Road Rash – velocidade e pancadaria nas estradas neste grande clássico!

Publicado: 18/10/2012 por Eduardo Farnezi em Análises, Mega Drive
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Saudoso Mega Drive de alegrias mil… Saudades!

O ano era 1991, época de plena disputa entre Nintendo e Sega pelo domínio da geração 16 bits. Período esse em que, considero eu (EU! Opinião particular aqui, não estou catequizando nada!),espetacularmente fenomenal. Até então, duas franquias da Sega eram a referência com relação à games de corrida. Com relação à corridas de automóveis, Out Run e com relação à corridas de moto,Hang-On. Ambos os games do mestre Yu Suzuki. Yu Suzuki que aliás, desde Shenmue não faz nada que seja digno de um mestre, mas essa discussão fica pra depois

Mesmo que ambos os games citados sejam conceituados, faltava notadamente algo: a adrenalina de se competir verdadeiramente com adversários. Pois bem medido e bem pesado, o maior adversário, para não dizer o único, do jogador em ambos os games era o “relógio”. As opções que haviam de competição em efetivo nesse gênero na época eram fracas e nem valem a menção.

A revolução dos games de corrida de automóveis surgiu em 1992, com o lançamento de Top Gear, da Kemco, para o Super Nintendo. Já a revolução para os games de corrida de “motocas” veio no dito cujo ano de 1991, com o game que me proponho expor aqui hoje: Road Rash.

Desenvolvido pela Eletronic Arts, lançado em 1991 para o Mega Drive, Road Rash se tornou um instantâneo clássico do mundo dos videogames. Um game de “rachas” (corridas de rua) de motocicletas, inovador em vários aspectos, elegante e viciante, mostra o quanto a parceria entre Sega/E.A. era frutífera e o porque de essa parceria causar saudades em jogadores Old School.

O jogo já nos mostra que a que veio, logo ao ligarmos o console. A tela inicial do game se abre e mostra dois motoqueiros, um agredindo o outro, em algum lugar no deserto. Acompanhando a tela inicial, rola uma música que ao certo dá todo o clima do game.

Quando digo que essa tela é um resumo do game como um todo, digo isso literalmente. É exatamente o que foi descrito acima o que o game nos proporciona: Corridas em motocicletas furiosas, almejando a vitória, lutas alucinantes, enquanto uma música, sempre muita boa, dá o tom da ação. Parece simples, entretanto, após a série Road Rash, nunca mais um game reuniu esses atributos de forma tão coesa e divertida.

O game oferece cinco diferentes localidades para disputarmos as corridas, variando entre cenários no deserto e cenários “florestais”. Nada de cenários urbanos por aqui. Cada corrida possui um percurso a ser percorrido, saindo de um “ponto A” até um “ponto B” pré determinado dada a distância em milhas do percurso.

Em cada corrida enfrentamos, sim, enfrentamos, quatorze adversários pertencentes a uma gangue. O objetivo é ser qualificado entres os três primeiros em cada corrida. Feito isso nos cinco cenários à escolha, uma nova gangue será enfrentada, com motos mais rápidas e motociclistas mais agressivos, nos mesmos cenários, mas dessa vez com sua milhagem extendida.

O mais interessante e interativo em Road Rash é o aspecto “porrada”. O botão “C” do controle serve exclusivamente para “descer o cacete” nos adversários! Existem até mesmo variações de golpes! É possível dar um soco frontal, um soco cruzado e até mesmo um chute na moto adversária. Tanto o saco cruzado, quanto o chute podem ser carregados para aumento de força do golpe. Ambos os socos tem como objetivo acertar a cara feia do adversário, enquanto o chute visa desequilibrar o adversário, útil para jogá-lo em algum entreposto no cenário para fazê-lo cair. Mas fique de olho bem aberto, pois tudo o que você pode fazer com o inimigo o inimigo IRÁ fazer com você.

Armas também podem ser utilizadas. Temos a disposição, apenas para citar alguns, um bastão de baseball e uma corrente, que é a arma mais forte do jogo. Para pegá-la, basta dar um soco no inimigo, no dado momento em que ele for lhe acertar com a arma. E depois disso lembre-se de quebrar a cabeça do “filho da (…)” com a própria arma. É uma delicia!

