 
Personagem principal do game. É ele quem o jogador controlará ao longo do game. Tendo sonhos estranhos sobre seres diferentes e acontecimentos teoricamente sem lógica, Sora inicia o game em uma ilha, onde reside juntamente com versões infantis de Selphie (FF 8); Wakka e Tidus (FF 10) e também com Riku e Kairi que são os outros dois personagens novatos do game. É o escolhido para manusear a Keyblade. Indumentária que vai bem além de uma simples arma.

Kairi: Uma alegre e feliz menina, é amiga de Sora e Riku. Kairi tem em Kingdom Hearts um papel atuante muito mais psicológico do que atuante físico no game. É ela que anima Sora nos momentos mais difíceis passados por ele, seja pessoalmente, ou seja, nas lembranças de Sora momentos passados para com ela. Com certeza uma personagem importante, apesar de pouco atuante no game.

Riku: O mais velho entre os três, Riku sempre teve o sonho de ver algo além de sua ilha. Ver o mundo lá fora, era seu sonho mais vivás em seu coração. Deixou ser atraído por este sonho, mas sua amizade com Sora é maior que isso, e no decorrer do game, acaba de certa forma auxiliando seu amigo. Vendo de uma maneira psicológica, Riku com certeza é o personagem mais complexo de Kingdom Hearts.

Além destes, outros três personagens, já conhecidos do pessoal que teve uma infância no mínimo decente, são muito importantes em Kingdom Hearts. São eles:


Donald Duck:
 Sim! O eterno Pato Donald está no game e é um grande auxiliador nas batalhas. Domina a arte das magias, sendo esta sua principal fonte de ataque. Está, junto com Pateta, à procura de Mickey que misteriosamente desapareceu de seu castelo em seu mundo, onde era rei. Detalhe interessante é o baile que a dublagem de Donald dá em todas as outras do game. É um espetáculo auditivo a parte.

Goof: Outro auxiliar em batalhas e companheiro de jornada, Pateta está mais… errrrr… pateta do que nunca em Kingdom Hearts. Tanto é que, ele e Donald vão arrancar boas risadas do jogador. Em batalhas Goof é especialista em ataques físicos. Está também atrás de Mickey.

Mickey: Desaparecendo misteriosamente de seu reino, deixa apenas uma carta para Donald e Goof falando de sua retirada momentânea. Durante o jogo, apesar de quase não aparecer, revela ser uma peça chave no enredo de Kindgom Hearts.

Bom, estes são os principais integrantes no aspecto enredo de Kingdom Hearts. Em relação à companhia em batalhas e exploração dos mundos do game, é possível escolher entre outros personagens como Aladdin e Peter Pan. Mas isso será melhor visto mais adiante na análise.

Além disso, participações ilustres ocorrem no game e merecem o devido destaque, mas isso também será visto mais a frente.

Um pouco de história

Para que muitas considerações à frente possam ser entendidas, é preciso entender um pouco dos acontecimentos iniciais do game. E é isso que tentarei aqui passar. Logo no início do jogo temos um sonho em que Sora, usando uma estranha espada em forma de chave, derrota vários inimigos feitos de “sombra”. No fim do sonho Sora derrota um destes seres que se apresenta em uma forma gigantesca e mais amedrontadora. Após isso ele acorda e depois de alguns acontecimentos sem muita importância a nível de enredo, estes mesmos seres atacam “do nada” a ilha de Sora e seus amigos.

Sora se lembra imediatamente do sonho e parte para cima destes após, milagrosamente, a mesma arma em forma de chave aparecer em sua mão. Após a batalha ter um fim nota-se que Riku simplesmente desaparece e que Sora e Kairi são enviados para um outro lugar, mas não juntos.

Neste lugar novo e estranho para Sora ele encontra Donald e Pateta, que sabem um pouco sobre o que está acontecendo, além de saberem sobre a Keyblade, arma atual de Sora. A partir daí se descobre a ameaça dos Heartless (os sem coração) em vários mundos do universo do game. Para que tudo volte ao normal é necessário derrotar de alguma forma esses seres em cada um dos mundos deste “universo” criado para Kingdom Hearts.

