The Cave – confira o divertido game de raciocínio do criador de “Monkey Island”!

Publicado: 26/03/2013 por Márcio Alexsandro Pacheco em Análises, PC, PS3, Wii U, Xbox360
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Você talvez nunca tenha ouvido falar no game “The Cave“, produzido pela Double Fine e distribuído pela Sega no começo deste ano, via distribuição online para PS3, Xbox 360, Wii U e PC, mas se você gosta do gênero puzzle/adventure/plataforma 2D, certamente vai apreciar este título, que chegou de mansinho como não quer nada e tem ganhado uma legião de fãs cult.

Desenvolvido pela sempre genial mente de Ron Gilbert, um dos criadores do nostálgico gênero adventure de clássicos como os dois primeiros “The Secret of Monkey Island” e “Maniac Mansion” (entre outros), o título surgiu de um conceito já de longa data de seu criador, que sempre pensou que “as pessoas têm segredos obscuros, que colocam em uma caverna profunda e escura”. Metáfora essa que ele teve ainda quando trabalhava na LucasArts nos anos 90, tendo ele feito alguns esboços de labirintos numa caverna, mas permanecendo aí e não levando a ideia adiante.

Já na Double Fine, e vendo que o mercado de games independentes estava sendo bem aceito pelo mercado, e que o estilo adventure/puzzle caia no gosto dos gamers novamente, Gilbert pegou aquela sua velha ideia e começou a trabalhar nela novamente, e assim nasceu “The Cave”. Segundo Gilbert, um jogo “que fãs do antigo estilo adventure vão gostar”.

controle 3 personagens e explore o interior da caverna

Quem conhece o game designer já sabe o que esperar: algo totalmente criativo e original, com sacadas de humor geniais e diálogos divertidos. E é exatamente isso que você vai encontrar em “The Cave”, revelando que Gilbert ainda não perdeu seu toque mágico através dos anos.

O título não se destaca pela sua história, em que apresenta uma gigantesca e enigmática caverna falante que deve ser explorada por sete aventureiros, retirados de vários pontos do espaço/tempo da história da humanidade. Cada um dos personagens tem o seu motivo de explorar a caverna, que vai sendo explicado ao longo do jogo. A sacada do negócio aqui é que a própria Caverna é um personagem no game, servindo de narrador para a trama para os seus telespectadores, ou seja, nós os jogadores. Com um humor irônico e sarcástico, a Caverna consegue fazer as honras e nos entreter com divertidos e peculiares comentários em várias situações da aventura, lembrando por vezes, a GLaDOS da série “Portal“. Claro, nada que vá fazer você sair gargalhando por aí, mas que em alguns momentos vai lhe tirar um sorrisinho da boca.

personagens NPC aparecem para ajudar, como o velhinho na imagem

A mecânica do jogo gira em torno da resolução dos quebra-cabeças, que a todo tempo testam o nosso raciocínio lógico com uma série de desafios interligados, com o objetivo de abrir caminhos e se aprofundar mais no interior da Caverna. Dos sete personagens disponíveis, o jogador pode usar somente três, que trabalham em equipe para resolver os enigmas e podem ser alternados a qualquer momento. Cada personagem tem uma habilidade distinta, o que lhes garantem passagem em áreas específicas. Esse estilo de jogo lembra bastante o do ótimo “Trine 2“. Entre os sete peculiares personagens temos:

– Knight – um cavaleiro medieval que pode ficar invencível;

– Adventurer – uma mulher que usa uma corda para atravessar áreas distantes. ao melhor estilo Indiana Jones;

– Hillbilly – um caipira que pode prender a respiração debaixo d’água;

– Monk – um monge que pode levitar objetos com a mente;

– Scientist – uma cientista hacker;

– Time Traveler – uma viajante do tempo que pode atravessar objetos teletransportando-se;

– Twins – um casal de irmãos com poderes fantasmagóricos, podendo fazer clones de si mesmos para realizarem tarefas.

os setes aventureiros

Cada um desses exploradores será útil em determinadas áreas e você pode escolher o trio como quiser (cada um possui uma área exclusiva, fazendo que você jogue no mínimo três vezes para conhecer o game por completo). Os comandos são simples e não se preocupe com menus ou uma vasta lista de itens, comuns nos antigos adventures. Aqui é possível carregar apenas um objeto por personagem, e em alguns momentos é necessário interagir com elementos dos cenários, como alavancas, caixa, elevadores entre diversas outras coisas, algumas bem bizarras.

