Crítica: O Hobbit: Uma Jornada Inesperada – uma fantástica viagem de volta à Terra Média!

Publicado: 14/12/2012 por Márcio Alexsandro Pacheco em Crítica/Filmes
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O Hobbit: Uma Jornada Inesperada (The Hobbit: An Unexpected Journey, EUA, Nova Zelândia, Reino Unido, 2012)

 Gênero: Fantasia

Direção: Peter Jackson

Duração: 169 minutos

Atores: Ian McKellen, Martin Freeman, Richard Armitage, Andy Serkis, Benedict Cumberbatch

Trailer: Clique aqui

Site Oficial: Clique aqui

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Quase 10 anos depois do último filme da trilogia “O Senhor dos Anéis”, Peter Jackson retorna para a Terra Média para nos apresentar uma nova saga épica, também em três partes, ambientada no mesmo universo, mas 60 anos antes da aventura de Frodo para destruir o anel de Sauron na Montanha da Perdição. O livro “O Hobbit“, fonte para a adaptação de “Uma Jornada Inesperada“, foi publicado em 1937 por J.R.R. Tolkien, visando um público infanto-juvenil, abordando o tema de fantasia, que anos depois gerou o surgimento do “O Senhor dos Anéis”.

Em “O Hobbit – Uma Jornada Inesperada”, vamos ver o pacato Bilbo Bolseiro (Martin Freeman), o tio de Frodo (Elijah Wood), entrar em uma “jornada inesperada” quando o mago Gandalf (Ian McKellen) aparece de surpresa na casa do hobbit e convida 13 anões sem avisá-lo. Liderados por Thorin Escudo-de-Carvalho (Richard Armitage), eles planejam atravessar a Terra Média para vencer o terrível Dragão Smaug e recuperar o seu reino e tesouros perdidos. Gandalf acredita que o pequeno hobbit pode ser de grande ajuda para o grupo, e mesmo a contra-gosto, Bilbo acaba acompanhando os anões.

Gandalf – O Cinzento no Condado

Para quem já viu a trilogia original, certamente o sentimento que despertará nos primeiros minutos de “Uma Jornada Inesperada” será a nostalgia de mais uma vez ver o Condado, com os seus lindos campos verdes e as tocas de hobbits. Jackson dá um presente aos fãs e faz muitas ligações com o primeiro filme “O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel“. Assim como no livro, o filme tem um tom mais leve e descontraído, talvez até exagerando demais nas doses extras de humor, mas em contra-partida, cria novos e interessantes arcos para a narrativa, inexistentes na obra original, para engrossar a história e sua duração de mais de duas horas e meia. Enquanto “A Sociedade do Anel” tinha um ritmo narrativo mais lento, com poucas cenas de ação e mais a apresentação de personagens, “Uma Jornada Inesperada” está recheado de cenas de ação de tirar o fôlego, com uma produção requintada e bastante equilibrada com cenas mais mornas.

Assim como na trilogia original, Jackson consegue retratar de forma espetacular o universo da Terra Média, sendo um dos pontos mais chamativos do filme. Cenários e fotografias lindíssimos, ambientações impecáveis (muitas digitais, outras reais na Nova Zelândia), figurinos e efeitos especiais de primeira qualidade. O elenco, inquestionável, trabalha com paixão e com extrema competência em seus personagens, sejam os já conhecidos Gandalf, Frodo, Elrond (Hugo Weaving), Saruman (Christopher Lee) e Galadriel (Cate Blanchet), assim como os novos Bilbo, sempre assustado e com caretas, mas esperto e perspicaz (exatamente como o imaginamos quando lemos o livro), como a seriedade do príncipe anão Thorin. Um destaque especial para Gollum (dublado por Andy Serkis), um espetáculo a parte, que consegue ser repulsivo e engraçado ao mesmo tempo. Graças a nova tecnologia, suas expressões faciais estão ainda mais ricas e detalhadas. Aliás, efeitos especiais deslumbrantes pipocam na tela, sejam nos grandiosos cenários, nos exércitos de orcs, anões ou trolls.

