Sonic Adventure (Dreamcast) – Uma nova geração, um “novo” ouriço

Publicado: 16/01/2013 por Eduardo Farnezi em Análises, Dreamcast
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*Análise escrita a muito, muito tempo; numa galáxia muito, muito distante…*

Início e fim de uma era…

Sega, Sega. Que saudades de você…

Eu sei que ela ainda existe, mas não é mais a mesma. E do jeito que a coisa anda, não vai ser mais o que era. Esse comentário não tem nada a ver com esta análise em questão, mas sempre que analiso algum jogo da Sega, me lembro de sua época áurea e de sua época atual. E isso sempre me dá uma tristeza. Enfim, vamos a análise.

Uma nova geração, um “novo” ouriço

Meados do fim da “geração 32/64 bits”. Época da Nintendo ver a besteira que fez com seu N64 de cartuchos. Época de vermos o nascimento da mais nova dominadora do mundo dos games. Enfim, época de ver a derrota daquela que uma geração atrás era a maioral.

Nasce o Dreamcast. A derrotada Sega define desistir de seu Sega Saturn e investir em um novo console. Um console que vinha para abalar as bases do mundo dos games. Um console que vinha para deixar a experiência de se jogar um game próxima a de se jogar uma CG interativa. Mas acima de tudo, um console poderoso que tinha para si, com exclusividade, uma das franquias mais apaixonantes de todas: Sonic.

É claro que o game que ganhou mais notoriedade com o nascimento do Dreamcast foi o maravilhoso Shenmue, de Yu Suzuki. Mas é claro que seria impossível deixar de pensar que um game de Sonic, viria para o mais novo console da Sega. E o melhor, em gráficos tridimensionais de cair o queixo…

E ele veio. Praticamente como um game de lançamento do console, como era de se esperar. Ele veio e mostrou ao mundo duas coisas que nunca antes um console havia mostrado de maneira tão drástica:

A primeira: um game tridimensional pode ser belo e furiosamente rápido ao mesmo tempo.

A segunda: um game tridimensional pode ter a câmera conspirando contra você sempre que mais dela precisa.

Antes de começar a analise “técnica” deste game, gostaria de deixar claro que a farei me baseando no contexto existente naquela época e não no contexto atual.

Ele veio, e nunca esteve tão belo

Em um mundo em que efeitos de luz em tempo real e transparências eram uma coisa além da realidade. Em um mundo que não se imaginava o que eram expressões faciais em tempo real em um game. Em um mundo que dependia de CGs para mostrar detalhes, quaisquer sejam eles, em um personagem. Sonic Adventure chocou e veio para revolucionar.

Era notado o salto fenomenal de qualidade visual entre os games mais belos de Playstation e Nintendo 64 diante de Sonic Adventure. E mais, nem mesmo os games mais belos para Arcade, que se utilizavam de placas como a Model 3, batiam este Sonic.

A primeira coisa que deixou os gamers boquiabertos foi a batalha contra Chaos. O vilão Chaos era um ser feito de água, com grandes olhos verdes fosforescentes. O efeito da água que Chaos apresentava era algo fora do comum para a época. Não apenas Chaos, mas a chuva que caia durante a batalha foi outro fator que deixou muitos fãs de Sonic babando.

Mas nada se comparava com o efeito criado pelos olhos de Chaos, que por serem fosforescentes e totalmente luminosos, tal luminosidade verde refletia em Sonic de maneira muito realista durante a batalha. Podem imaginar o que era isso em uma época que sequer luz era feita de maneira decente em qualquer game? E água então?!

Mas antes mesmo de alcançarmos o primeiro chefe outra coisa já havia nos deixado animados. O fato de Sonic estar em um game em 3D que não perdeu nada em termos de velocidade. Pelo contrário, nunca antes em nenhum outro game Sonic esteve tão rápido em toda sua história. Não adianta querer comparar com Sonic 3 por exemplo, no saudoso Megadrive, a velocidade de Sonic neste jogo do Dreamcast era contagiante.

E a coisa só ia ficando mais alucinante, porque a cada fase passada a sensação de velocidade aumentava cada vez mais. Tudo isso em cenários belíssimos.

