Double Dragon Neon – Comemoração dos 25 anos da série em um game bem inusitado

Publicado: 18/09/2012 por Eduardo Farnezi em Análises, PS3, Xbox360
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Essa semana, chegou para Playstation 3 e Xbox 360 um game que por motivos saudosistas chamou minha atenção, mesmo tendo eu uma enorme aversão por remakes de antigos clássicos.

Disponível para download na PSN Store e Xbox Live, Double Dragon Neon chega em comemoração aos 25 anos da franquia. Considerando que assisti ao nascimento da mesma, considero que estou ficando velho, mas vamos deixar minhas lamúrias para o psicólogo. Se o game merece o nome que possui ou se é somente mais um remake caça níquel é do que aqui tratarei.

Logo de início, mesmo antes de jogar o game, minhas expectativas não eram das melhores. Não somente por meu preconceito nativo para com remakes, assim que vi que, apesar de ser um lançamento, o game estava sendo distribuído gratuitamente para assinantes Plus da PSN, algo em mim me avisava que o pior estava por vir. Como não era eu quem estava comprando o game (o joguei na casa de um amigo), “deixa o pau quebrar”.

Dando início ao jogo, as cenas iniciais me remeteram imediatamente ao clássico Double Dragon. Apesar de contextualizado e de visual bem moderninho, a cena de a pretensão amorosa de Billy e Jimmy sendo raptada na porta da garagem de ambos, para, em seguida, a porta de a garagem abrir, os irmãos de lá saírem e começar a porrada, fará com que os jogadores “old school” arrepiem a espinha dorsal tamanha a carga nostálgica ali presente.

Apesar de toda a nostalgia sentida em poucos segundos de jogo, isso já me passava, novamente, a sensação de que o game seria mais um caça níqueis safado, pegando carona com um clássico dos anos 80 / 90. E nesse ponto eu digo: que bom que eu estava, até esse momento, redondamente enganado.

It´s a good game?!
Gime a “high five”!

A primeira coisa que chama a atenção em Double Dragon Neon é seu visual. Cartunesco, extravagante e extremamente colorido, o game fica no limiar entre o estiloso e o brega. Aspectos que dada a proposta do game, são providenciais.

Tudo no game é propositadamente “over the top”. As cores são fortes e vibrantes ao extremo, mas sem agressão às vistas. Os irmãos
Billy e Jimmy estão sempre soltando piadinhas situacionais, por mais ridículas que sejam tanto as piadas, quanto as situações. Inimigos antes considerados gigantes, o eterno Abobo para os já iniciados em Double Dragon, agora sim está gigantesco e com um visualmente bem mais amedrontador.

Poderia ficar linhas e mais linhas escrevendo inúmeras situações deliciosamente ridículas e forçadas. E são tão deliciosas tais situações justamente pois o game faz com que tais situações sejam propositais e bem humoradas. Esse clima meio “pateta anos 80” afasta Double Dragon Neon de sua séria contraparte “old-school”, dando um novo aspecto ao jogo. Isso deu à equipe de produção uma liberdade muito maior de se trabalhar, pois não obriga-os a se limitar em uma visão já batida por 25 anos.

Apenas para se ter uma ideia, o game tem início com a clássica cena de sequestro já mencionada, mas toma rumos que fazem com que os irmãos Lee enfrentem um chefe final chamado Skullmagedon (?!) que mais parece o esqueleto do He-man, cheio de poderes “sobrenaturais”. Ademais, os Billy e Jimmy podem em Neon, até mesmo evocar um dragão em chamas para eliminar os inimigos da tela.

O que evocar um dragão no maior estilo Golden Axe e o que um chefe com poderes sobrenaturais quer com a amada de ambos, que justifique o sequestro, tem haver com o que se conhece ao longo de mais de duas décadas de Double Dragon? Absolutamente nada. E o game não se importa em explicar. Mas isso não tem importância no fim das contas, pois a justificativa de jornada não é o que conta aqui. A lógica das ações não importa aqui, o que importa é a ação em si e por si.

Assim sendo, despojado por definição e pateta e sem noção por consequência, Double Dragon Neon nos dá uma diversão simples e momentânea. Ora, e não era essa a exata proposta de qualquer outro game Arcade dos anos 80? Neon altera radicalmente a forma de se ver a franquia, mas isso não altera seu propósito, fazendo-o, nesse sentido, algo bem mais interessante do que um simples remake.

O gameplay de Neon teve sua mecânica alterada, afinal, a mecânica do game clássico simplesmente não cabe mais em um game atual. Felizmente, as alterações foram aplicadas com muita cautela, fazendo que não se perca, em nenhum momento, a real sensação de se estar jogando um game Double Dragon, ao passo que, a jogabilidade se tornou mais técnica e refinada em Neon.

Agora é possível se esquivar dos ataques inimigos para contra-atacar, ou mesmo para sair de situações ruins e traçar um novo planejamento de ataque. Isso é algo muito bem vindo à série, pois permite que seja plausível enfrentar hordas de inimigos simultaneamente, o que, por certo, deixa a jogatina bem mais dinâmica e divertida.

É possível também maximizar habilidades, como força física e velocidade do personagem, com o sistema de fitas K7 (sim, fitas de música K7), bem como habilitar “super moves”, como o já mencionado dragão em chamas.

Em algumas fases do game existem locais para se comprar as fitas K7 para evoluir seus personagem, bem como, é possível coletar fitas ao longo do game eliminando inimigos. São muitas técnicas a se coletar/comprar, bem como muitos “super moves” a se conseguir, mesmo que, podendo-se apenas equipar um “super move” por vez.