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Gollum retorna em grande estilo

Você que leu o livro –  de apenas 298 páginas – e está preocupado se ele tem bagagem para render três filmes, fique tranquilo. Dos 19 capítulos do livro, Jackson abordou apenas 6, isso porque Tolkien criou um universo tão rico que pode ser explorado de muitas maneiras, como abordando uma personalidade mais profunda e bem explicada dos personagens – como a guerra entre os anões contra Smaug, contra os orcs, um novo vilão orc e até explorando uma desavença com os elfos – incorporando alguns fatos que foram mostrados apenas em obras como “Contos Inacabados”, uma compilação de história de Tolkien, entre outros trabalhos e apêndices publicados depois da morte do autor. É também bastante notável a intenção de Jackson de fazer de “O Hobbit” um prelúdio para “O Senhor dos Anéis”, criando eventos e abrindo caminho para a história de “O Senhor dos Anéis”, o que acaba roubando um pouco do brilho da jornada dos anões e do longa em si (mas nada preocupante).

Mas nem tudo é perfeito. O principal problema de “Uma Jornada Inesperada” é a sua estrutura e ritmo narrativo. Há algumas cenas mais longas que não precisariam estar lá em sua edição final (poderiam vir como material bônus futuramente), como as canções ao “estilo Disney de ser” (apesar de bem feitas, dão um tom pastelão descartável). Pior que as canções, é o personagem Radagast (Sylvester McCoy), extremamente caricato e exagerado, que não faria falta nenhuma se tivesse ficado de fora. Sua cena com o trenó de coelhos beira ao ridículo.

Os 13 anões da comitiva de Thorin (no centro)

Os diversos orcs digitais que aparecem são bem feitos, e isso não chega a ser um problema, mas apenas uma “chatice nerd” pessoal minha: quase todos os inimigos são produzidos digitalmente, enquanto na trilogia original eram pessoas reais com maquiagem e figurinos impecáveis, o que dava uma sensação de realidade muito maior que “Uma Jornada Inesperada” não conseguiu me passar. Por exemplo, o novo orc vilão Azog, funcionaria muito melhor na tela se fosse um ator com um figurino bem construído. Mas como eu disse, não chega ser um problema, é apenas uma observação pessoal minha.

A trilha sonora épica de Howard Shore complementa a experiência de forma magnífica, resgatando temas nostálgicos da “A Sociedade do Anel”, assim como novas melodias marcantes, sejam elas para os momentos de ação ou tensão, dando alma para a narrativa.

escute um dos temas novos para O Hobbit

Bilbo e sua espada Ferroada

Com quase três horas de duração, “O Hobbit: Uma Jornada Inesperada” é recomendado para quem gostou dos livros, da trilogia anterior ou para quem gosta de história de fantasia – se você não curte esse negócio de magos, elfos, anões e hobbits, é melhor passar longe. E apesar da falta de uma edição mais enxuta, certamente vai agradar aos fãs, tendo tudo que se espera de um blockbuster: ação frenética, aventura épica, humor e impressionantes efeitos áudio-visuais. Um filme que vai deslumbrar a todos e que vale cada centavo do seu ingresso.

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“I found it is the small things that keeps the darkness at bay”

comentários
  1. Eduardo Farnezi disse:

    Mau vejo a hora…
    Eita que domingo não chega!!!!

  2. Ótima análise, leu minha mente!

  3. helisonbsb disse:

    show de bola!!!!!

  4. okumurapedro disse:

    Eu não gostei de várias coisas do filme… primeiro acho que 2 filmes já estaria suficiente, que ai não precisaria tirar nada nem acrescentar nada. O Personagem Radagast, por exemplo, achei completamente desnecessário ele e Galadriel esses personagens nem aparecem no livro. A Parte que Bilbo está fumando de manhã e Gandalf aparece bem no começo da história, no filme Bilbo sai rapidamente e Gandalf aparece de surpresa no jantar, mas no livro Bilbo convida Gandalf pra tomar chá e comer bolo com ele no outro dia de manhã. Achei ruim a parte que Bilbo enrola os trolls pro sol nascer, no livro Gandalf quem enrola os trolls burros que é muito mais cômico e divertido, achei o filme uma lástima, o filme 2 e 3 também não espero muito coisa, mas vou assistir de qualquer forma. Em “A Sociedade do Anel” também vale lembrar que o personagem Tom Bombadil ficou de fora, quase ninguém reclamou eu também não porque na época nem tinha lido os livros, mas quando li eu percebi a falta que esse personagem fez. É isso me desculpem pelo discurso, muito bom post.

  5. Kili disse:

    Eu assisti na internet esse filme é legal, espero que venha outros

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