Resenha – Assassin´s Creed: Renascença

Publicado: 03/10/2012 por Eduardo Farnezi em Resenha
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Título Original:
Assassins Creed: Renaissance

Autor: Oliver Bowden

Tradutora: Ana Carolina Mesquita

Categoria: Romance

Editora: Galera Record

Ano: 2011

Páginas: 378

Sinopse:

Traído pelas famílias que governam as cidades-estado italianas, um jovem embarca em uma jornada épica em busca de vingança. Para erradicar a corrupção e restaurar a honra de sua família, ele irá aprender a Arte dos Assassinos. Ao longo do caminho, Ezio terá de contar com a sabedoria de grandes mentores, como Leonardo da Vinci e Nicolau Maquiavel, sabendo que sua sobrevivência depende inteiramente de sua perícia e habilidade. Para os seus aliados, ele será uma força para trazer a mudança lutando pela liberdade e pela justiça. Para os seus inimigos, ele será uma ameaça que procura destruir os tiranos que oprimem o povo da Itália. Assim começa uma épica história de poder, vingança e conspiração.

Resenha:

Certa data, dando uma de “andarilho urbano” no único shopping da cidade onde resido (o qual carinhosamente chamo de feira livre de concreto), fui até a loja da Saraiva (não, não somos patrocinados por ela), minha livraria favorita da região, dar uma olhada sem compromisso nos livros, me atualizar quanto a preços e afins. Infelizmente tenho um grande problema enquanto dentro dessa livraria: não consigo, nunca, sair de lá sem um livro.

Desta andada em específico eis que me deparo com um livro que chamou minha atenção de maneira hipnótica. Era o livro que iria me fazer gastar aquela noite. O livro era Assassin´s Creed: Renascença.

O motivo de o livro ter chamado minha atenção de maneira tão forte não foi outro se não o fato de eu ser um gamer inveterado e ter acabado de finalizar o segundo game de franquia. Assim sendo, mesmo sem saber absolutamente nada sobre a obra literária que em minhas mãos estava, resolvi levá-lo.

A primeira coisa que notei, por mais bobo que possa parecer, é que a capa do livro é linda. Tenho certeza de que muita gente “julgou o livro pela capa” e o comprou só por conta da mesma.

Iniciando a leitura do livro, como o usual pela sinopse, imediatamente vi que o livro retrataria o enredo do segundo game da franquia, Assassin´s Creed 2. Assim sendo, o livro levaria o leitor a acompanhar Ezio por sua inicial jornada por vingança até encontrar motivos maiores para continuar sua “onda de assassinatos”. Confesso ter ficado um pouco entristecido, pois imaginei, por um momento, que o livro traria algo novo ao storyline dos games, uma nova experiência a se somar com a já adquirida jogando Assassin´s Creed. Não o mau julguei ao perceber isso, pois a culpa tinha sido minha, afinal, não li a sinopse do livro na própria livraria porque não quis. Minha empolgação “não me deixou”.

Bom, de qualquer forma, dei início a leitura do livro e apesar de já conhecer a história que ali iria ler e de achar fascinante a ideia de se usar o meio literário como uma expansão do mundo do entretenimento eletrônico, tive surpresas ao longo da leitura nada agradáveis.

Antes de qualquer coisa já deixo claro que não vou, nessa resenha, tratar de detalhes da história da obra, pois como já dito, ela retrata os acontecimento do game Assassin´s Creed 2. Como se trata de um blog de games, com certeza os leitores que aqui estão já conhecem, se não a história do game, do que a séria se trata. Omitirei portanto explicações e explanações acerca da história.

Bom, já no início da leitura, ficou claro que o livro ficaria apenas no período Renascentista, na Itália, acompanhando tão somente o personagem Ezio. Para quem somente leu o livro, ou mesmo a resenha, ou seja, para quem não conhece o jogo, pode achar estranho a ênfase que dou a esse fato. Entretanto para os já “iniciados” na série de jogos Assassin´s Creed sabe bem que acompanhamos ao longo do jogo não somente Ezio, mas também Desmond, personagem vive nos tempos modernos.

Sim, o livro ignora totalmente Desmond, Animus e, portanto, qualquer referência à importante questão acerca da reminiscência genética, ponto vital para prosseguimento do enredo principal da série de games.

Particularmente não achei isso um ponto negativo em primeira instância, pois sempre achei essa história de reminiscência genética absolutamente ridícula. Sempre imaginei o game sem a necessidade disso. Imaginei portanto que, sem esse vínculo, dadas alterações pontuais no enredo, afinal de contas existem situações na história do game que dependem do Animus para possuírem sentido, o livro se focaria em Ezio e que assim, teria eu uma experiência de Assassin´s Creed sem a necessidade do Animus.

