Crítica: Detona Ralph – uma encantadora homenagem ao universo dos videogames!

Publicado: 24/01/2013 por Márcio Alexsandro Pacheco em Crítica/Filmes
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Detona Ralph (Wreck-it Ralph, EUA, 2012)

Gênero: Animação

Direção: Rich Moore

Duração: 108 minutos

Atores: John C. Reilly, Sarah Silverman, Jack McBrayer, Jane Lynch

Trailer: Clique aqui

Site Oficial: Clique aqui

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É curioso ver a Pixar lançar um “filme de princesas” (Valente), enquanto a Disney envereda para a animação 3D, território dominante da primeira (que foi comprada recentemente pela segunda). E parece que finalmente a “casa do mickey” aprendeu as manhas das animações do novo milênio (apesar de eu ainda preferir o estilo 2D oldschool dela), com o excelente “Detona Ralph“, uma encantadora homenagem ao mundo dos videogames.

Em uma primeira análise, é inevitável a comparação com o clássico “Toy Story(Pixar novamente), em que os brinquedos ganham vida em um universo totalmente à parte dos humanos, filme esse que encantou pessoas em todo o mundo e de todas as idades. “Detona Ralph” segue a mesma ideia básica, ao mostrar que os personagens de videogames possuem uma vida que nós, “pessoas reais”, desconhecemos. E a Disney conseguiu fazer um produto divertido e encantador, que emociona e até surpreende em alguns momentos. Logicamente, o filme vai agradar em cheio as pessoas que são gamers, especialmente os mais antigos. Há um mar de referências e participações de personagens de games reais. Porém, temos o toque Disney aqui, então é um filme que consegue atingir todas as idades e público, mesmo que você nunca tenha jogado um game.

os personagens principais: Ralph, Vanellope, Felix e Calhoun

A trama mostra Ralph (voz de John C. Reilly e versão brasileira de Tiago Abravanel), um vilão do jogo Conserta Tudo Felix (muito parecido com o clássico Donkey Kong, que depois originaria o Super Mario Bros) lá dos anos 80. Após 30 anos sendo tratado mal pelos outros personagens, por ser um vilão, e cansado de morar num lixão de tijolos enquanto o seu rival, o mocinho Felix (Jack McBrayer/Rafael Cortez), é adorado por todos, Ralph decide que também pode ser um herói e assim ser reconhecido e adorado. Desse modo, nosso “vilão” revoltado acaba indo parar em um moderníssimo jogo de tiro em primeira pessoa de alta resolução, ambientado em um planeta alienígena infestado de mortais insetos gigantes (faz lembrar um Halo/Gears of War?), comandado pela durona Sargento Calhoun (Jane Lynch/Lúcia Helena). Ralph causa a maior confusão e sem querer liberta um inimigo mortal que coloca em risco todos os outros jogos. E agora, além dessa ameaça, ele também terá de ajudar a pequenina e fofa Vanellope (Sarah Silverman/MariMoon), um “bug” (termo para defeitos em um game) a vencer uma corrida no jogo Corrida Doce (que lembra muito Super Mario Kart, em uma versão mais “açucarada”, literalmente).

Apesar de um roteiro bem previsível (mas com algumas surpresas no final), o filme consegue encantar (a especialidade da Disney) ao mostrar o relacionamento de Ralph e Vanellope, que num primeiro encontro não é das melhores, mas com o tempo vão descobrindo que ambos tem muito em comum (os dois são marginalizados em seus jogos) e pouco a pouco uma amizade entre eles vai surgindo. Mas tudo isso fica mais em evidência na segunda parte do filme, que tem mais o estilão Disney de ser.

Ralph se abrindo no grupo de apoio aos vilões

É na primeira metade que os gamers vão realmente pirar, pois é aqui que estão as referências e as participações de personagens conhecidos dos games. O filme já começa bem, com Ralph contando sua triste história para outros vilões, numa espécie de grupo de apoio “Vilões Anônimos”. Os gamers mais antenados irão reconhecer aqui figuras como Zangief (com um excelente diálogo) e Mr Bison da série “Street Fighter”, o Dr Robotnik/Eggman de Sonic, Kano de “Mortal Kombat” (que ainda faz um fatality), Bowser do Mario, Neff, o rinoceronte de “Altered Beast”, a gata Mishaela do clássico “Shining Force” (sensacional a escolha desses dois últimos, para fazer a alegria dos entendidos de games), entre outros.

