Silent Hill: Shattered Memories – releitura do primeiro jogo da série resgata o clima de ‘survivor horror’!

Publicado: 31/10/2012 por Márcio Alexsandro Pacheco em Análises, PS2, Wii
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* análise escrita no lançamento do game

Fãs da Nintendo e da série Silent Hill podem comemorar, pois chegou ao mercado o último game da franquia: Silent Hill: Shattered Memories, pela primeira vez no Wii (e num sistema Nintendo), assim como também para PlayStation 2 e PSP

Mas não vá pensando que é um game inédito na cronologia da série, o que temos aqui é um remake, ou melhor, como disseram os produtores, uma “reimaginação” do já antológico primeiro Silent Hill, lançado em 1999 para PlayStation. Produzido pela Climax Studios – a mesma responsável por Silent Hill: Origins e que anunciou para o ano que vem o revival do jogo de Mega Drive Rocket Knight – contou com uma equipe composta por mais de 55 pessoas e uma rede de apoio com mais de 90 artistas.

A pergunta que não quer calar é: será que essa galera toda conseguiu recriar de forma competente essa obra-prima da Konami? A resposta é sim, não só conseguiram reimaginar a narrativa do game original, sob uma nova perspectiva, como também apresenta gráficos maravilhosos e aproveita bem os controles do Wii. Possui algumas mudanças e falhas que farão os fãs mais devotos reclamar, mas mesmo assim é um ótimo título para o seu Wii e nós o recomendamos.

Memórias fragmentadas de terror

Você assume novamente o papel de Harry Mason (agora um pouco diferente, usando óculos), que sofre um acidente de carro e quando acorda percebe que sua filha desapareceu. Desesperado Harry vai até a misteriosa e assustadora cidade de Silent Hill à procura de Cheryl. A história é basicamente a mesma, porém os eventos não ocorrem da mesma maneira, personagens possuem papéis diferentes e novos elementos foram adicionados à narrativa. Claro que muita coisa do original estará presente, um pouco distorcido, mas está lá. Algo bem interessante que a Climax incorporou é que o jogo “joga com você tanto quanto você joga com ele”, segundo as próprias palavras da empresa. Não se preocupe que ninguém vai “plugar” um controle em você e sair te controlando, o que acontece é que em alguns momentos a ação do jogo será cortada para uma sessão psiquiátrica. Você está em uma sala, com um médico nada ortodoxo fazendo perguntas pessoais sobre a sua vida, medos, esperanças e até sobre sua vida sexual.

Dependendo das suas respostas, o game vai te “analisar” e se adaptar ao seu perfil e tendo efeitos em vários aspectos, como personagens, atitudes e roupas. Afinal, o que pode ser mais assustador do que um game que sabe o que te amedronta? Por exemplo, a policial que você encontra pode estar em um momento amigável, em outro pode estar fazendo o papel de policial durona. Certamente uma sacada genial da Climax e uma inovação bem-vinda para a série,  mas que seria mais interessante se houvesse mudanças mais radicais, especialmente na mecânica do jogo nos pesadelos (já chegamos lá), que não muda muito e aumentaria ainda mais o fator replay do game.

A parte gráfica é um dos pontos altos do jogo, com destaque para a sua principal protagonista: a cidade de Silent Hill. Ela continua aparentemente abandonada e assustadora, coberta de neve e uma densa neblina, já marca registrada da cidade-fantasma. Os cenários estão muito bem feitos, a cidade está bem construída, com uma atmosfera bem escura e assustadora, tudo sem loading times demorados. O nível de detalhes é incrível, com objetos jogados, figuras, pôsteres nas paredes, papéis perfeitamente legiveis entre outros detalhes. O design dos personagens e monstros também estão excelentes e fazem bonito na tela. O uso de luz e sombras é um dos melhores já feitos, com uma mecânica totalmente imersiva para o jogador, o que nos leva para a análise da jogabilidade.

Fuja dos monstros!