Tais mundos fundidos são os mundos da Disney e da Square, tendo como base principal os games Final Fantasy. A partir destes acontecimentos é que o enredo do game se desdobra cada vez mais, se tornando mais profundo e complexo.

Tomadas tais considerações acerca dos momentos de prelúdio do game é possível voltar para a análise de Kingdom Hearts.

Os mundos

Em Kingdom Hearts foi feita claramente uma escolha, a de que nenhum dos mundos de Final Fantasy fariam aparições no enredo. Apenas os personagem da série da Square fariam suas aparições, deixando para o mundo mágico da Disney o encargo de compor os cenários do game.

Ou seja, você sempre estará em uma localidade ou inédita, criada para a game, ou em uma localidade que se refere a algum desenho da Disney. Cabendo aos personagem de Final Fantasy estarem nestes mundos e interagirem com Sora e a turma.

Tais mundos foram criados com extremo carinho e fidelidade aos desenhos correspondentes. Além disso, cada um destes mundos disponibilizam o personagem central da história do desenho para nos acompanhar na exploração e também para as batalhas que ocorram no mesmo.

Aqui vai um profile sobre estes mundos:

Traverse Town: Um mundo criado para o game. Aqui o jogador encontrará pela primeira vez Donald e Pateta. É o mundo para onde Sora e Kairi são enviados após o ataque em sua ilha. Aqui serão encontrados personagens como o célebre mago Merlin da Disney, que lhe ajudará com os treinos e as Summons do game e Cid de Final Fantasy 7, que lhe venderá além de itens, peças para sua Gummi Ship. Além destes, podem ser encontrados os sobrinhos do tio Patinhas, um Moogle, Squall, Aerith e mais uma boa parcela de personagens Final Fantasy.

Wonderland: O primeiro dos mundos Disney visitados, é o mundo do clássico desenho “Alice no país das maravilhas”. E lá o jogador encontrará de tudo que havia no desenho: Alice, o coelho, os malucos do desaniversário, a porta falante, a poção de encolhimento, as cartas e é claro, a Rainha das Cartas. Apesar de aqui o jogador não ter nenhum personagem extra para escolher, vale pela nostalgia de ver novamente os locais clássicos de um desenho mais clássico ainda.

Deep Jungle: Este mundo é o cenário do filme de animação Tarzan. Com direito a toda a floresta construída com uma fidelidade assustadora ao desenho. A casa de Tarzan, Jana, Cleyton e tudo que se tem direito. Neste mundo é possível jogar com Tarzan em seu grupo.

Olympus Coliseum: Mundo de Hércules se passa somente no Coliseu, local de treinamento do ídolo grego. Aqui se tem uma variedade de batalhas a fim de recebimento de itens e levels. Sem contar que é indescritível poder batalhar contra personagens como Cloud, Squall, Cerberus e até mesmo Hércules e Hades. Além disso, existem batalhas especiais. Em uma delas se enfrenta o Titã do gelo, do próprio desenho Hércules. Na outra batalha, enfrentamos o maior personagem de Final Fantasy de todos os tempos. É a batalha mais difícil do game, regida ao som de One Winged Angel. Sim! Batalhamos novamente, desde Final Fantasy 7, contra Sephiroth. E isso, não tem preço.

Agrabah: Quem não conhece Agrabah, não teve infância! Este é o mundo de Aladdin, um dos desenhos de maior sucesso aqui no Brasil. Aqui encontramos uma construção mais que perfeita da Agrabah do desenho. Além disso, as ilustres presenças de Aladdin, o gênio da Lâmpada e Jafar, deixam a experiência toda especial. Em Agrabah, contamos com o auxilio de Aladdin no grupo. Nesse mundo, encontramos o primeiro dos chefes secretos do game, no deserto de Agrabah.

