Castlevania: Curse of Darkness – um jogo mediano, mas que pode oferecer alguma diversão para os fãs!

Publicado: 20/02/2013 por Eduardo Farnezi em Análises, PS2, Xbox
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Castlevania Curse of Darkness Wallpaper CAPA

*Análise escrita no período de lançamento do game*

A série Castlevania é uma série reconhecida e conceituada no mundo dos games, mas infelizmente vive de suas glórias do passado. Com games incríveis como Super Castlevania IV e com”Dracula X na época do SNES, a série começou a ganhar status de game grande e abocanhou muitos fãs neste processo. Entretanto, o ápice da série foi Symphony of the Night para PSX.

Symphony of the Night é de longe o melhor jogo de toda a série. Seguindo o esquema clássico da franquia Castlevania, o game é inteiro em 2D e tem como objetivo, atravessar por todo o castelo de Drácula e destruí-lo, entretanto, em “Symphony of the Night” o jogador não é mais um Belmont, mas sim Alucard, filho de Drácula. Dessa forma, além de quebrar com uma tradição da série, o jogador tem o controle de um vampiro poderoso, cheio de novos poderes. Tal mudança parece ter agradado muito os fãs da série, pois este é o game mais querido de Castlevania até os dias atuais.

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Maldição das Trevas

Agora em uma geração de games estupidamente mais poderosa que o PSX, a Konami tenta lançar um game da série em 3D que siga o caminho do sucesso de Symphony of the Night , mesmo porque é melhor não considerarmos os que saíram para Nintendo 64. Com este pensamento em mente, em 2003 é lançado para PS2 Lament of Innocence, que apesar de ser um ótimo game de ação 3D, foi considerado pelos fãs muito linear e curto, apesar de ter um enredo que segurou a onda, afinal, saber das origens da treta da família Belmont com Drácula é fundamental para qualquer fã.

Tendo conhecimento das falhas apontadas para seu “Lament of Innocence”, a Konami acaba de lançar “Castlevania: Curse of Darkness“.

Assim como em Lament of Innocence, Curse of Darkness foi produzido pelo mesmo time do maravilhoso Symphony of the Night, o que já é um ótimo começo para um game. Tal como em Symphony, Curse of Darkness rompe com a tradição dos games anteriores da franquia, não apresentando um Belmont como protagonista e mantém a ação excelente de Lament of Innocence, ou pelo menos tenta.

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O sistema de jogo de Curse of Darkness é muito parecido com Lament of innocence e ao mesmo tempo com toques de Symphony of the Night. Curse of Darkness tem como sistema de batalha a mesma ação 3D de Lament of Innocence, com liberdade de movimentos total e com batalhas rápidas que de longe, é claro, lembram DMC, devido seu estilo de luta. Foram adicionados elementos de RPG no game como diversidade de armas, sistema de experiência de evolução das mesmas e um sistema decente de menus para utilização de itens e armas (porque honestamente, isso em tempo real como foi em Lament of Innocence é horrível). Ou seja, o sistema de batalha tem a intenção de ser tão estratégica quanto na época 2D da série, mas com toda uma dinâmica de um game em 3D, sua nova tendência.

Infelizmente, como nada é perfeito, falhas neste aspecto existem e além de não serem poucas, não são nada “passáveis”. Em primeiro lugar, as batalhas são lentas e fáceis ao extremo, com exceção de um ou outro chefe. É claro que isso pode ter sido feito para se assemelhar as épocas 2D da série, mas lentidão em um game que tem a ação como tônica das batalhas não foi uma ideia nada agradável e muito menos funcional.

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Outras falhas que atrapalham bastante a jogabilidade são a câmera que sempre esta próxima demais do protagonista Hector, o que atrapalha muito no decorrer do game e o fato de Hector correr de maneira muito lenta, quase em Slowmotion, o que para um game que tem intenção de ter uma ação em 3D, e mais, para um game em que a locomoção é intensa e longa, chega a ser ridículo. Além disso, uma falha que não parece ter sido pensada pelos produtores do game é o fato de que, independente da existência de mais armas além da espada padrão no começo do game, elas são normalmente grandes, ou seja, fortes e extremamente lentas na prática, o que faz com que no game inteiro o jogador prefira ficar com a espada original de Hector.

Um aspecto interessante em Curse of Darkness é o sistema de “demônios inocentes”, que funciona da seguinte forma: durante o game Hector encontra demônios que não estão concuminados com Dracula e que lhe auxiliam durante as batalhas assim que são evocados. Seria um sistema extremamente interessante, mas isso ajudou ao game se tornar mais fácil ainda, pois a qualquer momento pode-se evocar um demônio para lhe auxiliar em uma batalha e depois outro para lhe curar, ou então enquanto você luta o demônio evocado te cura de tempo em tempo, ou de uma vez mesmo, e assim vai.