Por falar em cenários, tudo que havia nos games anteriores estavam em Sonic Adventure. Os loopings malucos aliás, nunca estiveram tão animais como os existentes aqui. Além disso, outros elementos como as eternas “molas” de impulso e as argolas estavam de volta. Neste game também temos a oportunidade de ver Sonic correndo em cenários que se passavam em plenos centros urbanos, algo nunca antes explorado em Sonics anteriores. Por mais que em Sonics antigos dos 16 bits houvessem fases como em Carnival Nights, com luzes que lembravam Las Vegas, nada chegava ao “feeling” de ter Sonic em uma metrópole em 3D. Tal fato veio apenas a somar de maneira positiva aos cenários já clássicos, como a floresta por exemplo.

Em muitos momentos do game, a velocidade de processamento do Dreamcast superava nossos olhos, ou mesmo a velocidade de Sonic, fazendo que o “d”efeito clipping desaparecesse quase que por completo.

Após toda esta exaltação com certos aspectos do game, o jogador começa a perceber mais coisas que passaram desapercebidas por ele. Apesar de estar tudo muito na cara. Em primeiro lugar, o game tinha uma história um pouco mais elaborada (nada demais na verdade), que realmente cativava o jogador a continuar a aventura. Somado a um enredo mais “maduro”, tinhamos personagens com vocês e personalidades em Sonic Adventure.

Finalmente Sonic e toda sua “gangue” haviam ganhado vozes. Tendo destaque para as vozes de Robotinic e Knuckles, que se encaixaram com uma luva na personalidade dos personagens. Lembrando que apesar de a dublagem americana neste game ter sido bem competente, a dublagem japonesa dá um couro nela.

Tendo vozes, para que as personalidades fossem ainda mais afloradas, era necessário que estes tivessem expressões faciais realistas e em tempo real. Coisa impossível para a época certo?

Errado!

Isso era algo impossível até Sonic Adventure, pois todos os personagens principais apresentavam expressões faciais muito interessantes. Este foi mais um paradigma quebrado por este game. Infelizmente, no aspecto visual, o game contém duas falhas, que se não são graves, prejudicam seu desempenho:

A primeira foi a promessa do Sonic Team de que o game seria lançado em 60 fps. Porque isso é ruim? Bom, porque o game foi lançado aos regulares 30 fps habituais. Algo que não chega a ser algo tão grave, se considerarmos que, até hoje, a maioria dos game de PS2 rodam a essa taxa. A segunda é o efeito clipping, que apesar de ser muito minimizado, ainda aparecia de maneira um muito evidente em certas cenas do game. Outra coisa que não deve ser considerada um pecado capital, pois ainda hoje, vemos muito disso no PS2 (Cof! Cof! Sega Rally 2006, Cof!).

Sempre lembrando que, a contagem de polígonos por segundo na época de Sonic Adventure era ridícula ate a chegada do Dreamcast. Ou seja, é sim possível dizer que a Sega não fez nada alem do obrigatório com o console que tinha na mão.

Entretanto, ainda assim não podemos descartar todas as revoluções que o Dreamcast, e o próprio Sonic Adventure, trouxeram ao mundo dos games.

Voltei, e estou radical!

Com o advento do poderio tridimensional e tendo o último game regular da série lançado no idoso Mega Drive, Sonic tinha que mudar muita coisa para se adequar completamente ao “mundo moderno”. E foi isso que aconteceu. Em primeiro lugar, o próprio layout do personagem mudou para se adequar aos novos tempos. Nada gritante, mas com certeza, mudanças bem vindas. Em Sonic Adventure , Sonic não é mais tão “gordinho” como em suas versões para Mega Drive. Além disso, ele ganhou pernas levemente mais longas e mais detalhes em seu tênis, deixando-o mais moderno. Mas a principal mudança, fato esse que serviu de propaganda do game durante algum tempo, foi a mudança da coloração de seus olhos.

Sonic ganhou olhos verdes e com expressão mais malandra. Tal “malandragem” pode ser percebida na maneira com que Sonic lida em certos momentos do game e na forma com que ele conversa. Agora, ele tem toda uma gíria na fala e faz questão de fazer tudo da maneira mais tresloucada do mundo. Prova disso é em uma fase em que Sonic tem que chegar ao seu destino, pulando de folha em folha, na imensidão dos céus. Ele faz isso sempre tirando sarro da situação e pulando fazendo “grancinhas mil”.

