Brave Battle Saga: Legend of the Magic Warrior

Publicado: 21/11/2011 por Márcio Alexsandro Pacheco em Análises, Mega Drive
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Conheça esse belo RPG inédito para Mega Drive

Você é jogador da geração 16 Bits? É fã dos RPGs oldschool como Phantasy Star IV, Final Fantasy VI e Breath of Fire? Então você vai adorar esse jogo aqui para o Mega Drive: Barver Battle Saga: The Space Fighter, ou como também é conhecido Brave Battle Saga: Legend of the Magic Warrior.

Mas peraí, você nunca ouviu falar desse jogo? Pois é, isso porque ele praticamente é um jogo INÉDITO para o 16 Bits da Sega. Ele é um jogo de produção taiwanesa “caseira” (ou pirata, como preferirem) no mesmo estilo de Beggar Prince (bem bacaninha) e Legend of Wukong (esse nem tanto), tambéms RPGs lançados tempos depois para o Mega Drive. Quer mais um? Que tal Ultimate Mortal Kombat Trilogy  – que possui “apenas” 57 personagens.

 

Os fãs simplesmente se recusam deixar o console morrer, mesmo após 20 anos depois de seu lançamento (será o Mega Drive imortal?). Para se ter uma ideia, o game Beggar Prince foi lançado em 2006 e vendeu cerca de 1000 cópias (sim, foram produzidos cartuchos com caixas e manual e foram vendidos), o que é um número grande para um videogame “fora de linha”. Temos até um brasileiro envolvido em um projeto que está perto de ser lançado, chamado Pier Solar. Mas essa é outra história que logo abordarmos por aqui.

O fato é que esses games “inéditos” são na verdade hacks muito bem feitos de outros RPGs clássicos. Porém, eles são modificados de tal modo que realmente parecem games originais. Barver Battle Saga foi lançado em 1996, mas somente agora no início de 2010 foi lançada uma tradução do jogo para o inglês, batizado agora de Brave Battle Saga (BBS). Então, para nós ocidentais, é como se o game fosse lançado agora em 2010.

O gane lembra muito os clássicos do SNES como os jogos da série Secret of Mana, Final Fantasy e Breath of Fire 2 (se você já jogou os RPGs do SNES irá achar muita coisa familiar – porém não igual – em BBS). Alguns até chegam a chamá-lo de “Final Fantasy do Mega Drive” (a abertura do game até lembra a do FFVI).

 

Muita gente fica com um pé atrás quando se fala de jogos piratas, pois já que a maioria apresenta um nível de qualidade ridículo (Sonic 4 no SNES? Donkey Kong Country no Mega Drive?), mas felizmente esse não é o caso de BBS, que além de apresentar uma qualidade audiovisual impressionante, é muito divertido e chega a ser melhor que muitos RPGs originais de SNES e Mega Drive.

Eu terminei o jogo umas horas atrás (levou 20 e poucas horas no nível 63) e foi como voltar no tempo, nos saudosos anos 90 em que eu varava noites jogando RPGs do MD e do SNES (passava mais tempo no SNES pois ele tinha uma quantidade muito maior de RPGs). Acho que fazia muito tempo que eu não me divertia tanto jogando um RPG oldschool como o tempo que passei jogando BBS. Também passei um pouco de raiva (alguns labirintos são o cão chupando manga), mas no geral o saldo é mais que positivo.

E é muito bom ver um novo RPG de qualidade no Mega Drive, que tem poucos (mas excelentes) representantes nesta categoria, e BBS é um título de peso que chega para engrossar essa lista. Você fã do “negão” da Sega e de RPGs oldschool, pode ir fundo nesse jogo, que apesar de apresentar todos os clichês imaginaveis dos antigos RPGs, certamente é uma experiência inesquecível!

 

A Lenda do Magic Warrior

A história do game só não é  mais clichê por falta de espaço, no estilo “jovem que mora numa vila sai numa jornada, vai encontrar novos amiguinhos e salvar o mundo de um terrível mal”. Mas quem se importa? É um jogo novo com uma aventura inédita para o Mega Drive, então está valendo! Ele conta a história de um mundo, que há muito tempo atrás foi regido pela alta tecnologia e pela magia. A sociedade, bastante avançada, dividiu-se em dois grupos devido às suas diferenças de ideias: os humanos e os demônios. Os humanos continuaram a construir sua civilização usando e aprimorando a tecnologia, enquanto que os demônios começaram a construir sua própria cultura através da magia. Porém o equilíbrio entre esses dois elementos não durou muito tempo, e com o passar dos anos a tecnologia superou a magia e se firmou como a ferramenta dominante no planeta.