Ledo engano…

O livro acompanha de maneira tão próxima os acontecimentos do game que seu autor não se preocupou realizar as necessárias, e pequenas inclusive, adequações na história, dada a ausência do Animus e de Desmond. Por sorte, a compreensão do todo não é prejudicada e o leitor não ficará desorientado ao longo da leitura, pois Assassin´s Creed 2 não depende tanto do Animus em seu enredo a ponto de destruir toda a compreensão da obra dada a ausência do mesmo. Queria ver era uma obra literária de Assassin´s Creed Revelations sem adequações e sem o Animus

Pode, nesse caso, não ter sido crucial a falta de adequações necessárias para que a história se desenrolasse adequadamente, no entanto, isso mostra certo nível de desleixo, ou mesmo despreocupação do autor quanto a certas questões. Isso poderia ter sido grave e destruir toda a obra.

Outro problema, provinda da necessidade de se seguir o enredo do game “de cabo a rabo” é o “vai e vêm” que o livro gera em quase toda a obra. Como no game, o jogador vai e volta a fim de cumprir as missões, o livro, dada a falta de adequações no enredo a seu novo “ambiente”, o mundo literário, cansa o leitor em diversos momentos por mostrar Ezio em missões, uma após a outra, mesmo que sem grande relevância para o enredo, em um eterno “vai e vêm” de assassinatos.

Entenda, não sou a favor de que, na transição de uma mídia para a outra, hajam tantas alterações, por motivos quaisquer, que matem a obra original por inteiro. Entretanto, adequações sempre serão necessárias para certas transições e não há como fugir disso. Cito aqui dois exemplos: Dragonball: Evolution (uma horrível adequação para os cinemas) e Scott Pilgrim (uma fabulosa adequação para os cinemas).

Outro problema apresentado no livro é a aparente falta de peso, de importância narrativa, em momentos importantes da história. Como o livro tem sua narrativa integralmente na terceira pessoa, momentos de ódio, emoção, tristeza, amor e qualquer outro sentimento que esteja ocorrendo em dado momento, são passados ao leitor por esse narrador. Infelizmente todos de maneira fria e indiferente. Isso é uma falha gravíssima, pois faz com que o leitor não sinta aquilo o que está ocorrendo, fazendo com que qualquer tipo maior de emotividade fique somente enfadonho ou “forçado”.

Não posso afirmar quem é o culpado por essa “frieza narrativa”, uma vez que não tive acesso ao texto original, se o autor do livro, Oliver Bowden, ou se da tradução do livro para o português, que ficou a cargo da tradutora Ana Carolina Mesquita.

Como o livro se passa na Itália, muitas expressões em italiano foram mantidas para dar um charme maior aos diálogos. No entanto, ocorrem por diversas vezes situações que podem deixar o leitor sem compreender o que se passa em dado momento, pois eventualmente frases inteiras durante um diálogo podem estar em italiano. É certo que existe um glossário ao final do livro com todas essas expressões traduzidas, entretanto, não existe nenhum indicativo no livro de que tal glossário exista.

Apesar de todos os problemas literários apontados, importante ressaltar que como o livro se passa na Itália Renascentista, vários pontos turísticos importantes nos dias de hoje são visitados por Ezio em sua época. Tais locais são retratados com riqueza de detalhes pelo autor e, nesse sentido, realmente o livro dá o clima correto enquanto descreve os inúmeros deslumbrantes cenários para os mais variados assassinatos possíveis.

Em suma, não posso recomendar a leitura desse livro para ninguém que já tenha jogado Assassin´s Creed 2. O livro não amplia a experiência vivida pelo jogador em nenhum momento, aliás, a obra literária sequer tem essa pretensão. Para leitores que não jogam ou que não jogaram o game em que se baseia a obra, Assassin´s Creed: Renascença pode proporcionar sim certo prazer, uma vez que, apesar dos percalços com os quais o leitor poderá se deparar, o “main plot” do livro é interessante, sem contar que é um belo passeio turístico pela París Renascentista.

Bom, fica ai a primeira resenha de livros da Canto Gamer. Particularmente, farei mais resenhas sempre visando uma obra literária que tenha alguma ligação com o mundo do entretenimento eletrônico. Deixo claro também que sou um leitor sem nenhuma formação literária, leio por prazer, bem como escrevo tão somente por prazer, portanto não esperem resenhas com estética formal. Leio o livro, tenho lá meus apontamentos acerca do mesmo, venho até aqui e escrevo-os. Simples assim.

Espero que eu não tenha me estendido muito nesse texto e até a próxima!

* Aproveite e leia nossa última resenha de um livro baseado em games: God of War – O Livro.

comentários
  1. Thais disse:

    Estou lendo o livro, mas posso dizer que estou gostando muito. Acredito que com relação às emoções, também fica a cargo do leitor perceber os sentimentos de Ezio com ou sem intensidade… eu já os sinto fortemente…
    Enfim, eu recomendo a leitura pelo menos para quem nunca jogou ;]

  2. Mr.Toyonaga disse:

    Comprei e adorei o livro, mas como citado o livro foca apenas no personagem Ezio, mas não deixa de ser um ótimo livro.

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