Halloween Town: Baseado no desenho dirigido por Tim Burton que conta a história de Jack e suas aventuras. Aqui, assim como no desenho, o mundo é um eterno dia das bruxas. Nada mais lógico então que até as vestes de Sora, Pateta e Donald ganharem traços mais “darkness”. Neste mundo contamos com o auxílio do próprio Jack em nosso grupo. Dentre todos os mundos este parece ser o mais desinteressante.

Neverland: Mundo de Peter Pan e seus garotos. Aqui, além de visitarmos o navio do capitão Gancho, com direito a Smiters e tudo mais, é possível, graças ao pó de Pirlimpimpim de Sininho, voar. Neste mundo é possível contar com Peter Pan no grupo. Esse mundo é o local do segundo chefe escondido do game, na torre do relógio.

Monstro: Para quem não se lembra, Monstro é o nome da baleia gigante de Pinóquio. Isso quer dizer que neste mundo estaremos dentro das entranhas da baleia. Apesar de encontrarmos tanto Gepeto, quanto Pinóquio dentro da Monstro, este é mais um mundo bem desinteressante.

Atlantica: Mundo aquático do desenho “A Pequena Sereia”. Como tudo aqui se passa debaixo do oceano, além de os personagens ganharem a habilidade de respirar em baixo dágua, ganham um modo de locomoção aquático. O mais engraçado destes é o de Donald, que se “trasforma” em uma tartaruga. Aqui encontramos todos os personagens clássicos do desenho homônimo. Além disso, podemos contar com Ariel no grupo.

Hollow Blastion: Mais um mundo criado para o game. Este mundo se passa em um complexo castelo, cheio de armadilhas e labirintos. Apesar de não ser um mundo Disney, encontramos Fera de “A Bela e a Fera”, que ali está para encontrar Bela, que havia desaparecido. Não apenas encontramos Fera aqui, como também ele mesmo faz parte do grupo neste mundo, sendo o único capaz de quebrar certas paredes para passagem.

End of the World: Mundo final do game. Aqui reina a desordem e a psicodelia. Em um mundo sem muitas regras ou lógica, aqui o jogador encontra muitos chefes diferentes e difíceis de serem batidos, incluído o último chefe do game.

Estes são os mundos que compõem o Kingdom Hearts. Como pode se ver, apesar da considerável quantidade, muita coisa ficou de fora, como Tron, Mulan, Rei Leão, entre outros. Coisa que foi consertada em sua continuação.

Summons? Sim! Final Fantasy Summons? Não!

Algo já dito um pouco acima, em Kingdom Hearts Sora tem evocações de seres para auxilia-lo em sua jornada. Apesar de tais evocações terem, assim como em Final Fantasy, o nome de summons, nenhum dos seres clássicos da série da Square como Shiva ou Ifrit existem no game.

Mostrando muita criatividade nesse aspecto, a equipe de Kingdom Hearts nos agracia com uma divertida surpresa: todos os Summons do game são personagens célebres da Disney. Quando se evoca uma Summon no game, seus dois companheiros, comumente Pateta e Donald, saem da tela de batalha, restando assim, apenas Sora e a Summon no campo de batalha.

Os Summons tem um tempo especifico que podem permanecer em campo. Tal tempo é “contado” por uma barra que envolve a foto do Summon evocado. Após tal tempo acabar, ele sai do campo de batalha e seus companheiros retornam para o mesmo.

No game cada Summon tem sua peculiaridade e suas técnicas de auxilio durante as batalhas. Aqui vai um profile sobre os Summons existentes no game e um pouco sobre suas peculiaridades.

Simba: Primeiro Summon do game. O clássico personagem de Rei Leão aparece em Kingdom Hearts em sua forma adulta e cheia de imponência. Ele sempre anda ao lado de Sora no campo de batalha, sendo que seu ataque é um rugido poderoso. É possível concentrar este rugido para que este ganhe uma forma ainda mais destruidora.

