Pit Fighter – um marco na história dos games de luta!

Publicado: 23/10/2012 por Eduardo Farnezi em Análises, Mega Drive
Tags:, , , , ,

Para você, fã de games de briga de rua, e que acha que o ápice desse gênero é Def Jam: Fight for New York (é o que a maioria pensa, e isso é um fato), permita-me apresentar o game que PARTICULARMENTE acho que é o antecessor espiritual desse game, dadas tantas ideias similares entre ambos. Apresento-lhes Pit Fighter.

Lançado no início da década de 90 para Arcades, com versões posteriores para Mega Drive, Super Nintendo, Spectrum, Commodore 64, Game Boy e Master System, Pit Fighter surgiu como um game diferenciado para sua época, esbanjando estilo visual, e se tornando um dos primeiros games da década de 90 a ser taxado de “ame ou odeie”.

Lançado em uma época em que games de luta não eram tão populares, popularização essa que somente viria com Street Fighter 2, surge Pit Fighter. A primeira coisa que de cara chamava a atenção era a possibilidade de, em um game de luta, se jogar com mais dois amigos simultaneamente no Arcade. Isso era algo comum em games Bean´t Up como TMMT por exemplo, mas nada convencional em um game de luta.

Ao contrário das dezenas de personagens que todo gamer atualmente exige em um game de luta, em Pit Fighter temos a escolha três personagens, seguindo o velho padrão de seleção de personagens de um Beat´n Up: Um personagem lento e muito forte; Um personagem rápido e muito fraco fisicamente; E um personagem que equilibrava melhor esses dois atributos. Padrão esse que, em Beat´n ups foi e é usado exaustivamente: Final Fight, Streets of Rage, Fighting Force…. A lista vai longe.

Buzz é o personagem mais forte do game, no entanto é também o mais lento. Seus movimentos de luta se baseiam em poderosos throw moves. Seu estilo de luta é Luta Livre. Ao ser selecionado, Buzz tinha a animação mais inventiva dos três, ele “quebra” o quadro de seleção em que se encontra.

Ty é o personagem equilibrado do game. Seus movimentos de luta se baseiam em chutes e voadoras. Seu estilo de luta é o Kickboxing. Quando selecionado, Ty chuta frontalmente a tela e seu pé sai do quadro de seleção. Um efeito interessante também.

Kato é o personagem mais ágil do game, no entanto é também o mais fraco. Seus movimentos de luta se baseiam mais em combos rápidos com as mãos. Seu estilo de luta é classificado no game como “Faixa Preta” (Whatahell?!). Quando selecionado, sua animação é similar a de Ty, mas seu movimento para fora da tela de seleção que o contém é com as mãos.

Todos os três personagens se vestem somente com uma calça que tem relação com o seu estilo de luta próprio. Tão somente isso. Os três sem camisa (Whatahell?!). Buzz e Kato usam botas, Kato usa luvas. Não há customização, óbvio! A única diferença é a relação “Posição de controle X Cor da calça”. O primeiro player fica com o seu personagem de calça vermelha, o segundo player azul e o terceiro player amarelo (Hehe!).

Antes que perguntem: Sim! O design dos personagens principais foi, e é, um dos pontos de maior controvérsia do game pelo excesso de simplicidade, ou falta de criatividade mesmo. Mesmo porque, destoa de todo o resto do elenco. Sim, elenco! Os inimigos.

Em Pit Fighter os jogadores escolhem entre um dos personagens acima discriminados e saem no braço contra os inimigos, estes sim, com um índice de criatividade maior de design, apesar de uns deslizes meio feios. O melhor desses inimigos com certeza é Angel. Nem sei se ela é a melhor em design entre todos, mas é, com certeza, a que mais me agrada. Não me importaria de apanhar um pouco dela e…. Enfim, deixemos meu momento masoquista para outro momento e voltemos ao jogo.

Todos os inimigos têm nomes que davam ideia de que eles não são flor que se cheirem. De cara, o primeiro inimigo tem o nome de “O Executador”. Sentiu o clima né?