O mais legal do filme é ver esse universo virtual em que os personagens vivem, e convivem uns com os outros. Existe uma Estação Central de Games, onde a galera se reúne e onde podem pegar “trens” para visitar outros jogos. É nessa Estação Central onde se encontra a maioria das referências, e o mais bacana é você ficar procurando reconhecer os personagens. Eu consegui ver alguns como a Chun-Li, Cammy e Blanka, Rosalina e Peach, Frogger, Pong e até o Paperboy! O Sonic aparece rapidamente em algumas cenas, a que tem mais destaque é de um vídeo seu avisando que se os personagens morrerem fora de seus jogos, estarão mortos para sempre. Há referência até nas pichações, onde podemos ver “Aerith Vive!” (de Final Fantasy VII) e “Shenglong was here” (uma piada de 1º de abril da Capcom que ficou tão famosa que acabou virando personagem mesmo em Street Fighter). Pequenos detalhes como esses, que para jogadores mais novos pode passar desapercebidos, os veteranos com certeza vão logo identificar (até o clássico código da Konami está lá!). Uma cena épica é Ryu convidando Ken para tomar uma gelada no Tapper, um jogo de distribuir cerveja que realmente existiu em 1983. E o Mario? Pois é, o famoso encanador não aparece no filme, parece que a Nintendo pediu uma grana alta demais para liberar a presença do bigodudo no filme (mas sua participação já está confirmada para a futura sequência).

Ralph dá a cereja de Pac-Man para os esquecidos Q*Bert

Claro que, sendo “Detona Ralph” um filme da Disney, não poderiam faltar as lições de moral. Entre elas temos o valor da amizade, a aceitação de si mesmo, de que somos importantes em um ambiente, seja ele qual for. E felizmente, todas essas lições são passadas sem ser muito piegas ou infantil. Rola até um romance, mas nada muito meloso. Claro, o filme também não tem teor adulto, mas certamente vai agradar aos marmanjos barbados (como eu) ou as mocinhas que já largaram a Barbie há muito tempo. No mínimo, vai despertar a criança que existe dentro de você. E o melhor de tudo, aqui não há aquelas cenas musicais tradicionais da Disney. Ia ser muito tosco ver nossos personagens favoritos dos games cantando alguma musiquinha alegre de auto-estima.

Agora falando do lado mais técnico da animação, ele foi dirigido pelo estreante Rich Moore, mais conhecido por trabalhar em séries como Futurama e Os Simpsons, ambos especialistas em colocar diversas referências em seus episódios, o que garante a autoridade de Moore em “Detona Ralph”. Outro nome importante é do produtor executivo, John Lasseter, cara responsável por Toy Story 1 e 2, além de ser chefe de criação da Pixar (mas o filme é uma total produção Disney).

Colhoun em seu jogo de tiro em primeira pessoa

Parece que o filme só tem cópias dubladas aqui no Brasil (talvez com um pouco de sorte você ache uma sala legendada). A Disney parece forçar o consumo para o público infantil, sendo que tem alguns adultos (e até crianças) que gostariam de ver no idioma original. Felizmente a dublagem brasileira está muito boa, apesar de trazer nomes “globais” para conquistar o público. Essa tal de MariMoon nem conhecia, tive que pesquisar pra ver quem é a fulana (que pelo jeito tem um certo status por aqui, só eu não sabia). Mas não temam, as dublagens estão realmente boas, e a tradução dos diálogos foi acertada, até usam alguns termos técnicos (como “bug”), mas sem ficar “gamer” demais. Só deixo uma crítica por não usarem DUBLADORES PROFISSIONAIS, gente talentosa que perde espaço porque não trabalha na Globo, MTV e CQCs da vida. Tantos animes que recebem dublagem de nível altíssimo aqui, “Detona Ralph” poderia até ter uma dublagem melhor do que a ótima que já possui. Mas enfim…

“Detona Ralph” não tem um conceito inovador ou revolucionário, como já dito, lembra muito “Toy Story”. Mas ele acerta em cheio ao usar o universo dos games como cenário, com personagens carismáticos e uma história encantadora, para agradar crianças e adultos (e gamers e não gamers) e que ajuda a diminuir a distância que existe entre videogames e cinema. É um filme com a essência da Disney e com a roupagem da Pixar.

Vanellope e seu carro açucarado

* Adendo 1: A Disney produziu um curta que passa antes de “Detona Ralph”, chamado de Paperman (ou O Avião de Papel, como foi traduzido aqui ) belíssimo, feito em preto e branco e sem vozes. Um trabalho que mostra toda a essência que o nome/legado Disney carrega. Veja o vídeo abaixo:

* Adendo 2: Não deixe de assistir aos créditos finais, há uma cena épica da fase bônus do carro de Street Fighter!

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comentários
  1. Guilherme disse:

    Esse filme não me lembrou em nada o TOY STORY, ele se parece, sim, é com o FORMIGUINHAZ, na verdade é a mesma história apenas com outros personagens, saem as formigas, entram figuras de games.
    No FORMIGUINHAZ, o personagem principal, no fim do filme, aceita sua posição dentro do formigueiro, já no DETONA RALPH, o Ralph aceita ser o vilão do game.

  2. Caio disse:

    Ele quis dizer que Detona Ralph é parecido com Toy Story por trazer de volta velhos conhecidos da infância de muitas crianças E adultos,o lance de jogos novos e jogos velhos e mais outras coisas,qualé né gente

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