Porém, através da tecnologia foi construida uma poderosa arma de destruição, que por uma ironia do destino, perdeu o controle e destruiu todo o mundo e sua civilização. Mil anos se passaram, quando então os sobreviventes descobriram os restos da antiga tecnologia. A humanidade mais uma vez está no caminho de cometer os mesmos erros do passado. Esse mundo é controlado por quatro templos sagrados, que controlam as forças da naturezam.

O Reino de Cruz controla o poder da água através do Templo da Lua. O Reino de Galien surge como um deserto tropical controlando o Templo do Sol. Nas regiões polares há o Império de Zak, um lugar onde as pesquisas tecnológicas afloram e onde está localizada o Templo da Estrelas. Finalmente o Reino de Lear, que é protegido pelo Templo dos Ventos.

O mundo, que estava em paz com os seus sobreviventes, começou a ser ameaçado pelo surgimento de demônios das antigas lendas, que agora infestam as terras. A população está em pânico e muitas vidas foram perdidas. Qual o significado do surgimento desses demônios? Que segredos os Templos Sagrados guardam? Será que o lendário Magic Warrior, um herói das antigas lendas, irá ressurgir para salvar o mundo novamente?

 

Esta é a introdução do game, bem ao estilo Final Fantasy de ser. Você começa o game na vila do protagonista, um jovem de cabelos azuis chamado Tim, que está para fazer um teste para se tornar um guerreiro, ao lado de outros jovens. Porém os rivais de Tim não possuem exatamente uma boa índole e caráter e acabam fazendo com que Tim, além de perder o teste, seja expulso da sua vila. Sem ter para onde ir, Tim começa a vagar pelo mundo, até que encontra uma jovem e novas aventuras começam a se formar no horizonte.

Falando um pouco dos personagens, você irá encontrar cinco no total, mas o seu grupo é formado por apenas quatro membros. Além de Tim, o típico herói adolescente de JRPGs, um cara normal que de uma hora para outra se vê em uma grande jornada, você também vai encontrar; Cherie, uma jovem misteriosa que está numa missão de encontrar sua verdadeira mãe (que ela não conhece); Celia, que está sendo atacada por demônios; Ray, um cara bastante forte do exército do Império Zak. Há ainda um quinto personagem que entra para o grupo, mas que não direi para não estragar a surpresa. Além deles temos alguns personagens suportes, como os reis e rainhas de cada reino, o suspeito embaixador Ayrshire do Império Zak (o seu avatar é baseado no Kefka de FFVI, inclusive a risada), o imperador dos demônios e sua filha que atormentam nossos heróis e alguns outros, como entidades poderosas, deusas, fadas e afins.

 

A narrativa apesar de bastante previsível (para alguém diplomado em RPGs oldschool como eu) consegue prender a atenção do jogador, que lentamente vai acompanhando as epopéias dos personagens, descobrindo mais sobre suas histórias e passados e com uma trama que vai ficando mais complexa com o passar do tempo. Algumas surpresas, traições, alianças e desafetos surgem para manter a atenção do jogador. Os personagens não têm lá uma grande história background, mas tem os seus bons momentos e deve agradar a maioria das pessoas. Você também pode escolher qual personagem do grupo você quer que apareça na tela, não se limitando apenas ao avatar do protagonista, o que é bom para dar uma variada no visual.

O sistema de batalhas lembra muito os games Breath of Fire e Final Fantasy, no estilo pseudo-tempo real com as barras clássicas de ATB (Active Time Battle), consagrada nos games Final Fantasy, em que o jogador espera a barra se preencher para poder atacar. Nas batalhas há um sistema de menus, com as opções de lutar, usar magias, usar itens, defender ataques, fugir e o útil “Repeat”, que repete o comando usado anteriormente, poupando tempo (como o uso de uma magia).

Cada personagem usa armas diferentes. Tim usa facas e lâminas, Cherie usa arcos/bestas, Celia cajados e Ray espadas. Há varios equipamentos de defesa (como armaduras, escudos, elmos) e armas para cada personagem, além também de vários acessórios com variados efeitos para as habilidades dos personagens, como aumento na força de ataque ou nos pontos de defesa.

 

Uma coisa legal em BBS é que você pode ver os inimigos na tela e se quiser pode simplesmente desviar e não entrar em modo de batalha. Porém a desvantagem de fazer isso é que você não ganhará pontos de experiência para subir de nível e não ganhará dinheiro, para comprar os seus equipamentos, armas, magias e itens. E falando em magias, o game oferece uma lista bem grande de magias, que podem ser compradas e equipadas nos personagens (inclusive magias iguais para mais de um personagem). Algumas tem mais de um nível, como a Cure 1, Cure 2, Cure 3 e Cure All. Temos magias de ataques bem variadas (fogo, terra, água, ar, eletricidade), de defesa (aumentar força de defesa, ataque, escudo contra magias, etc) e outras como impedir o inimigo de soltar magias, de colocá-los para dormir, aumentar a velocidade de ataque, etc.