Genie: Summon divertido e bem humorado, assim é o Gênio da Lâmpada. Vindo direto do desenho “Aladdin”, o Gênio quando evocado ataca todos os inimigos do campo de batalha se utilizando de sua magia. Não são ataques muito poderosos, mas são muito rápidos. Desta forma, são um grande trunfo se unido aos combos da Keyblade de Sora.

Dumbo: O clássico elefante voador e orelhudo é o próximo Summom de Kingdom Hearts. Quando evocado, Sora “munta” em Dumbo, que está sempre voando. Seu ataque é um jato poderoso de água saindo de sua tromba. É um ataque que é além de constante, caso o jogador queira, muito poderoso.

Bambi: Piadinhas a parte, Bambi é mais uma das evocações que Sora tem a disposição. Um pouco diferente dos Summons descritos acima, Bambi não é um Summon de ataque. Mas nem por isso é um Summon descartável, pelo contrário. Quando evocado, Bambi deixa um numero gigantesco de recuperadores de MP para Sora de tempos em tempos. Isso com certeza é algo extremamente importante, caso o jogador saiba utilizar nos momentos mais adequados.

Tinker Bell: Uma das personagens mais fofinhas da Disney é a próxima Summom da lista. Sininho do clássico desenho Peter Pan, assim como Bambi, não é um Summon de ataque. E assim como Bambi, é um Summon de extremo valor. Quando evocada, Sininho recupera, em intervalos regulares de tempo, o HP de Sora. Não precisa sequer comentar a importância disso certo?

Mushu: Último dos Summons de Kingdom Hearts. Mushu, para quem não se lembra, é o atrapalhado dragão protetor da família de Mulan. Quando evocado, Mushu fica em cima da cabeça de Sora, lançando pequenas bolas de fogo nos inimigos. Apesar de pequenas, tais bolas de fogo são em grande número, e extremamente poderosas.

Importante lembrar também, que assim como em Final Fantasy , as evocações destes Summons em Kingdom Hearts são sempre muito belas, cheias de efeitos de Luz e efeitos especiais sonoros.

O dom da voz

Algo infelizmente desconsiderado em muitas análises por ai é o fator da dublagem em um jogo. Tal fator é extremamente importante, pois uma boa dublagem com certeza faz um personagem muito mais carismático e amado no mundo dos games.

Além disso, uma boa dublagem faz com que o próprio enredo tenha um sentido muito mais amplo e tocante em suas nuancias. Sabendo disso, Tetsuya Nomura não decepcionou os jogadores neste aspecto, e nos brindou com uma dublagem extremamente competente, com um bom gosto visto apenas em games como Metal Gear Solid, por exemplo.

É claro que ter o gabarito de conhecimento de uma empresa como a Disney teve muito peso e influência neste aspecto, algo que somente veio a somar positivamente aos conhecimentos da Square como um todo. Prova disso é a dublagem do Pato Donald no game, que sem dúvida nenhuma rouba a cena nesse aspecto. Ela é tão boa assim justamente por ter sido utilizado o mesmo dublador americano do próprio desenho em Kingdom Hearts.

Para os personagens da Disney, na verdade, uma boa dublagem já se era esperado. Entretanto, para os personagens da Square ainda poderia ficar alguma dúvida quanto a isso. Mas nem disso sofre essa obra prima da Square.

As dublagens dos personages novos e dos personagens Final Fantasy do game são todas muito boas e se encaixam perfeitamente com cada personagem. Com relação a dublagem de Sora, Riku e Kairi, foram inclusive utilizados atores juvenis de Hollywood. Aqui vai um rápido profile sobre eles.


Haley Joel Osment:
 Ator que tem um brilhantismo como poucos em Hollywood. Já participou de filmes consagrados como “A.I”, “Forrest Gump” e “O Sexto Sentido”. Foi o escolhido para ser a voz de Sora em Kingdom Hearts , e em Kingdom Hearts 2.


David Gallagher:
Ator que participou de seriados sem muito renome por aqui como “7th Heaven”. Sua voz mais forte e dinâmica foi a escolha perfeita para o personagem mais misterioso e complexo do game: Riku. Também já tem presença confirmada em Kingdom Hearts 2.