O cenário em si pode, e irá atuar contra o jogador. São muitos os entrepostos na pista que podem fazer o jogador cair e perder um tempo valioso! Árvores, animais (maldita vaca!), óleo na pista e placas de sinalização são alguns dos exemplos do que podem lhe atrapalhar. Isso tudo sem contar com o tráfego. São carros que podem estar indo na mesma direção que você, e que podem estar seguindo na direção oposta, tudo depende de que faixa da pista o jogador estará correndo. E aqui vai um conselho de amigo: tente sempre se manter na faixa de rolamento que segue na mesma direção em que está correndo, pois a pancada com um carro em sentido oposto é mais feia do que batida de trem.

A geografia do cenário, além de ser um fato inovador e interessante, também pode conspirar contra o jogador, pois é possível que, por exemplo, em uma subida íngreme da pista, a mesma esconda um carro que esteja vindo em sua direção, o que rende além de uma pancada bem feia, uns palavrões bem belos…

Ao cair da moto, o motociclista tem de correr até a moto, levantá-la e voltar à corrida. Nada de recomeçar “piscando” e invencível por alguns segundos já na moto. Enquanto o motociclista tenta alcançar a moto é possível que ele ainda seja atropelado, ou por um carro, ou por um adversário, e que assim caia e leve mais tempo ainda para alcançar a motocicleta.

Como pincelada final sobre os enguiços que se pode encontrar durante uma corrida, temos o maldito do policial que faz de tudo para nos prender. Caia da moto perto dele e é cadeia na certa. Caso vá “em cana”,só pagando fiança para sair do “xadrez”.

Na tela da TV, durante a corrida, temos na parte inferior os retrovisores da moto, com a imagem do que está acontecendo na pista e as informações do velocímetro da moto, milhas percorridas em pista, posição na prova e o tempo em minutos de corrida até o momento, isso tudo para a melhor orientação do jogador. Também temos as informações de life do jogador, life da moto e life do inimigo mais próximo de você no momento. Isso mesmo: Life, HP, “Barra de vida”, chame como preferir.

As informações de life e do jogador e do competidor inimigo servem para determinar o quão perto estão de cair da moto. Caso o life esteja próximo do fim, a próxima pancada que qualquer um dos dois receber resultará na queda do saco de pancadas humano.

A informação de life da moto serve para determinar se ele aguentará mais uma queda, ou se a próxima queda será o fim da corrida. Caso o jogador caia da moto e o life da mesma acabe, ela explode e será necessário gastar verdinhas para o reparo.

Viu só quanta coisa temos para nos atrapalhar durante nosso caminho para a vitória certo? “E o que temos para nos ajudar?” você, leitor, me pergunta. “Nada” eu te respondo, ou melhor, até temos algo sim:nosso braço! A única salvação é correr melhor do que nossos adversários e descer a cacete neles!

É justamente essa urgência, esse clima de tensão, o ponto forte do game. É necessário gerenciar, ao mesmo tempo, a corrida, os inimigos, as pauladas que terá de aplicar, se cuidar para não levar uma pancada, cuidar de seu equipamento, prestar atenção na pista, não ser pego pela polícia, e por ai vai. Isso pode parecer algo até corriqueiro para os padrões de hoje, mas lá em 1991, Road Rash fez escola!

Após cada uma das corridas, temos as informações de quanto dinheiro ganhamos na corrida, de quanto temos no total e a senha. Tratamos aqui de uma época pré-memory card meus amigos. Games que tinham como “save point embutido” ou como eram conhecidos na época, “baterias“, eram raríssimos. É também após uma corrida que se pode investir o dinheiro na compra de uma moto nova, item mais do que necessário para prosseguir no game.

Cada uma das opções de motos a se comprar se distinguem pelos seguintes aspectos primordiais:

Dirigibilidade: Quão fácil ou difícil era controlar a moto na pista.
Resistência: Quantas quedas cada moto agüentaria antes de explodir.
Velocidade e Aceleração: Dispensável explicar esse certo?