Aliás, visual e “clima” me levam ao grande trunfo de Pit Fighter: O Visual. Os desenvolvedores foram muito felizes nesse aspecto. Como o game trata de brigas de rua, espectadores e utensílios para espancar o adversário sempre mais do que bem vindos, são obrigatórios. E Pit Fighter tinha ambos. Os espectadores são o mais interessante aqui. Eles ficam em volta do ‘ringue’, que não é propriamente um ringue, mas sim um ambiente urbano próprio para a pancadaria, gritam, torcem, vibram e interagem. Isso mesmo, interagem.

Caso o jogador, ou o inimigo, tentem se esconder, ou sejam jogados na galera, ela o empurra de volta para o ringue para que a carnificina continue. Além disso, os espectadores descem o cacete no lutador. São facadas e pauladas doloridas. É possível também descer a mão em um ou outro da galera para pegar a arma que o espectador portava. Interatividade como essa em um game de meados dos anos 90! Fala sério rapaz!

No ringue encontramos facas, bastões, estrelas ninjas (pelo menos parecia isso), caixas, barris e até mesmo uma moto (Whatahell?!) que podiam ser usados para ser jogados no inimigo e fazer aquele estrago. Mas cuidado! Os inimigos podem e usam tais armas contra o jogador.

O item mais desejado por certo é o Power Up, que deixa o lutador invencível e mais forte por um determinado período de tempo. Assim como todos os outros itens, tanto você quando o inimigo podem usá-lo, e isso não é nada bom, pois normalmente, se o inimigo o usa, o couro é feio malandro! Tal item é interessante e útil, mas bem destoante do resto do game que tenta visar algo mais real. Em uma análise fria, era bem melhor não existir tal item no game.

Com relação aos lutadores em si, é ai que a grande sacada visual do jogo se encontra. Foi a primeira vez (eu acho) que a técnica de digitalização de pessoas reais para dar vida a um personagem de game foi utilizada. Graças a isso, o visual dos lutadores é fantástico! No Arcade, onde os lutadores são enormes na tela, isso fica evidente. Mesmo no Mega Drive é algo belo de se ver, apesar da grande perda se comparado ao original.

Infelizmente o pioneirismo tem o seu preço (o Dreamcast é quem o diga). A digitalização ficou boa, o visual é fantástico para um game tão antigo, no entanto, a movimentação dos personagens é longe de ser fluida, dando a impressão que são bonecos na tela. O game no Arcade, nesse sentido, fica até pior do que no Mega Drive, pois os personagens são muito maiores na tela, e a sensação estranha da movimentação dos personagens, portanto, amplificada.

A jogabilidade de Pit Fighter também foge ao padrão dos games de luta, assimilando-se muito mais a um game Beat´n Up. São três botões básicos: Um para soco, um para chute e um para pulo. A movimentação é livre: Para cima e para baixo, para esquerda e direita. A mesclagem desses comandos produzia golpes diferentes mas sempre seguindo um mesmo padrão: jogar o inimigo ergendo-o sobre sua cabeça e o jogando depois, uma voadora e o golpe especial de cada um, que consistia em um movimento mais forte, seguindo a especialidade de cada um, ou seja, Buzz realiza um Throw poderoso, Ty um golpe voador chutando duas vezes o inimigo e Kato um combo rápido com socos.

Com relação ao especial, sempre depois de acertá-lo no inimigo com sucesso, Buzz, Ty e Kato realizam uma pose que os deixam momentaneamente parados, o que rende bons sopapos na cara quando lutamos contra mais de um inimigo ao mesmo tempo. A jogabilidade de Pit Fighter é o principal motivo para que o game entre na lista dos games “ame ou odeie”. Para muita gente, a jogabilidade simples é o grande charme de Pit Fighter, no entanto, para muita gente, a jogabilidade é desleixada e mata o jogo inteiro. Nesse caso, a escolha é muito particular, eu gostei.

De duas em duas lutas temos uma batalha bônus. Uma luta contra um clone nosso com outra cor de roupa. Nessa luta, quem cair três vezes primeiro perde. Caso esteja jogando com um ou dois amigos, a luta é entre vocês e o último e ficar de pé é o vencedor. Meio fora de contexto essa luta…

A pontuação aqui é representada por dinheiro, afinal, o que mais um lutador de rua quer? São as verdinhas mesmo rapaz!

