Devil May Cry 2 – game é a ovelha negra da série!

Publicado: 21/02/2013 por Eduardo Farnezi em Análises, PS2
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*Análise escrita em 2006*

Considerado por muitos (assim como por aqui quem o escreve) o primeiro jogo realmente fabuloso para o PS2, “Devil May Cry” revolucionou o mercado de games de ação. Eram inimigos difíceis de ser batidos a ponta torta, um chefe insano atrás do outro e uma história até boazinha, uma vez que o jogo não tinha a pretensão de ser nenhum Metal Gear nesse aspecto.

Uma vez que o DMC havia feito tanto sucesso, era inevitável que uma continuação faria o ar de sua graça. E quão surpresa não foi quando a Capcom anunciou que tanto o primeiro quanto o segundo games estavam sendo produzidos quase ao mesmo tempo.

Ora. Sendo assim, o próximo DMC sairia o quanto antes, e toda aquela dificuldade insana, estilosa e todos aqueles chefes interessantes estariam de volta certo?

Errado.

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O retorno de Dante

Quando as primeiras fotos de “Devil May Cry 2” começaram a pipocar na internet e em revistas especializadas o mundo vibrou, afinal, as fotos mostravam um Dante mais velho, destruindo demônios de uma maneira muito mais acrobática, enfrentando um chefe que era um prédio inteiro, saltando de ponta de uma construção que era gigantesca. Enfim, uma coisa louca atrás da outra.

Depois disso, surgem mais fotos com a revelação mais bombástica de todas: uma companheira controlável pelo jogador para Dante.

Tal notícia surgiu inicialmente muito bem vinda, afinal, nunca é algo ruim poder controlar uma gostosa. Além disso, se um Dante marombado já fazia acrobacias impossíveis com suas pistolas, imagine uma mulher mais leve e sagaz, manuseando suas facas s seus punhais!

E os fãs esperaram extasiados pelo game.

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O que um Hype por algo não pode fazer…

E assim surge Devil May Cry 2, com tudo aquilo do qual foi falado.

Entretanto lembram de tudo que havia sido dito sobre Kill Zone?
E se lembram do resultado?
Pois então, algo parecido assombrou DMC2.
Sim, o game apresentava realmente tudo que foi o apontado: um Dante mais velho e experiente e uma nova companheira. Um chefe que era um prédio inteiro.

Bom, mas então aonde estão as falhas deste game?
Que bom que perguntaram, pois elas pipocam pelo jogo inteiro.

O demônio chorou e os gamers também

A início de conversa, o desapontamento inicial do game aparece logo após o “Start Game” com o visual do game. Está certo que Devil May Cry 2 é um game que já pode ser considerado antigo, mas haviam games da época que davam um couro nele nesse aspecto como Metal Gear Solid 2, por exemplo, que na verdade é até mais velho do que ele.

Efeitos como fogo, vidro e luz e sombras ficaram horríveis, em contra partida, efeitos como o da capa de Dante se movendo e movimentação dos personagens principais e dos chefes ficaram relativamente muito bons (com certas ressalvas).

Entenda, não estou dizendo que o visual do game é lamentável, mas como se trata da continuação de um game tão famoso, como foi Devil May Cry, a Capcom tinha que por obrigação ter realizado um melhor trabalho nesse aspecto.

Ok, relevando o visual inicia-se o game. Quando o jogador encontra o primeiro inimigo, ele se depara com os dois defeitos do game, que além de serem os mais graves, irão perseguir o jogador até o fim do game: a jogabilidade e o som.

Assim que você, gamer, ver o primeiro inimigo vai por reflexo atirar nele, e vai ver que apenas com suas pistolas vai dar conta do recado. E assim vai ser com o segundo, com o terceiro, com o quarto…
Até que aparece o primeiro chefe na terceira fase: o Orangguerra (olha esse nome, fala sério). O que você vai fazer para matá-lo?
Ficar longe e atirando.
E essa técnica funciona até o fim do game.

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Isso é algo muito broxante, pois o jogador não vai precisar fazer nada, nenhuma acrobacia, nenhum momento heroico, nunca vai xingar aquele chefe filho da “p” por ter te matado 20 vezes consecutivas. Vai apenas tratar de ficar distante dos inimigos e atirar, porque isso é o suficiente para atravessar qualquer desafio.