O fato é que este Sonic mais moderninho é muito legal, mas satura às vezes. Esse sentido que Sonic tomou de “eu sou bom, sei disso e mostro a toda hora” cansa, assim como Dante às vezes pode cansar. Se bem que um Sonic com jeitão de Shadow não ia ficar legal, assim como um Dante com jeitão de Vergil ia ficar fora de foco. Ou seja, cansa, mas é o ideal.

Agora o negócio é Rock!

Com todo este esforço da Sega de tornar Sonic um personagem mais descolado, outro fator que teve de ser alterado em relação aos Sonics clássicos foi a música. Não mais ouviremos músicas calmas e tranquilas como a eterna trilha do game Sonic the Hedgehog. Ao invés disso, Sonic ataca com rock. E rock de boa qualidade.

In-game, o som que toma conta é o rock no estilo anos 80. Ou seja, um rock que apesar de ser mais agitado que as músicas convencionais da época, consegue ao mesmo tempo ser mais tranqüilo do que a droga da barulheira ensurdecedora que temos por ai hoje em dia. É o recheio mais saboroso do rock.

Com uma música forte e potente, o tema musical de Sonic Adventure com certeza se encaixa como uma luva ao game. Criada especialmente para o game, e interpretada pela banda Crush 40, a musica “Open Your Heart” é provavelmente, junto com as musicas “Live and Learn” (Sonic Adventure 2) e “Metal Overload” (Sonic Heroes) a melhor composição de uma música para um game de Sonic.

Jogabilidade: é revelado o mal que parece ser eterno

A jogabilidade de Sonic Adventure pode ser analisada de duas formas, ou melhor, de três. A primeira é compará-la com todos os outros games tridimensionais e de Sonic posteriores a esse. Se for assim, Sonic Adventure é o nirvana. A segunda seria dizer que o game tentou inovar o gênero Adventure, introduzindo pela primeira vez uma velocidade insana em um game 3D. Se for assim, este game além de pioneiro é extremamente competente no que faz. A terceira é a verdade imparcial. Se for assim temos picos para o bem e para o mal. E é assim que vou analisar a jogabilidade deste game.

É verdade que a Sega foi audaciosa em fazer a inclusão do fator velocidade num formato 3D. Tal inclusão casou muito bem com o gênero Adventure, além de ser necessário em Sonic. Os controles também são bons. Não são muito escorregadios como os horríveis controles de Sonic Heroes, por exemplo. Neste aspecto, Sonic Adventure foi muito bem trabalhado, pois jogar com Sonic, vendo somente o aspecto controle, é sim muito gostoso. Entretanto Sonic Adventure foi o game que mostrou, em escalas gigantescas, o grande vilão de TODOS os games de aventura 3D da história: A câmera.

A câmera de Sonic Adventure é exatamente como a de Sonic Heroes. E isso pode ter certeza, é desesperador. Ela está sempre muito próxima do personagem, o que atrapalha muito na visualização do que estiver à frente na tela. Tal fato, para um game que tem a ação e a velocidade como tônica, é algo grave.

Outro problema da câmera de Sonic Adventure se dá quando o personagem está em ambientes muito fechados. Nesses momentos a câmera se aproxima ainda mais do personagem o que impossibilita a visão à frente. Além disso, em locais fechados a câmera nunca consegue estabilizar seu foco, o que faz com que o jogador tenha de tentar sair daquele local às cegas. Fato que pode ocasionar mortes certas, sejam mortes provindas de golpes de inimigos, sejam mortes provindas da queda em um buraco que o jogador nem viu que existia.

Enfim, o fato é que a câmera ruim. E apesar de hoje em dia parecer ser algo histórico e inevitável, não tem desculpa. E se não tem desculpa “ontem”, não tem “hoje”. É uma vergonha que ainda não exista solução para este problema tão antigo.

Todo mundo tem sua vez!

