Crítica – Prometheus – apesar das falhas infantis no roteiro, filme é uma boa aventura espacial

Publicado: 04/12/2012 por Márcio Alexsandro Pacheco em Crítica/Filmes
Tags:, , , , , ,
MV5BMTY3NzIyNTA2NV5BMl5BanBnXkFtZTcwNzE2NjI4Nw@@._V1._SY317_
Prometheus (Prometheus, Reino Unido, 2012)

Gênero: Scifi

Direção: Ridley Scott

Duração: 124 minutos

Atores: Noomi Rapace, Michael Fassbender, Guy Pearce, Idris Elba, Logan Marshall-Green, Charlize Theron

Trailer: Clique aqui

Site Oficial: Clique aqui

 

Assisti recentemente “Prometheus”, que estreou nos cinemas em junho (sim, faz tempo, eu sei), um prequel para a série Alien. Então se você ainda não viu o filme ou está em busca de informações/opinião sobre o mesmo, essa crítica é justamente para você. Não se preocupem, evitarei os spoilers (no final do texto colocarei minhas opiniões com spoilers, para quem interessar).

Dito isso, já aviso que sou cinéfilo, e mais importante, um grande fã de scifi e da franquia Alien (e não um crítico qualquer que nunca assistiu scifi). Prometheus marca a volta do grande diretor Ridley Scott ao universo da série “Alien”, sendo o seu primeiro filme de 1979, o cultuado “Alien: O Oitavo Passageiro”. Scott também é responsável por outros clássicos, como “Blade Runner”, “Gladiador” e “Falcão Negro em Perigo” (esses dois últimos mais moderninhos).

prometheus-cena-2

Antes de mais nada, para os que esperam ver referências aos quatro filmes da série Alien (em especial o primeiro), não espere por muita coisa. Ellen Ripley? Pode esquecer, nem uma citação sequer (o filme ocorre no ano de 2093, um ano depois do nascimento de Ripley no universo da franquia). E acho isso uma escolha acertada, afinal, a heroína destemida e corajosa interpretada por Sigourney Weaver já teve toda sua história contada, que finalizou com a sua morte no meia-boca “Alien 3” (nem vamos citar aqui o Alien 4: A Ressurreição, que nunca devia ter saído do papel). Está na hora de novas abordagens, e não de “reboots”.

Mas de qualquer forma, temos novamente uma mulher como protagonista, a jovem cientista Elizabeth Shaw (Noomi Rapace), que diferente de Ripley, é bem ingênua e desinteressante como personagem (a atriz até faz um bom trabalho em sua interpretação), especialmente quando comparada com Ripley. Mas pior que Shaw, temos a personagem da bela Charlize Theron, a patricinha mimada e líder da missão, Meredith Vickers, que não faria falta nenhuma se não estivesse no filme. Ela não é vilã, também não é mocinha e não faz nada durante todo o filme que possa afetar a história de algum jeito. Está lá apenas para “encher linguiça” numa nave (a Prometheus) com 17 tripulantes (a Nostromo, do primeiro filme, tinha 7). Até a sua cena final é uma das mais estúpidas que já vi num filme.

Charlize-Theron-10Mai2012_02

a bela Charlize Teron e sua personagem medíocre Meredith

Aliás, equipe essa a mais amadora que já se viu numa missão de exploração espacial zilionária (a bagatela de 1 TRILHÃO de doláres – tá certo que a nave é super moderna, mas não dava pra escolher uma equipe melhor não?). Além de Shaw (uma cientista com dilemas entre ciência/religião), temos também o cientista Charlie Holloway (Logan Marshal-Green), que nos primeiros infortúnios da sua missão, desiste de perseguir o sonho da sua vida, o que não casa com o perfil de um cientista. Um geólogo que mexe com GPS (e cheio de aparatos de mapeamento avançados), mas que acaba se perdendo dentro de uma caverna. Um biólogo, que morre de medo de um cadáver de dois mil anos, mas que fica brincando com uma criatura alienígena desconhecida (e claramente perigosa) como se fosse um filhote de cachorrinho.

Essas, e outras falhas/incoerências (como um briefing da missão quando estão CHEGANDO ao seu destino…), podem ser explicadas pela dupla responsável pelo roteiro: Jon Spaiths e Damon Lindelof, especialistas mais na arte de perguntar do que responder, vide a série “Lost”. Nenhum dos personagens possuem grandes carisma, mas nem tudo se perde, o androide Data David (Michael Fassbender) é certamente o personagem mais interessante da narrativa. Um ser sem emoções, mas complexo, existencialista, curioso e com um senso de humor cínico, David consegue ser mais humano do que a sem graça Meredith.