Você controla Mason de maneira bem eficiente e fluída, com uma visão de terceira pessoa e movimentando a sua lanterna com o Remote. Apontar a luz da lanterna aqui e ali, iluminando locais escuros e fazendo novas descobertas é um dos elementos mais legais do jogo, além de possuir um visual fantástico, com a luz refletindo em certos objetos e o efeito de sombras nas paredes.

Você também pode usar um telefone celular, que pode tirar fotografias (e até fazer revelações interessantes), aproximar objetos para melhor observá-los e fazer ligações (inclusive de números que estão espalhados pela cidade). Ele possui também um sistema GPS pare te localizar nos cenários. Há vários puzzles, mas nenhum realmente muito desafiador, mas são divertidos e bem intuitivos. Os cenários possuem várias pistas que serão utéis para a resolução dos vários enigmas, então vasculhe tudo que encontrar pela frente.

Silent Hill não é apenas uma cidade abandonada, mas também é uma cidade fantasma, com intensa atividade paranormal. Enquanto você explora os cenários, você vai encontrar objetos com fortes emanações espirituais. A luz da sua lanterna irá piscar e o som de estática poderá ser ouvido do speaker do Remote, levando você a encontrar a fonte desse distúrbio, muitas vezes arrepiantes, podendo receber uma mensagem de voz ou texto para ajudar a explicar a assombração. Um bom exemplo é o fantasma de uma menininha em uma balança, que só pode ser vista quando você tira uma foto. Brrrrrrrr

Um elemento que tem recebido muitas críticas é o fato de Harry ser um “bundão”. Pois é, o sistema de combate foi totalmente removido e tudo que Harry pode fazer é fugir dos monstros. Ele pode também correr, pular, escalar e empurrar para escapar dos seus perseguidores, que geralmente chegam em bandos e não podem ser feridos. A Climax tentou, de uma maneira bem ousada, criar uma atmosfera mais tensa para os jogadores, mas um sistema de combate, por mais simples que fosse, fez falta. Essas fugas são uma espécie de pesadelos em que Harry precisa fugir de um labirinto infestado de monstros. Esses são os únicos momentos em que Harry é ameaçado e infelizmente são todos meio parecidos e após um tempo tornam-se repetitivos.

A trilha sonora está impecável, criando uma atmosfera tensa e assustadora perfeita. Os fãs vão gostar de saber que ela foi composta por Akira Yamaoka, que já compôs a trilha sonora de quase todos os games da série. Dos 21 temas, temos um cover da clássica “You always on my mind”, cantada pela veterana dubladora Mary Elizabeth McGlynn, além de três outras canções. E falando em dublagens, elas estão com uma atuação fantásticas, todos os personagens estão bem caracterizados e transmitem bem as emoções necessárias durante o jogo.

veja a introdução do game

Conclusão: Silent Hill: Shattered Memories é um retorno aos conceitos do game original, que foca principalmente a tensão psicológica do jogador. Possui a mesma história básica, mas sua narrativa foi alterada, criando novas perspectivas, ficando bem envolvente com novos finais e intrigas. Ele não é mesmo Silent Hill que te assustou há mais de 10 anos, mas com certeza possui seus momentos arrepiantes e atmosfera sombria. Mesmo com os seus defeitos como as fugas que se tornam repetitivas e de ser meio fácil e curto – cerca de 5 ou 6 horas de jogo – o novo título da franquia é facilmente recomendado para quem quer levar uns bons sustos e acompanhar uma história com momentos incríveis neste novo início da franquia.

Nome: Silent Hill: Shattered Memories

Sistema: Wii, PS2

Desenvolvedora: Climax Studios

Ano de Lançamento: 2009

Nota da análise: 9/10

 + Apesar de ser baseado no primeiro Silent Hill, é um jogo totalmente diferente

+ Visuais, sons e dublagens excelentes

 Jogabilidade limitada, é meio curto

 Você encontra vários objetos que não tem função prática


the survival horror is back to the town

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