Mas além das magias normais, temos também invocações. E são invocações muito bem feitas, com excelentes animações de seres super poderosos com ataques devastadores. Um prato cheio para os fãs de Final Fantasy.

Há várias cidades e vilarejos espalhados pelo jogo, onde você pode conversar com personagens NPC, descansar nas pousadas e visitar as lojas para compra de itens/equipamentos. Se você gosta de fuçar e explorar cantos das cidades, então vai fazer a festa aqui, pois o game é recheado de itens escondidos nos cenários, então sempre vasculhe caixas, vasos de flores, lareiras, estantes, etc. Inclusive itens muito bons, como magias e acessórios, realmente vale a pena.

 

Em termos gráficos BBS realmente irá surpreender os desavisados, pois estão muito bem caprichados, ainda mais em se tratando de um produto pirata. As cores são muito vivas e os cenários cheios de detalhes e cheios de animação. O pessoal que fez esse game, fez o hack de vários outros jogos, redesenharam e montaram BBS, um trabalho meticuloso que deve ter levado um bom tempo, mas que ficou muito bom. Com certeza é um jogo produzido por fãs de Mega Drive e de RPGs, que souberam aproveitar bem as capacidades do console e construíram algo muito legal.

Os vilarejos e cidades são bem bacanas, cheios de NPC e itens escondidos. As batalhas, baseadas no game Breath of Fire 2, também se apresentam de forma excelente. São rápidas e com menus de fácil acesso. Os monstros e criaturas possuem um design muito bem feito, são bem variados e quase todos possuem algum tipo de animação, não ficando apenas estáticos na tela. Seus personagens também são bem animados e detalhados, inclusive para magias e invocações, que estão muito bem representadas e usam efeitos de luzes e cores bem bacanas, algumas até apresentam efeitos de zoom e rotação, dando um toque a mais ao jogo.

A trilha sonora também está muito boa. Eu não sei de que jogos ela foi baseada, mas as composições combinam bem com o jogo, com temas para batalhas, chefões, vilas, cavernas, templos e momentos especiais. Ela não é muito variada, mas as existentes dão conta do recado tranquilamente.

 

A única coisa no game que pode realmente incomodar é que ele não possui nenhum mapa, e o seu desenrolar é de forma linear, o que complica bastante quando você precisa voltar em um certo ponto e você não lembra mais o caminho. Isso também vale para os labirintos/dungeons, que no começo são facéis, mas depois vão ficando mais complicados, com vários caminhos e teleportes. Você vai se perder várias vezes até conseguir achar a saída, ou até encontrar um determinado objeto/pessoa que está localizado em algum lugar do labirinto e que você precisa encontrar para dar continuidade à história. Também apresenta alguns bugs e glitches, mas nada que vá realmente incomodar. Os labirintos, como as cidades, também estão cheios de itens escondidos, inclusive invocações de seres poderosos (que geralmente você luta contra para depois então poder usá-los), então as vezes até vale a pena se perder, você pode acabar encontrando bons itens/magias. Os labirintos são bem variados, temos florestas, cavernas, templos, montanhas, desertos, o topo de arvóres e até o interior de um vulcão.

O jogo dura entre 20-30 horas, e infelizmente não existe sidequests para aumentar esse tempo, que consiste praticamente da aventura principal. Assistam abaixo um video do jogo para terem ideia de como ele é:

Conclusão: Brave Battle Saga: Legend of the Magic Warrior é um RPG de excelente qualidade para o seu Mega Drive que vai gerar uma boa diversão para os amantes de RPGs oldschool. Gráficos caprichados, trilha sonora muito bem composta, uma história e personagens clichês, mas o que importa é que é uma aventura inédita para o 16 Bits da Sega, e que faz o seu trabalho em prender a atenção do jogador. Um sistema de batalha dinâmico e menus práticos de fácil acesso garantem horas de diversão como nos velhos tempos. Sem dúvida um título que merece ser conferido, parabéns aos caras que fizeram o jogo e parabéns também ao pessoal que encarou traduzir todo o game e assim oferecer a chance de mais pessoas conhecerem este belo RPG. E quem foi que disse que o Mega Drive está “morto”?

Nome: Brave Battle Saga: Legend of the Magic Warrior

Sistema: Mega Drive

Desenvolvedora: Chuanpu Technology

Ano de Lançamento: 1996 – 2010 (inglês)

Nota da análise: 9/10

+ Excelente gráficos e trilha sonora; divertido de se jogar
+ Bom sistema de batalhas; várias magias e invocações; RPG no estilo oldschool
Um sistema de mapa faz bastante falta
Alguns bugs e glitches, mas nada que incomode


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