Hayden Panettiere:
 Outra jovem atriz, Hayden já é “macaca velha” em dublagens, para a própria Disney aliás. Já dublou em filmes animados como “Bugs Life” e “Dinossauros”. Ela foi escolhida para trazer toda esta carga de experiência para a personagem Kairi. (N.E: E hoje em dia é uma super gostosa que arranca suspiros dos marmanjos)

Como se vê, com uma equipe de peso dessas, somada a experiência da Disney e competência da Square, a dublagem deste game só poderia ser mesmo fenomenal.

Os aspectos técnicos do “coração”

É claro que se tratando de uma análise do Canto Gamer, não podemos falar somente dos aspectos mais curiosos do game. Como já é de tradição, uma análise técnica e séria do game também deve ser feita. E a partir daqui esta tem seu início.

Vamos falar do sistema de batalhas. Não existe RPG no mundo que sobreviva sem um sistema de batalhas bem elaborado. Para isso ele tem de ser ou um sistema estratégico, que leve os neurônios do jogador a seus limites, ou ser divertido pacas.

Kingdom Hearts tem seu sistema, exatamente no ápice da segunda alternativa, ou seja, é divertido pacas.

Em primeiro lugar, o sistema de Kingdom Hearts não é por turnos, ou mesmo por Active Time. É em tempo real mesmo. Mas com menus. Quando uma batalha se anuncia, não existe mudança de perspectiva de visão, tela de carregamento para a mesma, nem nada disso. O máximo que acontece é a mudança da música e o aparecimento dos inimigos. Daí é paulera neles.

Mas daí você pensa: “Isso deve ter ficado com cara de Beat´n up, no estilo Final Fight, e não RPG!”. Mas você esta errado meu amigo…

Apesar de serem batalhas totalmente em tempo real, o game tem menus para ataques, magias, summons e itens, assim como em todo bom RPG. A diferença é que o jogador vai ter de selecionar a ação desejada durante a movimentação de seu personagem em tempo real. Algo que tem dois lados.

De um lado, traz um dinamismo muito grande durante as batalhas, o que combina com o clima “festeiro” que o visual do game demonstra.

De outro, fãs de RPGs mais clássicos vão chiar quando perceberem que se pararem de se movimentar para realizar suas escolhas, não irão muito longe no game.

As magias à escolha do jogador são clássicos de Final Fantasy como Blizzard, Fire e Cure. Estas com seus respectivos upgrades, Blizara, Fira, Cura, Curaga, e por ai vai.

Assim como as magias, os itens também são os clássicos da série Final Fantasy, como Potions, Elixirs entre outros. Já para com as armas de cada personagem, existem referências dos jogos Final Fantasy, mas não são “cópias” das armas que já apareceram nos games da série da Square.

Com relação a Donald e Pateta, não existem referências. Para Donald arranjamos cajados mágicos, afinal, o principal meio de ataque dele são as magias. Para Pateta, as armas que arranjamos para ele são escudos que servem tanto para defesa, quanto para ataques físicos. Já para Sora, o que conseguimos são Keyblades novas e com características peculiares. E aí sim, as referências com Final Fantasy existem.

Os nomes de certas Keyblades novas lembram claramente certos Final Fantasy. Por exemplo, existe uma Keyblade com o nome de Cerberus, referência clássica a Summon de Final Fantasy 8. Até mesmo a Keyblade mais poderosa é uma referência clássica ao inimigo que geralmente é uma dor de cabeça em FF: Ultimate Weapon.

E as referências não acabam aí. Certo nome de golpes especiais também fazem referência a Final Fantasy, como o ataque especial Ragnarok. Até mesmo o Layout de certas Keyblades fazem referências a série clássica da Square.

Detalhes como estes mostram que são das pequenas coisas que as grandes se sobressaem. Afinal, é o conjunto da obra que faz de um game uma obra prima.