Essa facilidade duplica quando Dante é transformado em demônio, pois os golpes dele ficam MUITO mais fortes e para se afastar ainda mais dos inimigos, Dante poderá voar.

Tal fato transforma o DMC2 em um game bobo e monótono, pois NUNCA haverá um momento de dificuldade, ou mesmo em que será necessário usar sua espada contra um inimigo. Isso também faz com que as eventuais habilidades que você recebe durante o game totalmente inúteis, já que Ebony e Ivory dão conta de todo o recado.

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Se bem que usar a espada não seria uma coisa muito legal, pois quando se usa, nota-se que a física para ela é muito irreal, parece até que estamos atacando o inimigo com papel ou algo sem peso algum. Se bem que, uma vez que atirar resolve tudo, a equipe não deve ter se preocupado com uma espada que não ia usar mesmo.

É bem frustrante saber que estamos com o controle do herói mais cool e fodão da terra, e não poder, ou mesmo necessitar fazer nada com ele.

O segundo defeito do game, após ver o PRIMEIRO inimigo do game é a musica.

Tal qual no primeiro game, a música tocada durante as batalhas normais durante o game é sempre a mesma, assim como para alguns dos chefes. Mas aqui a repetição se torna um problema por dois fatores:

O primeiro são as músicas sem nenhuma inspiração. Tudo bem que não pedimos para um game de ação, composições de nenhum Nobuo Uematsu ou mesmo de Yuzo Koshiro, mas não precisavam exagerar na falta de qualidade desta maneira. São chatas, impertinentes e uma merda.

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O segundo problema provem da jogabilidade. Em DMC a música se encaixava perfeitamente ao game justamente pelo clima de tensão vivida pelo gamer, devido a dificuldade do game. Em DMC 2, além das músicas serem um pé no saco, não se encaixariam nunca ao game, já que ele como um todo é totalmente monótono e as músicas, apesar de terem quase todos os defeitos do mundo, não são.

Não para somente aí. Os efeitos sonoros são fracos e não se adequam quase nunca ao que está acontecendo na tela.

O som para explosões é baixo e sem sal, o som de quando se usa a espada mais parece um chiado ou um assobio com um efeito de metal ridículo de fundo. Não existe um som para o fogo, mesmo quando se esta ao redor de um prédio em chamas. Acho que já posso parar por aqui.

A dublagem não faz muito feio, apesar de quase nunca ser vista realmente em uma conversa.

Nesta simples frase acima, encontramos mais dois defeitos no game, sendo um deles um dos defeitos mais filhos da puta da história dos videogames.

A primeira falha provém da falta de criatividade de se formular uma história para o game.

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Em resumo, um humano chamado Arius quer ter o poder de demoníaco para si e para isso tem que abrir os portais do “inferno”. Para isso ele tem de ter quatro artefatos, dos quais ele tem três. A partir daí o clichê rola solto e com certeza, mesmo quem nunca jogou o game já sabe o que acontece.

Apesar de já ser boba por natureza, a equipe de produção do game sequer teve o trabalho de tentar engodar o jogador para com tal fato.

O game praticamente não tem conversas ou diálogos acerca do ocorrido, e quando tem, não passam de meia dúzia de palavras vazias no fim ou no inicio de algumas pouquíssimas fases.

O segundo e um dos mais mortais problemas de toda a história do mundo do entretenimento eletrônico é o que fizeram com Dante em DMC2.

Uma vez que ele neste game está bem mais velho, a Capcom deduziu que ele seria uma pessoa mais calada e fria.

PELO O AMOR DE DEUS!!!!!!!!!!

O personagem Dante fez sucesso justamente por ser um anti-herói cínico, sarcástico e que não perdia a oportunidade de ficar calado e agora eles me fazem Dante virar um personagem calado e frio?
Vai sifu Capcom!

Talvez este tenha sido o maior problema do game, muito maior do que os já citados, pois um game que não tem um personagem carismático já é ruim, um game que mata todo o carisma de um personagem que já tem sua legião de fãs estabelecida, é imperdoável.

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O demônio já parou, mas os gamers ainda tem pelo o que chorar

Uma vez terminado o game com Dante, é hora de terminá-lo com Lucia, a outra personagem controlável do game, e aí vem a surpresa: “Please insert the second DVD”.