Prometheus-02Mai2012

o androide David, fã de Lawrence da Arábia, consegue ser o mais interessante dos personagens

Já o personagem Space Jockey, o gigantesco alienígena que apareceu rapidamente no filme de 79, é o tema central da narrativa, e consegue ser bem interessante e despertar a curiosidade do telespectador, com perguntas como “de onde viemos”, “qual o sentido da vida humana”, “o que acontece quando morremos?”. A missão da nave Prometheus é procurar a origem da humanidade, nos confins do universo no planeta LV-223 (um planeta diferente do primeiro filme de 79, que é o LV-426, que também é cenário da sequência “Aliens: O Resgate”, de James Cameron), porém encontram uma ameça que pode causar a extinção da raça humana.

No filme veremos também a origem da criatura mortífera Alien, que pode gerar algumas dúvidas por causa do roteiro enrolado e confuso. Recomendo que assistam ao filme pelo menos duas vezes, para pegar todas as suas sutilezas e para uma compreensão melhor.

prometheus-cena

quem será esse ser?

Os aspectos técnicos do filme são bem recompensadores, com fotografias grandiosas, com belos cenários e imponentes estruturas, assim como ambientes claustrofóbicos. Efeitos especiais de primeira, design de cenários, uniformes e trajes espaciais, é tudo muito bem feito e bonito na tela. A direção de Ridley Scott se faz presente, especialmente com as cenas de tensão, em que o personagem ofegante anda por ambientes escuros, com luzes que começam a falhar e a trilha sonora que complementa a experiência de forma magistral. O diretor não perdeu o seu toque de assombrar e fascinar ao mesmo tempo (especialmente na espetacular cena do “parto”). Aliás, a trilha sonora orquestrada é ótima, com temas que merecem ser ouvidos no último volume.

Prometheus é um filme que vai dividir opiniões, ele tem suas falhas no roteiro e deixa muitas perguntas em aberto (o que pode gerar discussões saudáveis para os seus telespectadores), mas tem os seus bons momentos, e de certa forma é nostálgico ao primeiro Alien: O Oitavo Passageiro, ao nos mostrar uma jornada épica espacial ao desconhecido e o horror de uma mulher em um universo dos homens. Não é um filme para entretenimento, mas sim um filme com perguntas existencialistas da humanidade que vai exigir um pouco mais de atenção de quem o assistir.

escute um dos maravilhosos temas do filme abaixo

Desmembrando Prometheus (Contém *SPOILERS)

Ao assistir o filme pela primeira vez, fiquei com muitas dúvidas e confuso, então o assisti novamente, o que ajudou, e muito, numa melhor compreensão. Ao navegar pela internet, percebi que muitas pessoas o criticaram por não o compreenderem direito, então aqui neste espaço vou explicitar as minhas conclusões sobre o mesmo.

O foco do filme não são os Aliens que apaceram nos quatro longa-metragens da franquia, mas sim os alienígenas humanoides responsáveis pela sua criação, que no filme são chamados de Engenheiros (os branquelões gigantes – o Space Jockey do primeiro filme). As primeiras cenas mostram um Engenheiro em um planeta, que ao consumir uma substância negra, morre e caí na água, com o seu DNA sofrendo mutações e assim criando a vida. E assim foi criada a vida humana na Terra. Não pelo Big Bang. Não pela evolução darwinista. Não pela criação do Paraíso. Mas através do DNA de um ser alienígena. O nosso “Deus”. O que se confirma no meio do filme, quando comparam o DNA de um Engenheiro morto com de um humano. Os engenheiros criaram os humanos. Mas como pergunta a Dra. Shaw, “quem criou os Engenheiros?”. O próprio Holloway responde: “Jamais saberemos”.

PROMETHEUS_WETA_VFX_08 (1)

O Space Jockey = Engenheiro = criador dos humanos = criador da gosma preta = criador do alien

Assim várias civilizações surgiram através dos séculos, algumas inclusive registrando através de pinturas a visita de seres alienígenas em nosso planeta. E o gancho de Prometheus é justamente quando os cientistas descobrem um mapa estelar entra várias culturas humanas antigas e desconexas uma das outras. Um convite dos criadores da humanidade para visitarem seu planeta natal?