As músicas de Pit Fighter não são nada demais, servindo tão somente para dar o clima da pancadaria. Entretanto, quem for Old School como quem aqui vos fala, não deixará de ter aquela ponta de nostalgia ao jogar a primeira luta e ouvir aquela musiquinha novamente.

Saudades, saudades….

Pit Fighter, para a época, foi um game relativamente violento, com muito sangue e crueldade durante as lutas. Lembrando sempre que este é um game pré-Mortal Kombat e que violência explícita em um game começou somente de lá para cá, sendo assim…

Dentre as versões caseiras que Pit Fighter ganhou, a melhor em disparado foi a de Mega Drive, apresentando som, jogabilidade e visual muito superiores às outras conversões. Falando nessa versão, aqui no Brasil foi por ela, lançada em 1991 que muita gente conheceu o jogo, uma vez que, até onde eu sei, nosso país não teve uma máquina de Arcade de Pit Fighter.

Enfim, é isso. Vou ficando por aqui. Deixo aberto o fórum para eventuais discussões sobre o game e sobre a nota que darei ao game, pois sou um dos grandes fãs desse saudoso representante das pancadas virtuais. Para os fãs de Def Jam fica aqui a dica: Experimentem Pit Fighter, pois é o único game que tem o mesmo espírito que o já mencionado game das atuais gerações de pancadaria de rua.

PS: Se conseguirem derrotar a todos, vocês ganham no fim do game uma chuva de dinheiro e duas gatas (nhami!). Pena que ambos os prêmios ficam só do lado de lá da tela. Hehe!

Conclusão: Pit Fighter foi um marco na história dos games. Um game de luta que ousou ser diferente em uma época que games de luta não possuíam o prestígio do qual gozam hoje. Com um visual refinado e uma jogabilidade que causa amor ou repulsa de um jogador, Pit Fighter merece um lugar de respeito no seleto grupo de clássicos Old School, berço de ouro da ascensão do mundo videogamístico.

Nome: Pit Fighter

Sistema: Mega Drive

Desenvolvedora: Tengen

Ano de Lançamento: 1990

Nota da análise: 9/10

+ Visual inovador e pioneiro; Cenários Urbanos para pancadaria, algo inovador na época
+ Espectadores interativos e que descem o cacete mesmo!
 Honestamente? Movimentação truncada dos personagens

comentários
  1. rodrigo disse:

    Esse jogo tinha uma jogada insuperável. Escolhia o Ty . Ficava na frente do inimigo e com 2 toques no direcional, ele dava uma estrela, ficando nas costas do adversário. Antes que ele fizesse algo, dava cotoveladas e ele não tinha defesa. Era KO em 10 segundos.

  2. dpsilvabh disse:

    Esse jogo era muito bom. E ele tinha versão arcade sim. Só jogávamos no fliper. Até surgir uma máquina ao lado q bombava… Era Street Fighter 2… Aí, tchau Pit Fighter.

  3. Gabriel disse:

    A Steam ta dando jogo de graça é só clicar!

    http://stmgames.net/index.php?id=21422

    Ajuda ae pessoal, Plz!!!

  4. Anônimo disse:

    Cara que nostalgia kkkkkk
    mas eu joguei muito pit fighter em arcade

  5. Pozza disse:

    Tenho a ROM deste jogo (versão arcade – a de fliperama) salvo no PC e no e-mail. Qualquer coisa, só baixar o MAME (emulador), resgatar a ROM e jogar. Esse CLÁSSICO é eterno aqui em no meu PC!

  6. fernando.acarvalho27@gmail.com disse:

    Nossa você traduziu o jogo no seu texto. para ajudar a galera mais nova a entender o quanto era bom esse jogo.
    saudade demais de um tempo que a velha guarda se amontoava em um fliper.
    o tempo passa muito rápido. eu nunca acreditava nisso. mas acontece.

  7. Anônimo disse:

    Tinha esta arcade aqui sim. Joguei muito.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s