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Infelizmente, a jogabilidade de Curse of Darkness sofre com um sistema de batalhas mal trabalhado e desequilibrado, o que é muito estranho, porque em teoria, este game tinha tudo para ter uma jogabilidade fantástica. Na verdade é um mistério como a competente Konami e o time de primeira que trabalhou no game tinha tudo perfeito na mão e fez isso, mas enfim, ta feito e é assim.

Visualmente falando, Curse of Darkness é muito competente em um aspecto em especial. Assim como em Lament of Innocence, a ambientalização do game apesar de ser em 3D, traz toda a magia e o mistério das versões 2D de Castlevania, o que não é uma coisa fácil de se fazer. Normalmente tal transição nunca fica muito boa nos games atuais (Sonic que o diga). Detalhes minuciosos dos cenários foram especialmente criados para que tal transição fosse feita com sucesso. Além disso, Curse of Darness tem mais um trunfo na manga no quesito visual, o game não se passa somente no castelo de Drácula. Cenários variados como vales, pântanos e templos são percorridos durante a jornada de Hector, o que da maior variabilidade na apresentação para o game.

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No entanto a equipe pisou na bola muitas vezes por aqui também. Apesar de cenários variados, grande maioria são reciclagens deles mesmos, dando aquele ar de que você já percorreu aquele mesmo cenário a dois minutos atrás. Na verdade, você em alguns instantes somente não se perderá devido ao ótimo mapa que o game oferece, mapa este que é idêntico ao de Lament of Innocence.

Ainda falando dos cenários, muitos efeitos são pífeamente representados como a água, que neste game é horrível e alguns cenários em que a quantidade de serrilhados é maior que o aceitável, alem de baixas texturas. Quanto ao visual dos personagens, mais problemas. Os inimigos são muito repetitivos e sem criatividade (com exceção de alguns chefes) e o visual dos personagens também é dos melhores, perdendo o ar de realidade que o game ganhou em Lament of Innocence. O que ajuda nesta perda são os efeitos de luz menos trabalhados que no game anterior e o excesso de cores, que também não ajuda em nada.

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Na verdade, o ar que Curse of Darkess apresenta é que a equipe utilizou-se da mesma engine de Lament of Innocence mas que se aproveitou mal da mesma. No fim das contas, o visual de Curse of Darkness não passa de um Lament of Innocence piorado, o que não é admissível, pois Lament foi feito a dois anos, pela mesma equipe…

Se existe algo de que Castlevania sempre pode se gabar é de seu histórico de trilhas sonoras. Sempre com um bom gosto extremo neste aspecto, Curse of Darkness não é exceção à regra. Suas músicas têm aquele ar de místico, mesmo quando a trilha é incentivadora para a ação. Também muito boa é a diversidade e quantidade de musicas, com temas direcionados para tristeza, ação, emoção, raiva, vingança, entre outros. Neste aspecto Curse of Darknnes é quase perfeito. Apesar disso as trilhas de Lament of Innocence tem maior qualidade que as de Curse of Darkness. Não que Darkeness seja ruim neste aspecto, mas para tópico comparativo, deve ser isso dito.

Os efeitos sonoros ficam na média, nada de menos, entretanto, nada de mais. Detesto ser repetitivo, mas neste ponto, Lament of Innocence também é superior que Curse of Darkennes, com uma variedade maior de efeitos, e com uma superioridade de qualidade nos mesmos.

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Quanto ao enredo, ele é muito interessante, mas não vou contar aqui qual é a historia, o interessante mesmo é ir descobrindo aos poucos e se surpreendendo com o tempo de jogo. Só vou contar o óbvio: o enredo envolve uma maldição e sede de vingança de Hector para com seu antigo “patrão” Drácula.

Conhecer o início de toda a saga Castlevania com certeza é algo muito mais interessante e valido para os fãs, então apesar de muito competente no enredo, Curse of Darkness perde aqui de novo para Lament of Innocence.

Enfim, como podem ter visto durante a análise, o produto final de Curse of Darkness apesar de ter toneladas de ideias boas, fez mal uso delas, o que o impediu de ser sequer superior ao seu antecessor.

Conclusão: É verdade que em uma coisa este game superou seu Lament of Innocence, ele não é tão linear quanto Lament, mas isso com certeza não salva o produto final de Curse of Darkness, e infelizmente, este Castlevania não passa de um game extremamente mediano, o que é uma pena, pois Symphony of the Night merece um sucessor à altura. Por enquanto a contagem de Castlavanias em 3D não vai bem, pois o melhor foi Lament que não foi bem aceito pelos fãs, esperemos então, que um próximo Castlevania tridimensional, provavelmente para a próxima geração, faça jus ao nome de peso que carrega.

Nome: Castlevania: Curse of Darkness

Sistema: PS2, Xbox

Desenvolvedora: Konami

Ano de Lançamento: 2005

Nota da análise: 5/10

+ Não é tão linear quanto Lament of Innocence

+ Trilha sonora muitíssimo bela

 Jogabilidade lenta e precária

 Visual ultrapassado

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