Os gráficos apesar de terem elementos 3D, são em sua essência o bom e velho estilo plataforma 2D, bastante charmosos e simpáticos. Os personagens possuem um design cartoon estilizado e combinam bem com a proposta do game. O interior da Caverna é igualmente bem produzido, com vários detalhes, animações e efeitos de luzes e sombras que conferem um caráter todo especial. E não se preocupe que você não vai ver apenas “paredes” e “rochas”, essa é uma Caverna toda estilosa e que possui os mais loucos ambientes que se possa imaginar. Todavia, está longe de ter um visual espetacular como o de “Trine 2”, mas é no geral bem feito e agradável.

faça o monstro andar nos espetos, sem que ele queime a sua a bunda!

Os quebra-cabeças não são um bicho de sete cabeças, mas também não são nenhuma moleza, e certamente vai chegar momentos em que você vai se sentir perdido sem saber o que fazer, o que vai exigir um grau de paciência, que talvez jogadores mais jovens não possuam. Mas a satisfação ao se descobrir a resolução de um enigma é bastante satisfatória para o seu ego.

As personagens escolhidas não falam durante o game, papel esse interpretado pela Caverna. Outros personagens NPC podem ser encontrados pelos caminho, que servem apenas para dar informações ou executar uma ação em algum puzzle. Jogadores veteranos vão se deliciar ao identificar homenagens a outros games de Gilbert, como figurantes, objetos e outros detalhes, como a máquina de Grog e o pirata LeChuck, ambos de “Monkey Island”.

jogadores de “Monkey Island” vão reconhecer a máquina de Grog

Infelizmente o game apresenta alguns probleminhas chatos, como o vai e volta de personagens num mesmo local para recolher objetos ou para solucionar alguns puzzles. As vezes, as personagens ficam bem afastadas uma das outras, e você tem que trocá-las de lugar para poder acessar certas áreas. Um sistema pouco prático e cansativo, que acaba matando o ritmo do jogo. Algumas áreas da caverna são bem grandes, e as vezes ficamos perdidos sem saber o que fazer, e o que era para ser intuitivo, acaba sendo complicado.

O título oferece um multiplayer local com outros dois jogadores (não há opção para online), mas ele é apresentado de forma bem estranha e desconfortável, já que não há divisão de telas e os três personagens precisam estar ao mesmo tempo na tela para todos jogarem, o que raramente acontece. Ou seja, enquanto um joga, os outros dois observam até que seja possível alternar os personagens. Segundo Gilbert, a divisão de telas deixaria o game muito fácil, e deste modo a cooperação entre os jogadores é muito maior. Pode até ser, mas perde um pouco na diversão.

há vários ambientes dentro da Caverna

Por fim, a parceria da Double Fine com a Sega parece ter dado bastante certo, já que a distribuidora deu carta branca para Gilbert desenvolver o game como quisesse. Algumas distribuidoras impões regras, obrigando os desenvolvedores mudarem coisas em seus games, coisa aliás que aconteceu entre a Double Fine e a Actvision, no lançamento de “Brutal Legend” (também desenvolvido pela Double Fine, mas criado pelo amigão de Gilbert, Tim Schafer), que deu uma briga feia e a DF acabou mudando para a EA na distribuição do game.

Conclusão: “The Cave” pode não ser o melhor trabalho de Ron Gilbert, mas certamente é um game criativo com uma boa dose de humor, que pode até usar um sistema que muitos vão achar ultrapassado, mas que marca o retorno do bom e velho adventure, por isso sendo indicado para os fãs do gênero ou para quem gosta de games com raciocínio lógico. Se você faz o tipo de jogos de ação e velocidade, pode passar longe dele.

Nome: The Cave

Sistema: PS3, X360, Wii U e PC

Desenvolvedora: Double Fine

Ano de Lançamento: 2013

Nota da análise: 7.5/10

+ Humor afiado da Caverna

+ Vários personagens distintos

+ Quebra-cabeças na medida, sem ser muito fácil ou difícil

+ Bom fator replay

Algumas partes são repetitivas e restritivas

Controlar 3 personagens jogando sozinho é trabalhoso

Modo coop poderia ser melhor trabalhado

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comentários
  1. helisonbsb disse:

    bons tempos de The Secret of Monkey Island e Maniac Mansion

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