Crítica: Django Livre – Tarantino ressuscita o faroeste de forma gloriosa!

Publicado: 23/01/2013 por Márcio Alexsandro Pacheco em Crítica/Filmes
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Django Livre (Django Unchained, EUA, 2012)

Gênero: Faroeste

Direção: Quentin Tarantino

Duração: 165 minutos

Atores: Jamie Foxx, Leonardo DiCaprio, Samuel L. Jackson, Christoph Waltz, Kerry Washington, Franco Nero

Trailer: Clique aqui

Site Oficial: Clique aqui

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Quentin Tarantino conseguiu, mais uma vez,  criar uma obra de arte para os cinemas. O diretor, que revolucionou os anos 90 e deixou seu nome na história cinematográfica, nos presenteia com um filme intenso, com cenas fortes, sangue voando em grandes tiroteios e o delicado tema da escravidão nos EUA (e que deixou muita gente nervosa, como o diretor Spike Lee, que disse que não ia ver o filme e que era um desrespeito à história dos negros). Tudo isso, e muito mais, pode ser encontrado em seu novo filme, “Django Livre“.

Tarantino já havia flertado com o faroeste em “Kill Bill – Vol 2“, mas só agora ele pode fazer uma obra completa na terra do “sol poente”. Quem é fã dos westerns dos anos 60/70 de nomes como Sergio Corbucci (diretor do Django original de 1966) e do genial Sergio Leone (que fez muitas parcerias com Clint Eastwood), vai perceber muitas homenagens/referências à esses clássicos, desde às letras em vermelho da abertura, às fotografias, cenários e trilha sonora. E claro, com aquele toque “Tarantinesco” que só ele sabe fazer, não restringindo o produto a uma mera “cópia” de grandes clássicos, mas em algo totalmente único.

Jamie Foxx como Django não decepciona

O filme é ambientado dois anos antes da Guerra Civil norte-americana (1861/1865 – guerra essa que acabou com a escravidão no país) e começa com o Dr. King Schultz (Christoph Waltz), ex-dentista e agora um caçador de recompensas, encontrando Django (Jamie Foxx), um escravo com passado brutal causado pelos seus antigos senhores, para que ele o ajude na captura de três bandidos. Shultz promete à Django sua alforria se ele o ajudar a capturar os bandidos, vivos ou mortos. Django também revela estar atrás de uma pessoa, de sua amada esposa, vendida para o cruel fazendeiro Calvin Candie (Leonardo DiCaprio).

Assim começa a trama, que vai se desenvolvendo ao longo de quase três horas de filme, mas que consegue manter um ótimo ritmo e não cansa o espectador, pelo contrário, deixa um gostinho de “quero mais” quando chega ao final. Jamie Foxx, que faz o protagonista Django, está muito bem em seu papel, que originalmente era para ser de Will Smith, que recusou para trabalhar em “Homens de Preto 3” (uma troca que ele vai se arrepender, com certeza). Smith disse na época que o roteiro “era coisa de gênio”. E realmente o é. Mas apesar da boa atuação de Foxx, quem realmente brilha na tela são Christoph Waltz e Leonardo DiCaprio.

DiCaprio, Jackson e Waltz proporcionam os melhores momentos

Waltz já havia mostrado todo o seu talento em outro filme do Tarantino, “Bastardos Inglórios“, mas aqui consegue se superar, ao demonstrar um tamanho humanismo em relação à escravidão, de sua parceria/amizade/tutor com Django, e de ser, em grande parte, o responsável pelas partes cômicas do filme. Mas claro, nada exagerado e escrachado, com um tema tão delicado, o humor aqui é elegante e de bom gosto, uma das características de Tarantino aliás. Um bom exemplo disso é a cena em que fazendeiros brancos perseguem Django com sacos na cabeça, em uma clara referência à Ku Klux Klan (organização racista que defendia a supremacia branca).