Sim. DMC 2 é composto por dois DVDs, logo, parece que o game é mais longo que o original, mas…

O game é muito curto, tanto para com Dante e em especial para com Lucia. No DVD de Dante, o game é composto por 18 missões relativamente pequenas, e como já foi dito, todas bobas e fáceis. Já com Lucia o game conta com somente 13 fases, todas do mesmo naipe das de Dante.

Ou seja, a Capcom somente lançou o game em dois DVDs porque bem quis, ou então pra fazer um certo “merchan” pro game, já que devia ter ciência do que estava lançando (sarcástico…).

Continuando com os problemas do game, Lucia sofre com os mesmos problemas de Dante, e alguns até mais graves.

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Com Lucia, para terminar o game basta permanecer longe dos inimigos, ou do chefe, e ficar lançando eternamente suas facas nos mesmos até morrerem. As músicas seguem o mesmo exemplo do DVD de Dante, mas as de Lucia são piores ainda. Era melhor terem deixado para Lucia as mesmas músicas de Dante, pois dos males, que se escolha o menor não?

O efeito de física ruim da espada de Dante, tal qual seus efeitos sonoros foram inalterados para com os punhais de Lucia, algo ruim, muito ruim…

E para finalizar com o DVD protagonizado por Lucia, cabe deixar aqui a falta de criatividade da Capcom para com as fases da mocinha, que tirando umas 4, são as mesmas de Dante. E o pior, destas 4, duas são horrorosas fases aquáticas.

O sistema de Orbs continua similar ao do game antecessor, mas como já dito, isso não faz muita diferença nesse game…

*Nota de atualização: DMC2 ganhou uma remasterização em alta definição na coletânea “Devil May Cry HD Collection”, que também deixa a desejar. Leia nossa análise aqui.

Conclusão: Vou finalizar aqui esta análise de “Devil May Cry 2”, justamente para não continuar falando mal de um game, cujos primeiro e terceiro game me cativaram tanto. Não vou defender a Capcom usando a “teoria das trilogias”, em que um dos games, ou filmes, sempre desaponta, porque não acho isso coerente.
Não vou fazer um profile dos chefes do game, pois TODOS são descartáveis e bobos, incluindo o famoso “chefe prédio”, ou mesmo o último chefe, que tem o maior nome da história de chefes, “Argosax: the Chaos and Despair Embodied”, mas que além de não passar de um amontoado de todos os chefes juntos (coisa de Snes), é tão bocó quanto os outros, ou seja, basta se sentar, caso a game permitisse isso, e atirar nele.
Não vou recomendá-lo para uma rápida distração, pois acho que pra isso, um gamer arranja coisa muito melhor que “Devil May Cry 2”.
E vou continuar não entendendo como este game vendeu relativamente bem ao redor do mundo, apesar de carregar o nome que carrega, sendo uma porcaria tão grande.

Nome: Devil May Cry 2

Sistema: PS2

Desenvolvedora: Capcom

Ano de Lançamento: 2003

Nota da análise: 3/10

+ Ser continuação de um game tão aclamado e competente.

 Ser uma continuação tão mal acabada e incompetente.

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comentários
  1. cell disse:

    muito bom amigo, esse dante é um pau no cu. o 1 3 é 4 são os melhores.

  2. Jonata Anjos disse:

    os melhores games do DMC foram o 1 e o 4 o 2 e 3 sao uma merda.

  3. Cauã disse:

    Concordo’o Dante fez sucesso por ser sinico que não ligava para o inimigo e gostava de zuar o inimigo,como ele fazia no 3

  4. Sérgio disse:

    Discordo do que vc disse sobre a movimentação dos personagens principais serem boas, a primeira coisa que já achei um lixo quando vi o 2 foi justamente a forma como os personagens foram desenhados e a movimentação rápida de mais, fazendo com que eles pareçam mais ainda com bonecos, no 1 era mais realista a forma como o dante se movimentava, mais lento com movimentos mais precisos, ainda bem que no 3 ele voltou e melhor ainda. Bom eu até salvei no 2 no hd collection, mas nem quero mais ve-lo na minha frente, o 1 valeu a pena, e o 3 está valendo já que não salvei ainda, tenho o 4 e vou salvar depois, e talvez comprar o mais novo, que apesar de ter mudado a maioria das criticas são positivas para quem jogou.

  5. Wellington disse:

    será que publicou o comentário?

  6. Wellington disse:

    Galera, vcs sabem me dizer se os chefões dos games atuais estão mais espertos que o de antigamente?

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