Não existe essa divisão por tópicos no jogo, mas sim um texto explicativo sobre cada motocicleta, entretanto, no geral, esses são os tópicos que nos fazem decidir por uma ou outra moto.

A moto mais desejada era a Diablo! (Sentiu a presença né?) É uma moto difícil de controlar e pouco resistente, mas sua velocidade e aceleração eram fantásticas! Uma moto para quem tinha a manha do game.

Durante as corridas, não existem os sons dos motores das motos, o que impera nesse aspecto são as músicas, todas muito boas por sinal. Cada cenário tem a sua música própria, invariável. Não sei quanto a vocês, mas nunca me incomodou a falta do som das motos, mesmo porquê, isso no chip de som do Mega Drive seria insuportável. Achei, particularmente, de muito bom gosto trocarem o som das motos pelo som de uma boa música no game.

Cada música realmente nos deixa no clima da corrida, nos incentivando ainda mais a descer a mão nos adversários e correr como nunca em prol da vitória.

Em Road Rash são duas as formas de você ver lascado na sua cara na tela um Game Over: Não ter dinheiro suficiente para pagar a fiança caso seja preso, ou não ter dinheiro o suficiente para pagar pelos reparos de sua moto após uma explosão em corridas. Entretanto, isso só ocorrerá se você for ruim demais, pois os valores cobrados são mais simbólicos do que preocupantes.

Quanto ao visual do game, ele não tem nada demais, mas também não tem nada de menos. Fato é queRoad Rash faz exatamente o que precisa para não ter reclamações quando ao seu visual, além de ser bem elegante. Visual esse que foi bem melhorado na segunda versão do game, que na tela é bem mais “clean”.

Cada uma das gangues tem um uniforme e suas motos são de cor padrão, deixando somente o jogador de fora dessa padronização. As cores do jogador dependerão da moto selecionada, não cabendo ao jogador escolhê-las ou mesmo editá-las.

A jogabilidade é precisa e simples. Graças a isso é possível correr e bater ao mesmo tempo, sem que um atrapalhe o outro. Com certeza esse é o grande ponto forte do game e com certeza é por esse aspecto que Road Rash se tornou uma lenda no mundo do entretenimento eletrônico.

Foram lançadas três versões do game para o Mega Drive, uma excelente versão para o 3DO que também teve ports para o Saturn e Playstation. Além disso, algumas versões tridimensionais para Playstation, PC, Nintendo 64 e PSP viram a luz do dia. Dentre essas, destaque claro para as duas primeiras versões para Mega Drive (a segunda é fantástica!) e para a versão para o 3DO, considerada por muitos a melhor dentre as versões já lançadas.

As versões tridimensionais, sem exceção, são horríveis! Em especial Road Rash 64 que é extremamente ridícula! A versão para PSP, Road Rash Replay, é uma releitura da segunda versão do Mega Drive, e sendo assim, recomendada para qualquer pessoa que goste da série e que tenha um PSP.

Fica aqui a análise do marco inicial de uma série que marcou uma geração de jogadores, e que, com sorte, retorne tão grandiosa o quanto merece.

Como curiosidade: Rola por ai um vídeo que, supostamente, mostra um beta tester de uma versão deRoad Rash que estaria sendo desenvolvida para a nova geração de consoles, projeto esse que, por algum motivo, teria sido cancelada pela E.A. Você pode ver o video clicando aqui.

Conclusão: Com uma jogabilidade sólida, inovadora, viciante, charmosa e sobretudo original até “o talo”, Road Rash se destaca dentre os games de corrida até hoje, mostrando, mais do que nunca, que criatividade e originalidade são MUITO mais importantes do que qualquer outro fator sumariamente técnico em um game. Esqueça as versões mais modernas dessa série, vá direto às suas origens e permita-se viciar!

Nome: Road Rash

Sistema: Mega Drive

Desenvolvedora: Eletronic Arts

Ano de Lançamento: 1991

Nota da análise: 10/10

+ Jogabilidade com respostas perfeitas; Toda a urgência e tensão criados pelo game durante as provas
+ Músicas envolventes; “Porrada neles!”
 Honestamente? Nada!

comentários
  1. Rose disse:

    Eu jogava muito no saturno.

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