O “feijão com açúcar” do game também recebeu novas instâncias, sendo possível agora, por exemplo, realizar combos acertando o inimigo ainda no ar. Existe também uma boa variedade de combos a ser realizados, não se limitando apenas a uma sequência pré-definida de golpes como o costumeiro.

Evoluir o personagem e compreender o sistema de combate é obrigatório para conseguir finalizar o game em qualquer dificuldade que não seja a mais fácil. Dito isso, o game possui uma dificuldade um pouco acima da média do que o temos em games de ação atualmente. Apesar disso, os jogadores “old-school” não deverão ter muitos problemas para finalizá-lo, uma vez que Neon não é tão desafiador quanto boa parte dos games anteriores da franquia.

A trilha sonora de Double Dragon Neon é visivelmente inspirada, assim como todo o resto do game, nos anos 80 / 90. Os pontos altos do game nesse quesito são visivelmente remixes das trilhas dos games clássicos, que ficaram muito boas por sinal. Músicas novas também estão presentes, mas apesar de nenhuma ser ruim, jamais se destacam.

Os efeitos sonoros incidentais seguem a linha “over the top” de todo o game, mas não fazer por ele mais do que o obrigatório.  Em suma, sons da pancada descendo solta que deixam o jogador no clima do game.

Infelizmente nem tudo são flores…

O sistema de evolução do personagem se dá de forma muito lenta, pois apenas os chefes liberam itens que podem ser utilizados para que as compras de power-ups e habilidades sejam realizadas. Ademais, somente algumas fases possuem tais locais para compra, assim sendo, é necessário jogar fases e mais fases inteiras para que se possa coletar “dinheiro” o suficiente para comprar as evoluções que se deseja, bem como, é necessário jogar as fases que possuem os locais de compra até se alcance a “vendinha” mais próxima. Isso faz com que o processo de evolução do personagem se torne maçante e burocrático.

Em níveis mais difíceis, os inimigos são muito fortes, podendo zerar o life do jogador com dois ou três golpes. Assim sendo, nesses níveis, o processo de evolução do personagem se torna obrigatório para que se finalize o game, ou seja, serão necessárias algumas horas para que se esteja forte o suficiente para finalizar o game nesses níveis.

Esses fatores tornam o processo de fortalecer seu personagem pouco “orgânico” e prazeroso. Em curto e bom português é um processo maçante, irritante e lento.

Como problema primordial conceitual, Double Dragon Neon não possui um modo cooperativo online. Está ai algo que não consigo entender sobre alguns games lançados para PSN / Xbox Live. Grandes games atuais do gênero como Scott Pilgrim não possuem um modo cooperativo online, enquanto games clássicos relançados como Streets of Rage 2 e Final Fight o possuem. Será que somente eu vejo isso e não consigo compreender alguma lógica ai?

Finalizando

Double Dragon Neon é um game pernicioso para o jogador e para si próprio.
Explico.

Se o jogador old-school conseguir entender que esse não é o game sério que ele jogou há duas décadas, “comprando” assim a ideia de que ele faz por si algo parecido com o que o filme “Os Mercenários” o faz, tirar sarro de si próprio, terá uma experiência Arcade interessante. Caso o jogador não compre essa ideia, ele detestará Double Dragon Neon com todas as suas forças.

Quanto ao jogador mais novo, que não vivenciou a época áurea da franquia nos Arcades, vulgo “jogador de era Playstation”, ele não verá em Double Dragon Neon aquilo que um jogador “old-school” poderá ver. Se assim o for, há muito pouca coisa que Neon possa oferecer a esse jogador.

Double Dragon Neon é um game que não nega que tenta agradar um nicho em específico de jogadores e, de repente, isso explique o baixo valor de compra e o fato de já estar sendo distribuído de graça para usuários “Plus” da PSN.

Quanto a mim, mesmo com os problemas apontados, gostei de Double Dragon Neon. Gostei dessa nova abordagem, para esse game em específico. Só espero que a série, que eu gostaria muito que voltasse a ter um game impactante no cenário gamer, não tente sempre viver de seu passado e que não tente se tornar, de agora para sempre, uma eterna sátira de si própria.

Conclusão: Double Dragon Neon traz uma nova roupagem e um novo clima a uma série que alcança seus 25 anos de existência. Não é um game ruim, pelo contrário, possui suas qualidades, entretanto,  é um game que, se não agrada aos fervorosos fãs de Double Dragon das antigas, pode também não agradar jogadores que nunca jogaram nada da franquia “pré-Neon”, dado seu arrastado sistema de evolução e falta de opção de jogo cooperativo online. É um Beat´n Up agradável, nada mais que isso, que provavelmente passará batido por maioria dos gamers e que com certeza será rapidamente esquecido com o passar do tempo.

Nome: Double Dragon Neon

Sistema: Playstation 3 e Xbox 360 – Mídia Digital

Desenvolvedora: WayForward

Ano de Lançamento: 2012

Nota da análise: 06/10

+ Bom humor escrunchado realmente funciona.
+ Design de personagens bem interessantes.
+ Nova mecânica de batalha.
Falta de um (óbvio! / necessário! / obrigatório!) moddo cooperativo online.
Sistema de evolução de personagens burocrático e lento.
Dependendo do jogador, o humor escrunchado é um ponto negatívo terrível.

Hum… Coração esperto esse…

comentários
  1. helisonbsb disse:

    bons tempos de double dragon!!!!final fight e double dragon foram grandes clássicos do arcade,,,,poderia também acrescentar dragon ninja como outro clássico e também gang wars!!!!show de bola!!!!o importante é a saga continuar!belo post!!!!valeu

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