Ao chegarem no planeta distante, a tripulação da Prometheus descobre milhares de vasos com uma misteriosa substância negra (o primeiro estágio da complexa formação do Alien). O androide David pega uma pequena porção dessa substância (seria a mesma que o Engenheiro bebeu no começo do filme?) e infecta a bebida de Holloway, para ver o que acontece.

fifield

Fifield mutante depois de infectado pela gosma preta

Com a estranha substância em seu organismo, Holloway e Shaw fazem sexo (sem camisinha, que coisa feia) e assim um embrião alienígena é depositado na doutora. Holloway sofre uma mutação, que acaba morrendo incinerado pelas mãos de Meredith. Ao morrer, Holloway ainda tinha uma parcela humana e estava consciente da sua situação (a infecção ainda estava no estágio inicial? a pequena porção do líquido preto que David colocou em sua bebida era muito pouca?), diferente do biólogo Fifield, que também foi infectado e morto dentro de uma caverna por uma misteriosa “cobra” (um verme que estava no chão e sofre mutação quando embanhado pela substância negra, assim que a tripulação entra na caverna). Fifield retorna para a Prometheus numa espécie de zumbi superpoderoso (seria isso que Holloway iria se transformar?), mas acaba sendo morto pela tripulação (depois de matar uns 3 ou 4).

worm

a cobra-alien com sangue ácido

Enquanto isso Shaw descobre que está grávida de um ser alienígena, dando a luz (numa sequência espetacular) a uma espécie de lula/octopus, na verdade o primeiro facehugger (aquela “mão” que gruda no rosto das pessoas, como vimos em outros filmes). Essa “lula” ganha proporções monstruosas mais adiante no filme.

A tripulação da Prometheus descobre que os Engenheiros não ficaram satisfeitos com a criação dos humanos, e que eles pretendem retornar para a Terra para exterminar a raça humana, através dessa substância negra, uma espécie de arma biológica de destruição em massa, criada por eles neste planeta, que serve como base militar. Como diz o capitão da Prometheus, “eles não são tolos de mexer com uma substância tão perigosa em seu planeta natal”.

Prometheus_4

o facehugger = filho de Shaw = vagina supergigante capturando o Engenheiro

Um Engenheiro é encontrado vivo, em hibernação, e assim que o acordam, ele não fica nada feliz em ver os humanos. Em uma perseguição a Dra. Shaw, o Engenheiro é capturado pelo “filho” dela, agora uma criatura gigantesca, que o agarra e insere tentáculos dentro da sua boca, assim como os facehugger.

A última cena do filme revela o Alien (proto-alien, como batizou Ridley Scott), muito próximo como nós o conhecemos, perfurando o peito do Engenheiro.

prometheus-cena-4

o proto-alien

Então, o que podemos tirar de toda essa salada? Dependendo de quem tomar a substância negra, vai sofrer mutações diferentes. O verme se transformou numa cobra-alien. Holloway e Fifield se transformaram em zumbis enlouquecidos. A dra que foi infectada, deu a luz à um facehugger, que por sua vez infectou um Engenheiro e criou o proto-alien. Meio complicado não? Eu achei esse esquema na internet que pode ajudar um pouco na compreensão:

20_1935-prometheus

Muito do que eu disse aqui são suposições minhas, nada é respondido claramente. Será o líquido preto realmente uma arma biológica? Será que os Engenheiros realmente desejam aniquilar os humanos? Porque em uma das cenas na caverna, aparece um mural com uma Rainha Alien, se supostamente eles ainda não existem? O que é a estátua da cabeça gigante? Porque em um holograma, vemos Engenheiros fugindo para dentro de uma câmara com a substância negra? Porque os Engenheiros deixaram um mapa para uma base militar onde fabricam a sua arma biológica ao invés do seu planeta natal (furo do roteiro)? Essas e tantas outras perguntas terão que esperar pela sequência do filme, já confirmada para 2014/15.

Wallpaper-21Mar2012

Curiosidades

Algumas curiosidades interessantes sobre o longa-metragem.

– A nave Prometheus recebe o nome em referência ao personagem da mitologia grega: Prometeu, o titã amigo da humanidade que roubou o Fogo de Zeus e deu aos mortais. Zeus o castigou amarrando-o numa rocha durante toda a eternidade, enquanto uma grande águia comia, durante todo o dia, o seu fígado – que crescia novamente no dia seguinte.

– O projeto do filme despertou interesse de várias celebridades.  O papel (insípido) de Charlize Theron foi cobiçado inicialmente por Angelina Jolie, enquanto o papel da Dra. Shaw despertou interesse em Natalie Portman, Anne Hathaway, Gemma Arterton, Carey Mulligan e Michelle Yeoh. Entre os homens, James Franco e Ben Foster também quiseram participar, mas não foram incluídos no projeto.

– O roteiro tem inspiração na obra literária “Eram os Deuses Astronautas?”, que apresenta a teoria de que os precursores da vida na Terra seriam astronautas extraterrestres. Outro livro de ficção científica em que foi inspirado é “Nas Montanhas da Loucura”, de HP Lovercraft, que iria receber uma adaptação cinematográfica de Guillermo Del Toro, que acabou desistindo da produção porque seria muito semelhante ao Prometheus de Ridley Scott.

Noomi-Rapace-15Jan2012

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s