Sempre que se derrota um inimigo, varias “bolinhas” saem deles. Tais bolinhas são recuperadores de HP e MP que devem ser pegas dentro de um determinado período de tempo, ou então somem da tela. Não é muito o que estas bolinhas fazem, mas nunca deixe de pegá-las, pois pode fazer falta em cenários mais longos. Afinal, “é de grão em grão que a galinha enche o papo.”.

Infelizmente, algo tende a atrapalhar todo este o dinamismo das batalhas de Kingdom Hearts em vários momentos do game: A câmera.

Algo que já é quase rotina em games tridimensionais, a câmera sempre que pode tenta atrapalhar o jogador. Não serão poucas as vezes que um inimigo não poderá ser visto por conta da câmera, ou então, que não saberemos muito ao certo se um inimigo voador está longe ou próximo a Sora. Ou seja, o jogador vai levar pipoco sem nem mesmo saber de onde veio por conta disso.

A câmera ainda consegue ser um empecilho em outros momentos do game, mas isso será visto mais adiante.

Por fim, é um sistema de batalha bastante sólido, digno de um game do porte que Kingdom Hearts é, mas que precisa ser um pouco mais trabalhado para que a estratégia tenha um lugar maior nas batalhas, pois no geral, não se precisa de estratégia para derrotar 99% dos inimigos.

Além disso, é preciso dar um jeito na câmera, pois além de em eventuais momentos ela se tornar confusa, ela é muito próxima a Sora, o que atrapalha em certos momentos o desenrolar macio que o game poderia ter.

O advento da sonoridade

Quando se mencionou que Kingdom Hearts seria um game ambientalizado, em especial, no mundo da Disney, muito gamer por ai ficou temeroso em relação a um coisa: As músicas do game.

Muitos imaginaram que a trilha sonora iria seguir o modo Disney de ser. O que além de não agradar muito os “hardcore gamers” de uma maneira geral, não se excaixariam em um enredo sério. Coisa que se tratando da Square, já era esperado.

Bom, isto não aconteceu. E apesar de Nobuo Uematsu não ter trabalhado neste game, as músicas de Kingdom Hearts são excelentes. Sonoramente o game já começa a nos impressionar desde a apresentação, que nos mostra o sonho de Sora.

Além de dar um banho em computação gráfica, a apresentação tem uma das melhores músicas cantadas já feitas para um game, dando um couro em qualquer Final Fantasy X2 da vida.

A música cantada na apresentação é a musica tema de Kingdom Hearts, que também é tocada no fim do game. Tal música tem como nome “Simple and Clean” e é interpretada por ninguém menos que Utada Hikaru, que com certeza é uma das melhores cantoras da atualidade.

Não vou falar absolutamente nada desta música, pois a verdade é que não preciso ficar falando bem dela aqui. Alias, vou fazer melhor: deixo abaixo um vídeo para a música ser apreciada, e também as mp3 tanto da versão original, quanto uma mixada. Afinal, ouvir uma boa música é o que de melhor pode haver para saber se ela é boa mesmo ou não.

Simple and Clean (versão japonesa)

Simple and Clean Remix (versão japonesa)

Quanto às outras musicas in-game de Kingdom Hearts, elas cumprem de maneira glamourosa seu papel.

Para cada situação existe uma música correspondente a ela, que se encaixa perfeitamente ao acontecimento. Sejam batalhas, conversas humoradas, conversas mais dramáticas ou quaisquer outrem, as músicas de Kingdom Hearts estão lá cumprindo seu papel.

Já no aspecto efeitos sonoros, o Kingdom Hearts dá um banho em muito game por ai. Cada minúscula coisa do cenário, no cenário e que acontece no cenário tem seu ruído ou som próprio. Desde os efeitos de pancadas, passando pelas conversas dos personagens em batalhas, passos dos personagens, efeitos sonoros para magias. Enfim, tudo tem seu próprio som. Som este, que seguindo o exemplo das músicas, tem muita qualidade e fazem uma perfeita inter-relação para com o que representam.