Já DiCaprio não é apenas um rostinho bonito na tela (que ficou estigmatizado, injustamente, por causa de Titanic), o ator há muitos anos vem fazendo diversos tipos de papéis, e sempre consegue demonstrar grande talento, mas sem dúvida foi com Tarantino que ele demonstrou seu melhor trabalho até hoje. DiCaprio consegue fazer de seu personagem, um vilão sádico, de uma maneira bastante carismática, e ao mesmo tempo frio, cruel e problemático. Um personagem forte e marcante, que bate de frente com o personagem de Waltz. A dedicação de DiCaprio para o filme é tanta, que inclusive o ator chegou a machucar a mão de verdade em uma cena, mas continuou atuando e improvisando, e para nossa sorte, ela pode ser vista no filme (uma das melhores de todo o filme, inclusive!). Não deixe de reparar quando for assistir.

os caçadores de recompensa

Outro que merece destaque é Samuel L. Jackson, como o criado puxa-saco de DiCaprio, o “pior negro da história do cinema”, como disse o próprio em entrevistas. Ver Jackson, DiCaprio e Waltz atuando juntos é um verdadeiro deleite que pouco se vê hoje em dia no cinema, o que me leva a outro importante fator do filme: os diálogos. Uma das marcas de Tarantino em seus filmes são os diálogos de seus personagens, com frases de efeito, com referências pop/culturais, e sempre bem construídas e encaixadas na narrativa. E aqui não é diferente, e justamente com a tríade Jackson/DiCaprio/Waltz é que vamos ter os melhores diálogos, piadas, discussões e debates. Como de praxe, Tarantino faz uma rápida participação no filme, e desde já uma das melhores em que ele já apareceu.

A violência, outra característica dos filmes de Tarantino, também está lá. Há cenas fortes, como cabeças explodindo e sangue voando e excessos racistas em toda a parte, mas é interessante notar que essas cenas mais explícitas são mostradas com homens brancos. Tarantino demonstra respeito em não mostrar, por exemplo, a carne viva de negros sendo açoitados. Isso ele faz através das lágrimas, dos gritos, das feições de dores e das cicatrizes mostradas. E a violência aqui demonstrada é algo que fez parte da história dos EUA, mostrando um período bastante conturbado e violento, mas o diretor consegue fazer de forma bastante crítica e bem feita. Uma das melhores cenas é um tiroteio que consegue ser uma mistura da invasão ao restaurante japonês em “Kill Bill” com a cena da cantina em “Bastardos Inglórios”, e ainda lembrar o épico “Os Imperdoáveis”, com Clint Eastwood. Uma cena de se tirar o chapéu, por assim dizer.

Leo faz um grande vilão na tela

A fotografia do longa é bastante competente, com cenários lindos do velho oeste e que nos remete diretamente aos grandes clássicos do gênero. Em alguns momentos vemos a beleza de uma paisagem em toda a sua grandeza, e em outros temos um foco mais intimista, mostrando os olhos dos personagens, suas feições, suas botas, suas armas, assim como faziam nos antigos faroestes dos anos 60/70.

E como sempre nos trabalhos de Tarantino, a trilha sonora é um destaque a parte. Em total sintonia com as cenas, a trilha sonora é bem variada, passando desde ao tema original do Django de 66 (escute abaixo) até a hip hop de Tupac ao funk de James Brown. E não se preocupe, apesar da ousadia em sua escolha em alguns temas, todos estão bem inseridos e aplicados com muita propriedade por Tarantino. Eu mesmo nunca imaginei ouvir uma música de Tupac em um faroeste, mas Tarantino consegue fazer essa mistura de maneira magistral. Claro que os melhores momentos são ainda das músicas orquestradas emblemáticas que nos fazem recordar dos saudosos bangue-bangues.

“Django Livre” não é, em minha opinião, o melhor filme de Tarantino (como muitos afirmam por aí), mas é o que mais chega perto de “Kill Bill” e “Pulp Fiction” (os melhores, em minha opinião).  É um filme que esbanja em belezas e qualidades, extenso, mas com um ritmo que vai deixar você pedindo por mais. Uma experiência prazerosa, aproveite, pois bons faroestes são raros de se ver hoje em dia na telona do cinema!

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comentários
  1. Eduardo Farnezi disse:

    Que TESÃO de main theme!!!
    Estou LOUCO para assistir a esse filme e nada nem ninguém me impedirá.
    Já não basta o fato de eu não ter ido assistir “O Hobbit”.

    Sou TARADO em “velho Oeste” e portanto não perco esse filme!

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