Outra jogada bacana da Sega em Sonic Adventure é o sistema de seleção de personagens. Após terminar o game com Sonic, é possível escolher entre outros cinco personagens para passar por fases próprias para os mesmos. Isso é algo bom, porque é a prova de que a Sega tentou aumentar ao máximo o efeito replay do game. Afinal, seria uma maneira de o jogador, à livre vontade, jogar seis vezes no mínimo o game.

Entretanto isso se torna frustrante, pois os outros personagens não são nada interessantes no aspecto jogabilidade. Além disso, a frustração aumenta quando se descobre que é preciso finalizar o game com todo mundo para que se possa jogar o verdadeiro final. Mas vamos por partes. Primeiro vejamos o que os outros personagens tem de ruim.

Tails: Com ele exploramos suas fases tendo a possibilidade de voar por elas. Mas isso não é nada legal depois de termos feito isso a 700Km/h com Sonic, Acaba se tornando um experiência boba e vazia.

Knuckles: Junto com Big the Cat, é o pior do game. Com ele, exploramos as fases buscando por cristais e dando socos em tudo que se mexer. Buscamos os cristais com a ajuda de um “radar” ruim, pouco preciso e nada prático. Monotonia completa.

Amy: Suposta noiva de Sonic, assim ela gostaria. Suas passagens são, pra variar, ruins. Além de lentas, ela carrega um martelo muito bizarro que é maior do que ela própria e o usa como forma de ataque.

Big the Cat: Com ele ficamos pescando peixes no cenário…

E-102: Com ele a coisa é um pouco menos ruim, Além da capacidade de planar, este ciborgue atira nos inimigos usando um sistema de mira bem interessante, mas muito fácil, acabando com qualquer desafio.

Já podem imaginar o martírio que se deve passar certo?
Mas e daí?
O que acontece depois que passamos por tudo isso?
Qual é o final?

O que acontece é Super Sonic!

Depois de finalizar o game com todos, na tela de seleção de personagens podemos escolher o aclamado e poderoso Super Sonic. É somente uma fase, mas que, no conjunto da obra, é um brilho. Com o poderoso Super Sonic enfrentamos a verdadeira e mais poderosa versão de Chaos, ao som de “Open Your Heart”.

A verdade é que, toda a monotonia e chateação que se enfrenta jogando com Knucles e os outros, vale a pena somente pelo fato de se controlar Super Sonic. Em especial para os fãs do ouriço da Sega.

Conclusão: Sonic Adventure para Dreamcast deve ser glorificado, visto que ele inova em muita coisa. Tanto que a Sega não classifica este game de “Adventure”, mas sim de “Hi-Speed 3D”. Também é preciso citar que este game de Sonic, apesar de ser a primeira investida tridimensional da série, é o que está mais próxima de ter o charme das versões de Sonic para Mega Drive. Mas o fato de termos que jogar com outros personagens além de Sonic não é nada interessante, algo que com certeza poderia ficar de fora de QUALQUER jogo regular de Sonic. A câmera atrapalhada também é algo que devia ter tido melhorias enormes, independente de qualquer coisa. A impressão que fica é que Sonic Adventure teve seu lançamento apressado pela própria Sega para vender consoles. Com um pouco mais de tempo, este game seria perfeito. Ainda temos extras como criar pequenos bichinhos, usando também o VMU do Dreamcast, algo parecido com Pokémon, mas isso não deve agradar a todos. No fim das contas, Sonic Adventure é um game que hoje em dia sofre com a franca evolução que o mundo dos videogames teve, mas que, para sua época, foi revolucionário.

Nome: Sonic Adventure

Sistema: Dreamcast

Desenvolvedora: Sega

Ano de Lançamento: 1999

Nota da análise: 8/10

+ Visuais que, se não são perfeitos, revolucionaram uma época.
+ A música “Open Your Heart” é muito animal.
+ Super Sonic.
+ Foi o aguardado “debut” do Sonic em 3D, e início de uma nova era.
 Os outros personagens jogáveis ficaram lamentáveis.
 A câmera é sofrível.
 Foi o aguardado “debut” do Sonic em 3D, e fim de uma era.

2012-01-21_00026

comentários
  1. um epico fantastico jamais vou me esquecer desse jogo eterno sonic e eterno dreamcast

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