Neste aspecto não existem ressalvas a serem feitas. Como última consideração a ser feita no aspecto música do game, tenho que dizer quão atitude correta foi da equipe de Kingdom Hearts de ter deixado One Winged Angel durante a batalha especial contra Sephiroth no Coliseu.

Além de dar aquele clima todo especial na batalha, One Winged Angel é uma musica eterna nos corações de quem jogou Final Fantasy 7. Com certeza essa é a música que ficará na lembrança de quem jogou Kingdom Hearts, assim como foi em Final Fantasy 7. Mesmo porque, a surra que o jogador vai levar de Sephiroth das primeiras vezes que tentar desafiá-lo, também ficará.

É de encher os olhos!

Se a Square japonesa tem uma coisa que sabe fazer muito bem, são gráficos incríveis e cenas em CG arrebatadoras em seus games. E isso não poderia ser diferente com Kingdom Hearts. Logo de início, o game já nos deixa boquiabertos com um cena de abertura destruidora. Como se isso não bastasse, a trilha sonora também arrebenta. Então, uma coisa misturada com a outra, faz desta apresentação algo inesquecível para qualquer jogador.

Não apenas a apresentação do game é boa. As cenas em CG in-game de Kingdom Hearts acompanham toda a qualidade vista na apresentação, diferente de Onnimusha 3, mostrando que a Square não brinca em serviço. As CGs são vivas, coloridas, cheias de movimento e únicas. Únicas, pois nenhum outro game consegue misturar tão bem em uma cena em CG, o aspecto de veracidade aparente nos personagens, aliado com o aspecto de desenho da Disney em si.

Essa mistura é algo sem precedentes e que com certeza,é superado apenas por seu sucessor, Kingdom Hearts 2. Depois disso, sabe-se lá quando alguém vai conseguir aliar duas coisas tão bem assim em uma cena de computação gráfica.

Acabando a apresentação, vemos o visual do game em si. E este também nos impressiona pelos mesmos aspectos das CGs. O visual de Kingdom Hearts é vivo, colorido, cheio de movimento e único.

Único, porque é a união perfeita do traço único dos personagens da Disney, com os traços inesquecíveis da série Final Fantasy. Os personagens são cheios de detalhes, em suas roupas e armas. A movimentação de cada um segue a linha perfeita que suas personalidades exigem. Cada qual é dotado de expressões faciais que são o limiar entre o real e o cartunesco. Enfim, o visual dos personagens de Kingdom Hearts é uma festa. E você vai querer participar desta festa quando vir.

Os cenários do game seguem a mesma linha visual dos personagens, mas aqui uma coisa faz deles ainda mais belos. O “Disney Effect”.

Alem de já serem belos por si só, representam com uma fidelidade inigualável a todos os mundos Disney que o game se propôs a oferecer. E isso traz à tona um efeito nostálgico que nunca se viu em um game. Pois Kingdom Hearts não se utiliza de sua própria história do passado para provocar tal nostalgia, mesmo porque ele não tem uma história para tal. O game se utiliza dos personagens da Disney para fazê-lo, e por conta disso, a nostalgia que Kingdom Hearts causa é algo totalmente diferente do que vemos regularmente no mundo dos games.

O game roda a constantes 30 fps, o que considerando a quantidade de coisas e efeitos na tela ao mesmo tempo, e também considerando que este é um game de RPG, não está nada ruim. Sendo que eventuais slowdowns acontecem, mas isso é tão raro e tão rápido quando ocorre, que o ideal é sequer considerar isso como um aspecto ruim do game.

A graça da Cinderela, mas com momentos do Pateta

Não vou tratar aqui novamente da jogabilidade do game em momentos in-battle, mas sim nos momentos de exploração do game. Portanto, não haverá muito o que dizer aqui.

Quando o game não está em seus momentos de batalhas, normalmente o que devemos fazer é procurar o caminho correto a ser seguido, sempre passando por batalhas. Na verdade, este game poderia ser facilmente considerado um Adventure de ação, ao invés de um RPG, se não fossem certas peculiaridades do game com sistema de elevação de levels entre outros.

Enquanto o jogador procura o caminho correto a ser seguido, o que convenciona-se a ser feito é o caminhar a procura deste. Mais nada. Entretanto devido ao controle macio, as batalhas muito bem distribuídas e a beleza dos ambientes Disney, tal processo de procura raramente fica sendo monótono.

Infelizmente, em certas situações, seja para o seguimento correto do caminho, ou seja para conseguir algum item escondido, é preciso pular de plataformas em plataformas. E é ai que um problema já citado nesta análise volta a aparecer: a câmera.

Não serão raras às vezes em que o jogador vai xingar de raiva porque pela centésima vez errou um pulo porque a câmera o atrapalhou no processo. É claro que este problema aqui não chega a níveis insuportáveis como em Sonic Heroes ou Shadow the Hedgehog, mas incomoda.

Aliás, caso o jogador queira todos os itens é bom que ele explore todos os locais de maneira cuidadosa, pois somente assim vai encontrar boas recompensas e itens mais raros. Por fim, a jogabilidade como um todo é o que já foi dita sobre o sistema de batalhas: muito sólida, mas com o problema irritante que é a câmera.

Detalhes e curiosidades

Bom, este tópico serve mais como um certo auxilio a nível de dicas do que propriamente uma análise.

Em primeiro lugar, observe muito bem os cenários à procura de baús, mas em especial a procura de símbolos que são na verdade “trindades”. Aprenda a lidar com estes pois são muito úteis a nível de recompensas.

Em segundo lugar. Observe que em Traverse Town existe uma casa que não tem nada além dos pais Dálmatas, do desenho 101 Dalmatas. Durante o game é possível encontrar baús que contem três Dálmatas cada. Sempre que você achar estes baús e retornar a esta mesma casa em Traverse Town, irá deixar a quantidade adquirida de Dálmatas para junto de seus pais.

Fazendo isto, além de conseguir, de quantidade em quantidade (não determinada) de filhotes Dálmatas devolvidos, itens para sua jornada; caso consigua reunir todos os 101 Dalmatas vai conseguir a coisa mais rara de todo o game que é…

O “Prólogo”

… um trailer exclusivo de Kingdom Hearts 2, no próprio Kingdom Hearts.

É verdade minha gente! Depois de passar todo o game ansioso para ver o final, e verificar que uma continuação é mais do que necessária para o prosseguimento da história. De quebra o jogador ganha um trailer exclusivo da continuação do game! É pouco ou quer mais? Fala sério!

veja a abertura do game

Conclusão: O que podemos dizer é que Kingdom Hearts não é perfeito, mas é um game que chega MUITO perto da perfeição. É um dos melhores games desta geração e que mostra que a Square quando quer, faz e acontece. É um game que deixou um legado e que teve uma continuação que, pessoalemtne, considero perfeita. Kingdon Hearts nos mostra que o mundo da Disney pode ser tratado de maneira muito madura e adulta, tanto visualmente, quanto psicologicamente. Prova disso é o denso enredo aqui apresentado. Acima de tudo, Kingdon Hearts é um game que mostra que é possível sonhar em um Final Fantasy que seja tão bom, ou até melhor que os do passado, pois nos apresenta um nome que pode ser tão grandioso quanto Hinoburu Sakaguchi e Hideo Kojima um dia: Tetsuya Nomura. Partindo de que este foi seu primeiro game enquanto diretor e vendo virtuoses como Final Fantasy Advent Children em seu curriculum como “manda chuva”, já é possível imaginar o que Nomura pode fazer estando à frente de um Final Fantasy.

Nome: Kingdom Hearts

Sistema: PlayStation 2

Desenvolvedora: Squaresoft

Ano de Lançamento: 2002

Nota da análise: 9.5/10

+ Um visual fera, aliado com uma sonoplastia muito competente

+ Participação especial do maioral da Square: Sephiroth!

+ Um tema musical alucinante e um ambiente verdadeiramente fantástico

+ Sistema de batalha divertido pacas

 A câmera eventualmente atrapalha o jogador.

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